Shoppings de BH enfrentam crise com 300 lojas fechadas

12 de junho de 2021 às 0h30

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O número de lojas extintas já corresponde a um centro de compras inteiro na Capital | Crédito: Divulgação

Belo Horizonte pode ter perdido o equivalente a um shopping center inteiro devido ao fechamento de lojas nestes estabelecimentos. O alerta é do superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (AloShopping), Alexandre Dollabela. Ele explica que, após o período de isolamento social, em cada um dos centros de compras da capital mineira, 10% a  15% das lojas foram fechadas.

“Se somarmos todas as lojas, teremos 300 fechadas, teremos um número equivalente  a um shopping center inteiro”, afirmou. A principal justificativa para este cenário, segundo Dollabela, é o desequilíbrio provocado pela queda nas vendas em meio aos reajustes do preço dos aluguéis, que, tradicionalmente, têm como base a variação do Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM).

”Teve lojista que pagou um reajuste de  aluguel da ordem de  37,6% no mês passado.”, afirmou. Ainda conforme o superintendente da AloShopping, o correto seria reajustar os aluguéis pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no País. “O IPCA acumulado hoje é de 8,06% Seria o justo a ser cobrado”, avaliou.

Por contrato, ainda de acordo com Dollabela, o valor do aluguel das lojas nos shoppings da Capital tem como base não só o espaço ocupado pelo lojista. Está incluso neste valor serviços como  oferta de  atrações, como os cinemas,  a praça de alimentação e os gastos com marketing, investidos em  eventos promovidos em datas como as  férias escolares e o Natal, por exemplo. 

“Os cinemas estão fechados. Os shoppings não podem promover eventos que causem aglomeração. Por isso é injusto que o reajuste seja  pelo IGPM.  Estamos pagando por serviços que não estamos recebendo”, afirmou.

A AloShopping, que presta consultoria jurídica aos lojistas, está aconselhando alguns a entrarem com ações judiciais contra o aumento dos aluguéis. “Quem está buscando a Justiça está sendo contemplado. As ações estão sendo movidas individualmente, uma vez que cada loja paga um valor diferente”, afirmou.

Crise e oportunidade

Dono da rede “Sonho Perfeito”, que vende roupas de cama, mesa e banho, o empresário Marcio Pasch fechou uma unidade no Shopping Del Rey e outra no Minas Shopping. O motivo, segundo explicou, foi o alto custo do aluguel e do condomínio, que, somados à queda do faturamento, inviabilizaram o negócio.  

“Fiquei 27 anos em shopping. Não volto nunca mais. Demiti 14 funcionários. Tenho outras sete outras lojas em vários bairros da cidade. Embora as pessoas estejam comprando mais produtos para casa, com elas consigo sobreviver”, afirmou. 

Já a  Equipage, marca de calçados, bolsas e acessórios presente no mercado de moda há 40 anos em Belo Horizonte, foi uma das empresas a fechar uma loja recentemente aberta, já no início da pandemia.

“Fechamos no dia 30 de março. Minha mãe, Cláudia Mourão, teve visão empresarial suficiente para perceber que a epidemia seria longa e que não seria ideal, e que seria melhor investirmos nas lojas mais antigas”, disse a sócia do empreendimento, Mariana Mourão. 

Segundo a empresária, a Equipage investiu em treinamento de consultoras que tentam transmitir aos clientes atendidos via e-commerce, a sensação que teriam ao tocar presencialmente, nos produtos vendidos à distância.

“Prestamos consultoria, explicamos com quais roupas uma determinada bolsa vai combinar. Sabemos que o WhatsApp é uma mídia mais íntima, respeitamos a privacidade das compradoras.

Abrasce alega que operadoras deixaram de arrecadar R$ 6 bilhões

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce)  representante do setor em todo o País, reforçou que, desde o início da pandemia, o setor sempre esteve aberto ao diálogo, buscando entender a realidade dos lojistas. Em ordem de grandeza, as administradoras de shopping centers já abstiveram de arrecadar mais de R$ 6 bilhões em adiamento e suspensão de despesas aos lojistas considerando aluguéis, condomínios e fundos de promoção. Os empreendedores e administradores de shoppings seguem comprometidos com seus lojistas, em conversas e apoio constantes para que toda a cadeia se mantenha sustentável.

Parceria com o Sebrae e a  B2W pode ajudar lojistas de shopping

Na segunda-feira (15), os lojistas associados ao AloShopping vão ganhar um aliado na luta para aumentar as vendas. Em parceria com o Sebrae, eles vão se reunir, virtualmente,  com representantes da B2W, gigante do e-commerce responsável pela Americanas.com, Submarino, entre outras.

De acordo com o analista técnico do Sebrae Minas, Jonas Bovolenta, a epidemia desencadeou um boom das vendas on-line. Embora os empresários que já tinham posicionamento social, investindo em e-commerce tenham, em geral, tido melhores resultados que os que não se utilizavam desta estratégia. A vantagem de se investir em marketplace, para Bovolenta, é o fato de que a B2W funciona como um shopping virtual, agregando inúmeras lojas e marcas de diferentes segmentos. 

Além disso, o Sebrae, segundo o analista, também deve oferecer aos lojistas participantes dessa iniciativa, orientação de como  precificar as mercadorias vendidas nesta plataforma, a gestão de estoque e  o desenvolvimento de estratégias de venda. 

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