Publicação do edital de concessão do Rodoanel Metropolitano é adiada

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Publicação do edital de concessão do Rodoanel Metropolitano é adiada
A construção do Rodoanel Metropolitano visa desafogar o Anel Rodoviário de BH | Crédito: Alison J. Silva/Arquivo DC

Minas Gerais pode viver mais uma novela acerca de suas tão esperadas obras de infraestrutura. Não bastassem os anos esperando, por exemplo, a duplicação da BR-381, mais conhecida como Rodovia da Morte, e a modernização e ampliação do Anel Rodoviário, que constantemente registra acidentes gravíssimos e engarrafamentos diários, desta vez o atraso diz respeito ao edital do Rodoanel Metropolitano. Amplamente divulgado pelo governo do Estado, o projeto já passou pela etapa de audiências públicas, mas teve o lançamento do edital de concessão adiado devido ao grande volume de contribuições recebidas.

Sob orçamento de R$ 4,5 bilhões, a previsão da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) era divulgar o edital de concessão no início do segundo semestre. Porém, segundo o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, as mais de 650 sugestões recebidas serão revisadas e aprimoradas, de maneira a se adequarem aos padrões técnicos do projeto. Assim, a expectativa é que entre setembro e outubro o edital esteja na praça.

“O projeto tem total maturidade técnica, está dentro dos padrões legais, ficou em consulta pública por 100 dias, teve cinco audiências públicas (uma para cada alça, e uma última na B3). Ao todo, foram mais de 30 reuniões individuais com os interessados e agora iniciamos o processo de revisões das sugestões que vai demandar mais tempo, porque algumas destas contribuições não tinham a maturidade do nosso projeto”, explica.

A Pasta vai trabalhar nos ajustes propostos e a previsão é que esta etapa seja concluída até o fim do mês. A publicação do edital, por sua vez, deve ocorrer após trâmites jurídicos internos. Vale dizer que a aposta no Rodoanel Metropolitano é grande, uma vez que promete desafogar o trânsito no Anel Rodoviário de Belo Horizonte e consolidar-se como mais uma importante via de escoamento de Minas Gerais. A licitação deverá ocorrer no modelo de parceria público-privada (PPP).

E, apesar do atraso na publicação do edital, Marcato garante que o cronograma de obras não deverá ser impactado, uma vez que as obras de construção estavam previstas para começar apenas a partir de 2023 e serem finalizadas entre meados de 2025 e 2027, períodos em que será iniciada a cobrança de pedágio.

Em outra ocasião, o secretário explicou que por se tratar de obra construída do zero, à medida que as alças forem sendo liberadas, haverá a cobrança pela utilização, que ocorrerá no sistema proporcional ao uso – um modelo inédito no País.

“Será a primeira rodovia do País 100% no chamado sistema free-flow, de fluxo livre. Não vai haver praças de pedágio. A cobrança vai ser feita por meio de tags ou aplicativo. Ou seja, a primeira rodovia que os usuários pagarão pelo tanto que usarem. Trata-se de uma tendência, inclusive o governo federal e o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) vem tendendo implementar o modelo e o primeiro será no Rodoanel”, disse em entrevista coletiva para lançamento do projeto, em fevereiro.

Destaca-se ainda que dos R$ 4,5 bilhões previstos para as intervenções, R$ 3,5 bilhões serão provenientes do acordo de R$ 37,68 bilhões entre a Vale e o Estado assinado no início do ano para a reparação dos danos causados pelo rompimento da Barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O restante, R$ 1,5 bilhão, virá das tarifas cobradas pela vencedora da PPP, que será responsável pela implantação, operação e manutenção da rodovia. A concessão terá duração de 30 anos.

Conforme já publicado, são grandes as apostas do governo mineiro no projeto que, na prática, vai reduzir o fluxo no Anel Rodoviário que corta a capital mineira, com a premissa de que os caminhões que passam pela região não precisem transitar dentro de Belo Horizonte. A estimativa é de que quando a via estiver 100% concluída, 5 mil caminhões sejam retirados do Anel diariamente, reduzindo não apenas o número de acidentes, mas também o tempo de viagem tanto para veículos de carga quanto para automóveis em geral.

Segundo o governo de Minas, está prevista também a diminuição dos custos de carga e escoamento, gerando maior competitividade dos produtos mineiros, bem como um incremento de 7% a 13% no Produto Interno Bruto (PIB) da RMBH em 10 anos, e na produtividade de 0,8% a 1,3% no mesmo período. A via deve gerar 10 mil postos de trabalho durante a fase de construção.

Outros projetos de Minas Gerais

Enquanto isso, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) segue trabalhando ativamente no desenvolvimento dos demais projetos. Segundo o secretário, Fernando Marcato, o edital de concessão do Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, mais conhecido como Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, será publicado no próximo dia 28 de junho. Já o do Ginásio do Mineirinho está previsto para um mês depois: 28 de julho.

“O segundo semestre será marcado por nossa presença na Bolsa de Valores (B3). Ambos os projetos estão em fase de finalização e em breve estarão na praça”, afirma.

No caso do Aeroporto da Pampulha, o valor estimado do contrato de concessão é de R$ 1,053 bilhão para um período de 30 anos, para exploração, principalmente, de atividades voltadas para a aviação executiva. O critério de escolha será o de maior oferta, sendo que o valor mínimo da outorga é de R$ 15 milhões. A expectativa do governo de Minas é que, com a concessão, haja atração de novos negócios para a região, com ampliação de investimentos na infraestrutura aeroportuária. Além disso, espera-se que o aeroporto se torne o maior do país dedicado à aviação executiva.

Sobre o Mineirinho, o projeto viabilizará a realização de investimentos de, no mínimo, R$ 41 milhões nos dois primeiros anos, além da constante manutenção ao longo dos 30 anos de concessão, que ultrapassa a soma de R$ 132 milhões.

Entre as intervenções previstas estão a recuperação das estruturas em concreto (em especial a estrutura da quadra poliesportiva), revitalização da arena e recuperação dos alojamentos.

A gestão direta realizada pelo Estado, que é atualmente deficitária, economizará cerca de R$ 45 milhões aos cofres públicos ao longo dos dois primeiros anos da concessão. Além disso, espera-se benefícios sociais e culturais, como fortalecimento e ampliação das atividades esportivas, culturais e de lazer, geração de mais de 5,7 mil postos de trabalhos diretos e indiretos e a arrecadação de cerca de R$75 milhões em impostos.

Por fim, Marcato revela que no próximo dia 15 de junho terá início o prazo de consulta pública do Programa de Concessões Rodoviárias. A ideia, neste caso, é passar à iniciativa privada cerca de 3,2 mil quilômetros de rodovias mineiras. Para este projeto são estimados R$ 7 bilhões de investimentos e a geração de 30 mil empregos diretos. “Triângulo Mineiro e Sul de Minas iniciarão o processo de consulta pública”, conta.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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