Projeto prevê criação de corredor logístico entre Varginha e Angra

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Projeto prevê criação de corredor logístico entre Varginha e Angra
A reativação da ferrovia de Varginha a Angra dos Reis favorecerá as exportações | Crédito: Cleiton Borges

Exportadores e importadores do Sul de Minas Gerais esperam levar suas operações para o porto de Angra dos Reis (RJ) ainda neste exercício, mesmo antes de o projeto de reativação da ferrovia que liga Varginha à cidade do litoral fluminense sair do papel. O movimento pode ser o pontapé inicial para a criação de um novo corredor logístico na região, defendido pelo Porto Seco Sul de Minas e pelo Terminal Portuário de Angra dos Reis (Tpar), mediante investimentos da ordem de R$ 20 bilhões, e que promete redução de até 70% nos custos de operação do comércio exterior.

“Queremos iniciar as operações no porto independentemente da ferrovia. O acesso rodoviário não é simples, mas é viável e seria uma forma de comprovarmos a viabilidade do projeto, a partir da redução de custo às empresas, que já estão em negociação com o Tpar. Estamos falando de navios menores, que além da logística reversa com fertilizantes, também levariam cargas fracionadas junto com o café. Podemos fazer ali o porto do Sul de Minas“, explica o relações institucionais do Porto Seco Sul de Minas, Igor Cândido de Oliveira – um dos responsáveis pelo projeto.

Segundo ele, a reativação da ferrovia já permitiria a redução de 20% a 30% nos custos das operações dessas empresas. Impacto que no longo prazo poderia chegar a 70%, a partir de negociações para o transbordo de outras cargas a granel. No entanto, o novo corredor logístico depende da reativação dos trechos ferroviários Varginha-Três Corações-Lavras (Shortline Sul de Minas) e Barra Mansa-Rio Claro-Angra (Shortline Sul Fluminense). Ambos fazem parte da Ferrovia Centro-Atlântica, administrada pela VLI, mas estão inoperantes e integram a lista dos trechos a serem devolvidos pela concessionária à União.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já determinou a reforma e modernização da Shortline Sul de Minas, que possui 130 quilômetros de extensão, para sua devolução, vislumbrando a disponibilidade de nova outorga para outro interessado em operar o trecho por meio de autorização. O governo do Estado, inclusive, já demonstrou disposição de alocar recursos para a modernização da ferrovia para padrões atuais de transporte de cargas. Já a Shortline Sul Fluminense, que tem 106 quilômetros, ainda tem futuro incerto.

Procurada, a VLI informou que estudos de demanda já realizados na região indicam que os trechos citados não apresentam demanda suficiente para justificar economicamente sua recuperação e operação. E que estes estudos estão sendo atualizados, conforme estabelecido pela ANTT, como parte natural do processo de renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica. A empresa disse ainda que é necessária a conclusão destes levantamentos para uma nova análise do potencial de cargas dos trechos.

Oliveira, por sua vez, argumenta que os estudos de demanda da VLI que justificaram a decisão de devolver os trechos não consideraram o café, principal produto da região Sul de Minas. E que uma vez liberados os trechos, a própria Porto Seco Sul de Minas assumiria as operações, por meio de autorização. “Os investimentos dependerão do cenário, mas estimamos algo em torno de R$ 20 bilhões, contemplando toda infraestrutura adequada para o transporte de cargas e a construção de terminais de embarque e desembarque que funcionaram como portos secos – em Três Corações, Lavras e Barra Mansa. Esse valor também incluiria a expansão da estrutura portuária e o projeto de trem de passageiros, que já possui estudos iniciais”, detalha.

Parceria – Já o prefeito de Varginha, Vérdi Melo (Avante), declarou que esse é um dos projetos mais importantes de Minas Gerais nos últimos anos. Um projeto que resgata o passado, promovendo o desenvolvimento futuro.

“A recuperação dessa rede ferroviária, que está totalmente abandonada durante anos, vai movimentar a economia e a empregabilidade não somente de Varginha, mas de Angra dos Reis e todas as cidades que estão no entorno do ramal. Um projeto que todos devemos unir e trabalhar para que saia do papel, fazendo com que Minas Gerais e Rio de Janeiro sejam dois estados parceiros rumo ao desenvolvimento”, disse, por nota.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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