Preço alto do querosene de aviação impacta setor

16 de outubro de 2021 às 0h27

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A escalada dos preços do QAV e do dólar dificultam a recuperação das companhias aéreas | Crédito: REUTERS/David Becker

A escalada de preços dos combustíveis não atinge apenas os veículos de transporte terrestre. Não é de hoje que a alta do querosene de aviação (QAV) tem onerado os custos das companhias aéreas que atuam no País. Diante do cenário, que conta ainda com sucessivos recordes na cotação do dólar em relação ao real, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alerta para uma dificuldade de recuperação do setor.

Os dois desafios, na visão da Abear, podem ameaçar uma retomada mais consistente da aviação comercial brasileira e vêm sustentando os preços das passagens aéreas. O último Relatório Tarifas Aéreas Domésticas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicou alta de 21,7% na tarifa aérea doméstica média em relação ao mesmo período de 2020.

Para se ter uma ideia, o preço no segundo trimestre de 2021 foi de R$ 388,95. No mesmo período, o Yield Tarifa Aérea Médio Doméstico Real – indicador que representa o valor médio pago pelo passageiro por quilômetro voado – foi de R$ 0,2810, com aumento de 25,7% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Já a Abear destaca que, apesar disso, nos últimos cinco meses houve crescimento da oferta de voos domésticos e os valores das tarifas aéreas são inferiores aos níveis pré-pandemia.

Segundo a entidade, a partir de dados da Anac, a tarifa média aérea doméstica real do segundo trimestre de 2021 caiu 19,98% na comparação com o mesmo trimestre de 2019, período prévio aos impactos da pandemia de Covid-19. O preço médio do bilhete foi de R$ 388,95, ante R$ 486,10.

“A Abear destaca que qualquer comparação de preços de bilhetes tendo como referência o ano de 2020 leva em consideração os menores valores históricos por causa do impacto da pandemia. No ano passado, a tarifa aérea doméstica se situou em R$ 376,29, o menor preço em 20 anos”, diz a entidade.

O querosene de aviação (QAV) é apontado pela associação como o item de maior ineficiência econômica para as companhias aéreas brasileiras, aliado à escalada da cotação do dólar em relação ao real – 51% dos custos do setor são indexados pela moeda norte-americana.

Neste sentido, os dados da Anac indicam aumento de 91,7% no preço do querosene de aviação no segundo trimestre de 2021 em relação a igual período do ano passado. E de acordo com o Painel Dinâmico de Produção de Petróleo e Gás Natural da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os números mais atualizados dão conta de que o litro do QAV chegou a R$ 2,8597 em setembro. No início do ano o valor era R$ 2,1027, o que mostra um crescimento acumulado de 36%. Já em setembro de 2020, o valor estava R$ 1,9561 – elevação de 46% no período.

ICMS

Além disso, o mais recente levantamento da própria Abear sobre o QAV mostrou que no primeiro semestre deste ano, o preço médio do combustível na bomba, no Brasil, foi 24,6% superior do que nos Estados Unidos. Segundo a entidade, contribuiu para essa distorção o fato de que o Brasil é o único país do mundo que tem um tributo regional sobre o QAV, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) – já tão falado quando o assunto é combustível. As companhias estrangeiras não pagam esse imposto para abastecer em território nacional.

“Por isso uma viagem internacional muitas vezes é mais barata do que um voo doméstico, considerando-se distâncias similares. Um dos pilares da Abear é o alinhamento das regras brasileiras às melhores práticas internacionais, para que haja condições de igualdade na competição global que ampliem a eficiência das empresas aéreas brasileiras”, declarou o presidente da entidade, Eduardo Sanovicz.

Valor do diesel avança 5,55% em 15 dias

Rio de Janeiro – O preço médio do diesel comum nos postos do Brasil subiu 5,55% na primeira quinzena deste mês ante o fechamento de setembro, para R$ 5,203 por litro, apontaram na sexta-feira (15) dados da Ticket Log, marca de gestão de frotas e soluções de mobilidade da Edenred Brasil.

Na comparação com a média registrada em outubro de 2020, o avanço chega a 41%, mostrou o levantamento. “O preço do diesel vem de forma consecutiva avançando em todo o território nacional, e fica evidente com a nova alta o impacto do mais recente reajuste nas refinarias anunciado no final do mês de setembro”, disse o head de Mercado Urbano da Edenred Brasil, Douglas Pina.

A Petrobras anunciou no fim de setembro uma alta de 9% no preço médio do diesel vendido em suas refinarias, após 85 dias de estabilidade, frisando que o movimento seria importante para garantir o abastecimento do combustível no país.

Em todas as regiões brasileiras, tanto o diesel comum quanto o S-10 apresentaram aumentos no preço médio na primeira metade deste mês ante o fechamento de setembro, segundo a empresa, com variações acima de 5%.

No Centro-Oeste foi registrada a alta mais significativa para o diesel comum, de 5,66%. Já o tipo S-10 teve a maior alta registrada no Nordeste, de 5,56%.

A região Norte concentra os preços médios mais elevados, onde o diesel comum esteve a  R$ 5,415 por litro, e o diesel S-10, a R$ 5,469 por litro. No Sul, os valores mais baixos por litro foram registrados: o tipo comum foi comercializado a R$ 4,799 por litro, e o tipo S-10, a R$ 4,836 por litro.

O Acre é o Estado com o valor médio do diesel comum e do tipo S-10, mais altos do País, comercializados a R$ 5,932 por litro e R$ 5,954 por litro, respectivamente. No Paraná estão os valores mais baixos registrados pelos postos, a R$ 4,753, o tipo comum e R$ 4,786 o S-10.

O levantamento é feito com base nos abastecimentos realizados nos 21 mil postos credenciados da Ticket Log. (Reuters)

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