Prefeitos mineiros temem colapso

8 de março de 2019 às 16h28

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Municípios mineradores teemem que a Vale deixe de operar no Estado após a tragédia ocorrida em Brumadinho em janeiro - REUTERS/Washington Alves

A Associação de Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig) pretende iniciar uma campanha em defesa da atividade minerária no Estado. Para isso, já solicitou apoio do governador Romeu Zema (Novo) e pretende incluir ainda a participação do Ministério Público, Judiciário, Legislativo, de órgãos ambientais e do governo federal em uma série de ações em prol da mineração.

De acordo com o consultor de Relações Institucionais da Amig, Waldir Salvador, trata-se de um movimento de diálogo institucional em defesa da atividade e de toda a cadeia produtiva, visando proteger a economia mineira e os milhares de empregos gerados no Estado.

“A mineração é a atividade econômica mais importante de Minas Gerais e carrega toda uma cadeia, envolvendo setores como siderurgia, de fertilizantes e construção civil. Com o fim do setor, o Estado vai se empobrecer ainda mais e nem a tão falada diversificação econômica será possível de realizar”, explicou.

No entendimento da entidade e dos prefeitos de cidades mineradoras de Minas Gerais, o melhor caminho é uma atuação proativa não somente de suas partes, como também do governo estadual. Por isso, na semana passada, se reuniram com o governador para cobrar uma posição.

O objetivo principal, conforme Salvador, foi alertar Zema sobre o risco de colapso das cidades mineradoras e do próprio Estado com a interrupção das operações da Vale e de outras mineradoras. A intenção, segundo ele, é que o governo intermedeie o diálogo, evitando a efetiva paralisação das atividades.

“Uma coisa é o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (RMBH) – ocorrido no fim de janeiro –, e que deve ser averiguado e responsabilizado. Outra, é a extinção da atividade”, argumentou.

Para o presidente da Amig e prefeito de Nova Lima, Vitor Penido de Barros, se não forem adotadas iniciativas para manter a cadeia produtiva, diversas pessoas serão impactadas com as paralisações. “As cidades que possuem atividades minerárias ativas, correm risco de colapso com a interrupção das operações, especialmente, Nova Lima, Brumadinho, Ouro Preto, Congonhas e São Gonçalo do Rio Abaixo”, destacou.

Além disso, a Amig também solicitou ao governador a reedição do Conselho Estadual de Geologia e Mineração, que funcionaria novamente como um órgão de assessoramento à mineração de forma a acompanhar, diligenciar e fomentar a atividade. “Zema disse que irá analisar a proposta e mobilizar o governo para a criação de uma estratégia específica para cuidar desse assunto, sem afirmar se será formatado como um conselho ou uma secretaria extraordinária”, contou o consultor.

Fiscalização – Outra vertente que a associação pretende atacar, de maneira a defender a atividade, é aumentar a fiscalização e cobrança junto aos órgãos de fiscalização e às próprias mineradoras. Segundo Salvador, já houve, inclusive, um encontro da diretoria da Amig, os prefeitos e diretores da Vale, para pedir explicações sobre a informação de que mineradora irá paralisar as atividades em algumas minas.

De acordo com a entidade, os representantes da empresa disseram que a mineradora não tem a intenção de deixar Minas Gerais e que vai continuar investindo no Estado. De acordo com o consultor, foi também o momento de cobrar da empresa uma nova forma de se relacionar com os municípios: com mais clareza e ética.

“Os municípios querem da Vale um tratamento de igualdade, recebendo todas as informações necessárias sobre cada atividade desenvolvida. É preciso se inaugurar uma nova forma de se minerar no País, principalmente nas cidades, porque é nelas que as coisas acontecem.

Queremos isso de forma técnica, institucional e aberta para continuar defendendo o segmento pela importância que possui”, concluiu.

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