Projeto prevê criação de corredor logístico entre Varginha e Angra

15 de fevereiro de 2022 às 0h29

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A reativação da ferrovia de Varginha a Angra dos Reis favorecerá as exportações | Crédito: Cleiton Borges

Exportadores e importadores do Sul de Minas Gerais esperam levar suas operações para o porto de Angra dos Reis (RJ) ainda neste exercício, mesmo antes de o projeto de reativação da ferrovia que liga Varginha à cidade do litoral fluminense sair do papel. O movimento pode ser o pontapé inicial para a criação de um novo corredor logístico na região, defendido pelo Porto Seco Sul de Minas e pelo Terminal Portuário de Angra dos Reis (Tpar), mediante investimentos da ordem de R$ 20 bilhões, e que promete redução de até 70% nos custos de operação do comércio exterior.

“Queremos iniciar as operações no porto independentemente da ferrovia. O acesso rodoviário não é simples, mas é viável e seria uma forma de comprovarmos a viabilidade do projeto, a partir da redução de custo às empresas, que já estão em negociação com o Tpar. Estamos falando de navios menores, que além da logística reversa com fertilizantes, também levariam cargas fracionadas junto com o café. Podemos fazer ali o porto do Sul de Minas“, explica o relações institucionais do Porto Seco Sul de Minas, Igor Cândido de Oliveira – um dos responsáveis pelo projeto.

Segundo ele, a reativação da ferrovia já permitiria a redução de 20% a 30% nos custos das operações dessas empresas. Impacto que no longo prazo poderia chegar a 70%, a partir de negociações para o transbordo de outras cargas a granel. No entanto, o novo corredor logístico depende da reativação dos trechos ferroviários Varginha-Três Corações-Lavras (Shortline Sul de Minas) e Barra Mansa-Rio Claro-Angra (Shortline Sul Fluminense). Ambos fazem parte da Ferrovia Centro-Atlântica, administrada pela VLI, mas estão inoperantes e integram a lista dos trechos a serem devolvidos pela concessionária à União.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já determinou a reforma e modernização da Shortline Sul de Minas, que possui 130 quilômetros de extensão, para sua devolução, vislumbrando a disponibilidade de nova outorga para outro interessado em operar o trecho por meio de autorização. O governo do Estado, inclusive, já demonstrou disposição de alocar recursos para a modernização da ferrovia para padrões atuais de transporte de cargas. Já a Shortline Sul Fluminense, que tem 106 quilômetros, ainda tem futuro incerto.

Procurada, a VLI informou que estudos de demanda já realizados na região indicam que os trechos citados não apresentam demanda suficiente para justificar economicamente sua recuperação e operação. E que estes estudos estão sendo atualizados, conforme estabelecido pela ANTT, como parte natural do processo de renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica. A empresa disse ainda que é necessária a conclusão destes levantamentos para uma nova análise do potencial de cargas dos trechos.

Oliveira, por sua vez, argumenta que os estudos de demanda da VLI que justificaram a decisão de devolver os trechos não consideraram o café, principal produto da região Sul de Minas. E que uma vez liberados os trechos, a própria Porto Seco Sul de Minas assumiria as operações, por meio de autorização. “Os investimentos dependerão do cenário, mas estimamos algo em torno de R$ 20 bilhões, contemplando toda infraestrutura adequada para o transporte de cargas e a construção de terminais de embarque e desembarque que funcionaram como portos secos – em Três Corações, Lavras e Barra Mansa. Esse valor também incluiria a expansão da estrutura portuária e o projeto de trem de passageiros, que já possui estudos iniciais”, detalha.

Parceria – Já o prefeito de Varginha, Vérdi Melo (Avante), declarou que esse é um dos projetos mais importantes de Minas Gerais nos últimos anos. Um projeto que resgata o passado, promovendo o desenvolvimento futuro.

“A recuperação dessa rede ferroviária, que está totalmente abandonada durante anos, vai movimentar a economia e a empregabilidade não somente de Varginha, mas de Angra dos Reis e todas as cidades que estão no entorno do ramal. Um projeto que todos devemos unir e trabalhar para que saia do papel, fazendo com que Minas Gerais e Rio de Janeiro sejam dois estados parceiros rumo ao desenvolvimento”, disse, por nota.

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