Setor de cervejas artesanais enfrenta desafios com custos atrelados ao dólar

30 de março de 2022 às 0h29

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Temporada de jogos da Copa deve contribuir para elevar a receita dos bares em cerca de 30% | Crédito: Pxhere

O setor de cerveja artesanal, que chegou a crescer 18% ao ano antes da pandemia, vive momentos bem amargos. “Todos os nossos insumos têm seus preços indexados ao dólar, que teve um aumento de 25% do último trimestre de 2021 até o início de 2022. Em compensação, a queda da moeda americana ainda não chegou para nós”, lamenta o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas em Geral de Minas Gerais (Sindbebidas), Marco Falcone.

Ele se refere à cevada, que vem da Áustria e da Alemanha e é transformada em malte no Brasil; ao lúpulo, do qual o Brasil produz apenas 2% da demanda; e à levedura, o agente que é importado de laboratórios americanos. “O único insumo que não é dolarizado é a água”, brinca o cervejeiro.

As cervejarias também estão enfrentando aumento de custos na logística, com a disparada dos preços de diesel e gasolina, além do gás que alimenta as caldeiras. Para piorar a ressaca, o setor ainda sofre os efeitos da pandemia, quando o delivery não compensou o fechamento dos pontos de venda, o que provocou o encerramento de atividades de pelo menos 15% das cervejarias.

“As garrafas estão em falta até hoje e os preços sobem de uma maneira cruel para as cervejarias”, revela Falcone. Ele acredita que será muito difícil o setor absorver a inflação, o aumento dos insumos e dos combustíveis, que já provocaram uma defasagem de pelo menos 25% nos preços.

“Se fosse ter um aumento para compensar, teria que ser dos mesmos 25%. Estamos conseguindo algo em torno de 15%, pouco para fazer face às perdas. Quem tinha capital acumulado vai resistir, mas a duras penas, e eu temo o fechamento de outras cervejarias, que não estão suportando os custos”, revela Falcone, que é também presidente Federação Brasileira de Cervejarias Artesanais (Febracerva), entidade que representa 89 empresas cervejeiras.

Mas “esperança” é a palavra de ordem no setor. “Temos a crença que a volta dos bares vai proporcionar a retomada. Tudo vai depender dos próximos seis meses e se essa queda do dólar vai chegar até nós”, aguarda Falcone, para um setor que, segundo ele, era um dos mais promissores no País e, em especial, de Minas Gerais.

Mercado mineiro

Segundo o dirigente, Minas é o terceiro mercado e o terceiro maior produtor de cerveja artesanal no País, mas é o primeiro em termos de valor agregado ao produto. “A cerveja aqui é mais cara, porque o mineiro é consciente do valor do produto”, finaliza.

Um mercado que seduziu André Horta, sócio da Cervejaria 040, que produz 40 mil litros de cerveja por mês no Jardim Canadá, em Nova Lima. Ele é um dos poucos cervejeiros que compra malte do Leste europeu e, diante do conflito entre Rússia e Ucrânia, viu mais um preço subir.

O empresário aponta o aumento nas contas de luz como mais um fator que está dificultando a vida dos empresários do setor. “Hoje o CO2, que a gente usa na carbonatação da cerveja, subiu 50%.  Não é um insumo tão representativo, mas tem custo alto”, adiciona Horta. 

“Todas as matérias-primas da cerveja aumentaram de preço nesses 90 dias e não param. Fizemos um reajuste de 10% e não sei por quanto tempo poderemos segurar. Nenhuma cervejaria tem estoques de longo prazo de qualquer tipo de insumo. Com todos eles aumentando, fatalmente estes custos serão repassados ao cliente”, conclui Horta.  

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