Transportadoras acumulam cargas em aeroportos e temem danos

Greve de fiscais afeta envio de mercadorias e atrasa também serviços de entrega rápida

2 de fevereiro de 2024 às 9h46

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Crédito: Adobe Stock

São Paulo- Empresas de remessas expressas que utilizam os principais aeroportos de São Paulo afirmam que suas cargas estão acumuladas nos terminais por causa da paralisação dos fiscais da Receita que interrompeu a liberação das encomendas na semana passada.

A estimativa da Abraec (associação do setor) é que mais de 280 toneladas de cargas estejam paradas nos armazéns da Receita nos aeroportos de Guarulhos, Grande São Paulo, e Viracopos, em Campinas (SP).
Gigantes do setor, como DHL e UPS, dizem temer danos nas mercadorias em decorrência de chuva, por exemplo.

“Nossos galpões ficam abarrotados, e os contêineres passam a ser armazenados do lado de fora. Se der uma grande chuva e bater na carga que não podia molhar, a gente perde um contêiner inteiro”, afirma Alan Falbo, responsável pelos processos formais de importação, exportação e aduanas na DHL Express.

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As empresas afirmam também que, com o armazém cheio, não será mais possível acomodar novas cargas que chegam aos aeroportos. Procurada pela reportagem, a Receita Federal disse que não comentaria o assunto.

Segundo Carlos Murilo Silva, do FedEx, a atual situação nos terminais de carga em São Paulo pode, futuramente, afetar a operação dos voos e prejudicar a exportação de pequenas e médias empresas, principalmente.

“Nós não temos mais espaço para armazenar essas cargas, esse é o nosso desespero. Eu não posso pegar um contêiner e movê-lo para outro local, tem de ficar lá. Vai inflar tanto o espaço com carga que vai ter de começar a cortar voo”, diz.

Em resposta à reportagem, a GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto de Guarulhos, disse que até o momento não registrou impacto na operação, e possui um protocolo predefinido para atuação em eventual necessidade.

A concessionária afirma que, no último trimestre de 2023, foram movimentadas, em média, 11 mil toneladas de cargas por mês em importação e 14,2 mil toneladas por mês em exportação.

O aeroporto de Viracopos não respondeu.

Sandra Simões, da UPS, afirma que a demora na liberação das cargas prejudica o modelo de negócio expresso, no qual o cliente paga maior taxa e tributação para que o produto chegue mais rápido.

“O nosso negócio está sendo extremamente prejudicado. A gente vende prazo. Na semana de 22 a 26 de janeiro, foram retidos 100% dos volumes. A gente está falando de transportadoras de grande porte que liberam, em média, por dia, mais de 10 mil pacotes.”

Da segunda-feira à sexta-feira da última semana, fiscais da Receita suspenderam o desembaraço de cargas em portos, aeroportos e outras unidades aduaneiras do país. O desembaraço é feito por auditores da Receita para verificar se a carga está apta para entrar ou deixar o país.

Segundo o Sindifisco (sindicato da categoria), durante o período, foram feitas liberações apenas de cargas perecíveis, vivas, perigosas, medicamentos e alimentos. Todo o restante ficou retido.

Os auditores cobram do governo federal a garantia do pagamento do bônus acordado em 2016. Além do salário, os fiscais receberiam a gratificação, que dependeria do cumprimento de metas.

O acordo deu origem à lei 13.464, que foi regulamentada em junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O Sindifisco reclama, porém, que o governo destinou, na previsão orçamentária, somente R$ 700 milhões para o cumprimento da lei — recurso insuficiente para o pagamento do bônus, segundo a entidade.

De acordo com o sindicato, em uma reunião com o Ministério da Fazenda nesta quinta-feira (1º), foi apresentada uma nova proposta para a categoria que será discutida em assembleia na próxima semana.

“Uma das principais demandas contempladas é a impossibilidade de o comitê gestor determinar o não pagamento da remuneração variável, mesmo quando as metas forem atingidas. Caso a categoria vote a favor da oferta, pode terminar a greve que já ocorre há mais de dois meses, além de ações de mobilização que duram cerca de dois anos”, diz o sindicato, em nota. (Paulo Ricardo Martins)

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