Startup resgata alimentos e fomenta economia responsável

Operando em BH há seis meses, Food To Save evita desperdício de comida em restaurantes, lanchonetes e outros varejos

7 de fevereiro de 2024 às 5h12

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Consumidor escolhe sacola e opta por retirar no local ou pedir entrega, que também é cobrada | Crédito: Juan Rosa e Larissa Worms/Estúdio Nômade

Ser responsável ambiental e socialmente quer dizer também evitar o desperdício, especialmente de comida. Com esse intuito, a startup Food To Save surgiu em 2021. A ideia era evitar o descarte de excedentes de produção em restaurantes, lanchonetes, supermercados e outros varejos que vendem alimento, fazendo o que ficou conhecido como resgate de sacolas.

Atuando em Belo Horizonte há seis meses, a plataforma já fez o resgate de cerca de 300 toneladas de alimentos. De acordo com o CMO e cofundador da Food To Save, Murilo Ambrogi, das seis capitais onde atua, a mineira foi onde o negócio tracionou mais rápido.

“Claro que em volume o primeiro é São Paulo porque foi onde começamos e pelo tamanho da cidade. Mas Belo Horizonte foi onde a ideia pegou mais rápido. Já existia um ambiente favorável. Alguns parceiros já conheciam a iniciativa porque são redes nacionais, mas percebemos algo há mais, uma pré-disposição, uma vontade de fazer”, explica Ambrogi.

A ideia do negócio é simples: produtos que foram produzidos a mais e estão em perfeito estado, mas que não podem mais esperar para serem vendidos, são disponibilizados em sacolas-surpresa. Essas sacolas são ofertadas na plataforma com descontos médios de 70%. O consumidor escolhe a sacola e, na maioria dos casos, pode optar por retirar no local ou pedir a entrega que também é cobrada. Atualmente, 80% das sacolas de alimentos oferecidas são resgatadas.

Ainda este ano, duas novas cidades mineiras devem integrar a plataforma. A primeira delas é Uberlândia, no Triângulo Mineiro, mas as datas e o nome da segunda cidade não foram divulgados.

Resgate de alimentos está de acordo com ações da ONU

A iniciativa está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 12: Consumo e Produção Responsáveis, preconizados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os ODS são parte da chamada Agenda 2030 – um pacto global assinado durante a Cúpula das Nações Unidas, em 2015, com foco em superar os principais desafios de desenvolvimento em todo o mundo até o ano de 2030.

Crédito: Adobe Stock

No Brasil, o desperdício de alimentos é alarmante. O País, reconhecido recentemente como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, é também é um dos países com o maior índice de desperdício. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% dos alimentos produzidos no Brasil acabam sendo jogados fora, o equivalente a cerca de 46 milhões de toneladas de alimentos por ano.

Isso representa uma perda significativa tanto em termos econômicos, já que o desperdício de alimentos no Brasil é estimado em R$ 61,3 bilhões por ano. E assim, o Brasil ocupa a nada honrosa 10ª posição no ranking de países que mais desperdiçam comida, segundo dados da ONU.

“Vivemos numa sociedade de consumo desenfreado e, por isso, a gente só quer coisas novas e perfeitas. A Food To Save surgiu durante a pandemia, quando havia uma grande imprevisibilidade. Entendemos a necessidade de criar uma solução. Não faz sentido desperdiçarmos tanto com tanta gente com fome. Não são sobras nem restos. São produtos bons e aptos para o consumo. Hoje, oito em cada dez famílias assumem desperdiçar alimentos todos os dias. Somos transparentes em mostrar esse cenário crítico. As soluções até aqui são ações sociais, mas elas não tem volume e rapidez para dar vazão à quantidade de alimentos disponível. A sacola-surpresa tem um papel provocativo ao mandar um alimento que a pessoa não consome normalmente, permitindo a criação de novas receitas, experimentação de novos produtos”, pontua.

Os parceiros podem procurar a plataforma ou ser prospectados pela equipe da Food To Save. Todos passam por treinamento e são avaliados antes de fazerem parte da iniciativa e ao longo da permanência. Esse cuidado é para evitar o famoso greenwashing, quando empresas fazem um discurso sustentável que não colocam em prática.

“Essa é uma grande preocupação nossa. Esse é um jogo em que todos ganham, mas não podemos correr o risco de nenhum tipo de fraude. Já descredenciamos parceiros por falta de transparência, por tentar iludir o consumidor. Mais do que o resultado em volume, queremos levar consciência ao máximo de pessoas que pudermos”, completa o cofundador da Food To Save.

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