Setor de joias estima um crescimento de 40% neste ano

6 de agosto de 2022 às 0h28

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Crédito: Codemge/Divulgação

A indústria de joias em Minas Gerais comemora um primeiro semestre positivo tanto nas vendas internas quanto nas exportações. O novo presidente do  Sindicato das Indústrias de Joalherias, Ourivesarias, Lapidações e Obras de Pedras Preciosas, Relojoarias, Folheados de Metais Preciosos e Bijuterias no Estado de Minas Gerais (Sindijoias-MG), Raymundo Vianna, calcula que a atividade teve um crescimento de 20% nos primeiros seis meses do ano, quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Segundo o dirigente, a tendência é melhorar e a perspectiva do setor é vender em 2022 pelo menos 40% a mais do que em 2021, superando os níveis pré-pandemia. “Os negócios voltaram; com as lojas e os shoppings abrindo e os eventos incentivando a compra de joias, o mercado aqueceu e as coisas estão chegando no lugar”, comemora Vianna, que assumiu a presidência do sindicato em julho.

 “Com o governo colocando mais dinheiro no mercado através dos auxílios e adiantamentos, está entrando dinheiro no mercado e há sem dúvida nenhuma um aquecimento da economia”, acrescenta.

Viana salienta que o setor foi muito prejudicado durante a pandemia, tanto é que 30% das lojas de shopping fecharam de vez. Naquele período, o comércio do setor tentou manter as vendas de forma on-line, por catálogos virtuais, o que, segundo ele, não funciona no caso das joias.

 “O comprador não se entusiasma só pela foto, as pessoas têm que ver de perto, pegar na joia, ver como ela fica no pescoço, nos dedos. O corpo a corpo é muito comum no nosso negócio, então temos muitos vendedores externos”, relata o presidente do Sindijoias.

Vianna afirma que o setor em Minas Gerais está se reinventando para não perder mercado | Crédito: Divulgação / Sindijoias

Ouro em alta

Viana destaca que o segmento já vem trabalhando para se adaptar à alta do ouro, que foi expressiva: em torno de 50% nos últimos três anos. “Estamos nos reinventando para não perder mercado. Assim, nosso design desenvolve joias com menos ouro e mais pedras, afinal Minas Gerais é a maior potência gemológica do mundo, com fartura de gemas de todos os tipos e cores”, aponta.

Apesar do mercado utilizar como argumento de vendas o fato de que o ouro não perde valor, Vianna sustenta que joias não são adquiridas como investimento. “O que agrega valor ao produto é o fator emocional, afinal joia ainda é o maior objeto de desejo. Como vantagem adicional, há o fato de que ela se valoriza com o tempo e você pode derretê-la ou penhorá-la para fazer dinheiro, sem grandes burocracias”, revela.

A alta do dólar se reflete no preço do ouro e, consequentemente no das joias, já que 70% do metal puro são comercializados no mundo desta forma. O câmbio, naturalmente, é um fator positivo para a indústria de joias, já que incentiva as importações.

“Nosso produto ficou mais barato lá fora, o que nos deu condições de concorrer com a China, que é o maior produtor de joias do mundo. Temos produtos que valorizaram 300%”, observa Vianna, destacando que a produção chinesa é altamente industrializada, enquanto a brasileira é mais artesanal e ganha mercado graças ao design.

Comércio exterior

Esta alta já se reflete no aumento das exportações. A indústria de joias em Minas exportou no ano passado pouco mais de US$ 1 milhão. Em 2022, até junho, este valor já está em US$ 591 mil. Quando se computa também as exportações de gemas, essa receita aumenta para US$ 51 milhões, segundo a plataforma Comex Stat, do Ministério  da Economia.

“Minas Gerais é um polo importante na produção e venda de joias e gemas. No caso da extração e operação de esmeraldas, por exemplo, tudo de importante está em Minas. Mas é o terceiro produtor brasileiro de joias, depois de São Paulo e Rio Grande do Sul”, aponta a analista de projetos de exportação do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), Carolina Lucena.

A indústria brasileira de joias tem 904 empresas com CNAE específico da atividade, 74 delas em Minas. Outras 98 empresas registradas em Minas são de bijuterias e folheados.  No entanto, o Sindijoias MG reúne 165 empresas do setor, o que não quer dizer que lá estão todas as empresas do setor no estado.

 “Muitas empresas se filiam para poder participar do Minas Trend, que é o maior evento de moda ligado a acessórios do País. Nele, as joias transitam junto a outros segmentos de moda, o que acaba atraindo empresas de outros estados”, explica a analista do IBGM. 

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