CREDITO: ERIC GONÇALVES

A produção industrial de Minas Gerais continua sendo impactada pela paralisação parcial da mineração no Estado desde o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorrida em janeiro. O parque produtivo mineiro apresentou mais uma baixa na produção no mês de junho, com retração de 12% em relação ao mesmo intervalo de 2018, e o ano somente não se encerrará com resultados negativos se houver retomada das atividades.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor extrativo mineral puxou o resultado para baixo, com queda de 43,4% em junho e de 29,1% no semestre. Por outro lado, atividades como fabricação de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, metalurgia e fabricação de produtos têxteis amenizaram as perdas.

Em junho na comparação com maio na série com ajuste sazonal, a produção industrial de Minas apresentou recuo de 0,9%. Dez dos 15 locais pesquisados mostraram taxas negativas, com Rio de Janeiro (-5,9%), Pernambuco (-3,9%) e Bahia (-3,4%) apresentando as baixas mais acentuadas.

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial mineiro apresentou queda de 12%. Já em âmbito nacional, 11 dos 15 locais pesquisados apontaram resultados negativos. No caso de Minas Gerais, a economista do IBGE Minas, Cláudia Pinelli, explicou que influenciou não somente os impactos da mineração, mas também a conjuntura econômica nacional.

“Os resultados do setor extrativo seguem influenciando os números gerais da indústria no Estado. Mas vale dizer que outras atividades também não estão bem e colaboraram para o recuo. Para se ter uma ideia, de 14 atividades avaliadas, nove apresentaram resultados negativos na comparação com o ano passado”, explicou.

No mesmo tipo de confronto, as cinco atividades que tiveram desempenho positivo em relação a igual mês do ano anterior foram: fabricação de produtos de coque, de produtos derivados do petróleo (10,2%), metalurgia (8,3%), fabricação de produtos têxteis (7,5%), fabricação de máquinas e equipamentos (3,3%) e fabricação de celulose, papel e produtos de papel (2,9%).

Acumulado – Assim, no acumulado do primeiro semestre a produção industrial mineira apresentou queda de 5,6% sobre a mesma época de 2018, mais uma vez sob influência da atividade extrativa mineral. Além da atividade, apenas fabricação de outros produtos químicos e fabricação de produtos do fumo também tiveram números negativos no mesmo tipo de confronto.

A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos 12 meses, acumulou recuo de 3,1%. Neste sentido, embora a especialista tenha ponderado que ainda é cedo para falar sobre o encerramento do exercício, ela alertou que a produção do Estado no ano somente não se encerrará com resultados negativos se as atividades de mineração forem retomadas.

“Estamos com um acumulado de -3,1% na taxa anualizada, mas ainda é cedo para falar sobre o fechamento de 2019. Vai depender da operação das minas no Estado, mas enquanto houver efeitos do rompimento da barragem nas operações da própria Vale, vamos ter impactos na produção industrial mineira como um todo”, explicou.