Serviços têm queda pelo 3º mês seguido no Estado

15 de dezembro de 2021 às 0h29

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Ritmo do setor de serviços está acima dos patamares pré-pandemia | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

O setor de serviços em Minas Gerais apresentou, em outubro, um recuo de 1% em relação a setembro, na série com ajuste sazonal. Esta é a terceira queda consecutiva do índice. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A retração apurada em outubro não reverteu a tendência de crescimento do setor em Minas. Na comparação com igual período de 2020, o incremento atingiu 7,4%. Com isso, a alta acumulada nos primeiros dez meses deste ano, na comparação com igual intervalo do ano passado, alcançou 15%.  

Além disso, o volume de serviços em Minas Gerais já está 8,3% acima do nível de fevereiro de 2020, quando começou a pandemia da Covid-19. 

Segmentos 

De acordo com o IBGE, quatro das cinco atividades pesquisadas apresentaram crescimento em Minas Gerais em outubro na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.  O maior incremento foi registrado no serviços prestados às famílias, com alta de 19,8% no período.

Também apresentaram crescimento serviços profissionais, administrativos e complementares (17,6%), transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (4,9%), serviços de informação e comunicação (1,0%). 

A única retração apurada em outubro, ante igual intervalo de 2020, foi no segmento Outros serviços (-2,1%), como os prestados à agricultura.

No acumulado entre janeiro e outubro, por outro lado, o desempenho do segmento Outros serviços foi o mais positivo com uma alta de 36,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Todos os segmentos cresceram entre janeiro e outubro. Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio foi a segunda atividade que mais cresceu no acumulado do ano, com alta de 22,5% 

Expectativas

Analista do IBGE, Daniel Dutra aponta que as expectativas são positivas para o fechamento de 2021. “A tendência é que a gente consiga superar ainda mais o período pré-pandemia. O ano será positivo, a não ser que haja duas grandes quedas em novembro e dezembro, o que é pouco provável”, prevê o analista do IBGE em Minas.

Atividade tem segunda queda consecutiva no País

Rio e São Paulo – A atividade no setor de serviços – a de maior peso na economia brasileira – frustrou expectativas e contraiu na margem pelo segundo mês consecutivo em outubro, com dados de setembro sendo revisados para baixo, num combo que se soma a indicadores recentes apontando esfriamento da recuperação enquanto a inflação segue alta e as condições financeiras ficam mais restritas.

A retração de outubro foi a mais forte para o mês desde 2016 e a mais expressiva para qualquer mês desde março passado.

“O que se vê é uma devolução de crescimento de alguns setores nos últimos meses. Mas temos uma pressão inflacionária impactando alguns serviços, especialmente o setor de telecom”, disse o gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rodrigo Lobo.

“A redução da atividade econômica traz impacto nos serviços, e isso fica cada vez mais claro. Temos pelo segundo mês quatro dos cinco grupos em queda, e isso mostra uma perda de ritmo e um menos dinamismo”, completou, citando ainda uma elevada base de comparação e destacando o terceiro mês consecutivo no negativo da atividade no grupo profissionais, administrativos e complementares, bastante correlacionado à atividade econômica geral.

O volume dos serviços prestados no Brasil recuou 1,2% na passagem de setembro para outubro, acumulando retração de 1,9% considerando a queda de setembro, mostraram dados do IBGE ajustados sazonalmente.

Ante outubro de 2020, houve avanço de 7,5%, com crescimento em quatro das cinco atividades e oitava taxa positiva seguida.

Com o resultado negativo de outubro, o segmento reduziu a distância em relação ao patamar pré-pandemia – está agora 2,1% acima dessa linha, de 3,3% em setembro e 4,1% em agosto – e fica 9,3% abaixo do recorde alcançado em novembro de 2014.

A queda de setembro sobre agosto foi ajustada para 0,7%, de recuo de 0,6% divulgado anteriormente.

Quatro das cinco atividades investigadas recuaram no mês de outubro, com destaque para serviços de informação e comunicação (-1,6%), que apresentaram a segunda taxa negativa consecutiva, acumulando retração de 2,5% no período.

“O segmento que mostrou o principal impacto negativo foi o de telecomunicações. Essa queda é explicada pelo reajuste nas tarifas de telefonia fixa, que avançaram 7,33% nesse mês. Essa pressão vinda dos preços, acabou impactando o indicador de volume do subsetor”, disse o gerente da pesquisa dos serviços.

A inflação se manteve como vilã também ao explicar parte da queda no serviço de transporte aéreo de passageiros, segundo Lobo, em queda por dois meses consecutivos após aumento dos preços dos tíquetes.

Segundo ele, dos cinco setores de atividade pesquisados, apenas informação e comunicação (+7,9%) e transportes (+4,7%) operam em patamar acima de fevereiro de 2020, a base de comparação para pré-pandemia.

Mesmo os serviços prestados às famílias – destaque positivo em outubro com alta de 2,7% sobre setembro, na sétima alta consecutiva – ainda estão 13% abaixo dos níveis de logo antes da pandemia.

As famílias sentem os efeitos do crédito mais caro, conforme o Banco Central segue com seu agressivo processo de aperto monetário que deve levar o juro básico a mais de 10% no ano que vem, num vento contrário ao setor de serviços e à economia em geral. (Reuters)

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