Práticas ESG são levadas em consideração pelo consumidor

Pesquisa é da PwC Brasil e Instituto Locomotiva

30 de novembro de 2023 às 0h19

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Luciana Medeiros: consumidores têm comportamentos diferentes do que tinham anos atrás | Crédito: Divulgação/PwC Brasil

Na hora de comprar, aspectos relacionados ao termo ESG (sigla em inglês que significa environmental, social and governance), que corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização são, cada vez mais, determinantes para o consumidor. É o que mostra a pesquisa inédita intitulada “Mercado da maioria”, divulgada ontem.

O estudo apresenta um mapeamento dos fatores que devem ditar as transformações do varejo e do consumo agora e no futuro. O levantamento revela que 86% dos consumidores entrevistados estão dispostos a priorizar marcas e lojas com propósito e 53% já deixaram de comprar de marcas por falta de responsabilidade social.

Com foco nas classes C, D e E do Brasil, que representam 76% da população, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que respondem por quase metade do consumo no País, o levantamento da PwC Brasil e do Instituto Locomotiva buscou entender as preferências, novos comportamentos, expectativas e as transformações provocadas por esse grupo.

“O que nos motivou a realizar a pesquisa foi entender se as empresas de varejo e bens de consumo estão preparadas para compreender e atender de forma eficaz essa fatia da população, que tem novos comportamentos, preferências e expectativas”, conta a sócia da PwC Brasil, Luciana Medeiros.

Ela acrescenta que os brasileiros têm características e comportamentos diferentes do que tinham anos atrás. “São novas demandas, além de nuances regionais”, diz.

Luciana Medeiros ressalta que pesquisa revelou um consumidor com propósito, engajamento e coletivização das preferências de consumo. “A ideia de que as pessoas das classes C, D e E não se preocupam com o consumo consciente e sustentável é um mito. Esse público demonstra disposição semelhante à das classes A e B de priorizar essas pautas e evitar marcas que não estão alinhadas com esses temas”, observa.

Foram ouvidos 2.388 consumidores, além de líderes de grandes empresas do setor de varejo e consumo no Brasil.

Educação tem maior índice de demanda reprimida

Os dados da pesquisa “Mercado da maioria”, divulgada ontem, indicam que há um vasto potencial de intenção de compra reprimida.

De acordo com o levantamento, o setor de educação apresenta o maior índice de demanda reprimida: 31% dos entrevistados afirmaram que gostariam de realizar cursos de idiomas nos próximos 12 meses se tivessem condições financeiras e 28% citaram cursos diversos.

“Há um reservatório de desejo de consumo nas classes C, D e E que, se convertido em poder de compra, pode inaugurar uma nova fase de crescimento para o varejo brasileiro. Estamos diante de uma janela de oportunidade: se as condições econômicas melhorarem, esse anseio reprimido por educação, bens duráveis e melhor qualidade de vida pode gerar uma onda de consumo com efeitos multiplicadores na economia”, observa o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.

A pesquisa mostrou que a maioria dos entrevistados, 64% afirmaram que aceitam pagar um pouco mais por marcas/produtos que apoiem a diversidade e 50% disseram ter deixado de comprar um produto ou contratar serviços de alguma marca que teve atitudes consideradas preconceituosas.

Exigente

Crédito: Adobe Stock

Além de considerar questões ligadas a valores pessoais, a maioria dos consumidores também está mais exigente na hora de comprar. A pesquisa mostra que 66% dos consumidores valorizam produtos de qualidade por um preço justo.

“É um contexto que está impulsionando uma abordagem mais criteriosa na avaliação do custo-benefício, combinando uma exigência de qualidade e preço acessível, com uma atenção especial aos aspectos ESG”, ressalta.

Mais conscientes e conectados para consumir, os consumidores entrevistados  integrantes das classes C, D e E têm como empecilho ao consumo o acesso ao crédito. O levantamento mostra que 87% das pessoas com menor renda comprariam mais se tivessem mais acesso ao crédito.

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