Preços do papel disparam com aumento da demanda

23 de março de 2022 às 0h30

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A elevação no preço do papel vem sendo repassada para os clientes, mas sempre com defasagem de tempo | Crédito: Divulgação

O papel para gráficas chegou a subir 65% em 2021. O insumo para embalagens teve alta semelhante e, apenas nos últimos sete meses, entre agosto e fevereiro, o preço aumentou 45%. “Os papéis de embalagens são mais rústicos que os de gráfica, com custos de acabamento diferentes, mas aumentaram na mesma proporção”, informa o presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel), Antônio Baggio, que dirige a entidade há 19 anos.

Segundo Baggio, o setor conseguiu repassar os aumentos para os clientes, mas sempre com defasagem de tempo e principalmente para as grandes empresas. Em alguns casos, foi possível fazer a substituição por papéis com gramaturas menores ou reciclados, para reduzir custos. Mas a solução, segundo o dirigente do Sinpapel, passa pela “negociação de preços e conscientização do valor da parceria e da qualidade”.

A reciclagem, aliás, é o motor da fabricação em Minas de 85% do papelão ondulado, principal matéria-prima do setor. Minas é um dos três principais recicladores do material, que é utilizado em caixas de embalagens para transporte de produtos.

Os números da reciclagem já voltaram ao normal, depois da queda radical de 2020, primeiro ano da Covid-19, quando o comércio fechou e os catadores não tinham o que recolher. “O processo de recuperação acontece rapidamente, tanto que a importação de aparas caiu vertiginosamente nos últimos nove meses”, diz Baggio.

Entre 2019 e 2020, a produção de embalagens teve queda de 35% em Minas Gerais, que responde por 12% a 15% do mercado nacional. Em 2021, a demanda nacional por embalagens cresceu, mas, em parte, não foi atendida, por falta de um insumo fundamental: o papel. A demanda mundial por embalagens de delivery no auge da pandemia e a valorização do dólar direcionaram praticamente toda a produção para o mercado externo.

Depois de crescer entre 10% e 12% no quarto trimestre do ano passado, impulsionada pelas vendas de fim de ano, a demanda por embalagens voltou aos níveis do terceiro trimestre. Diante disso, Baggio acredita que o segmento deverá crescer entre 2% e 4% em 2022, ou seja, pelo menos quatro vezes mais que a atual projeção para o PIB nacional – 0,5% -, segundo o último Relatório Focus do Banco Central.

“Um crescimento que irá completar e resgatar a queda dos anos anteriores, voltando aos níveis pré-Covid e até apresentando um pequeno crescimento”, garante o presidente do Sinpapel, que reúne 326 empresas no Estado, sendo que 50 delas respondem por 97% do faturamento do setor em Minas. São empresas grandes do setor de celulose, como a Cenibra. Ao todo, a atividade ocupa 15 mil funcionários diretos. 

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