Triângulo e Sul de Minas disputam nova fábrica da Heineken

8 de abril de 2022 às 0h29

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Inicialmente, cervejaria iria se instalar em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de BH | Crédito: Divulgação

Segue o mistério sobre a cidade mineira que irá receber a nova fábrica da Heineken. Especulações dão conta de que Uberaba e Uberlândia (Triângulo) e Passos (Sul de Minas) estão no páreo depois de a cervejaria fazer uma minuciosa seleção entre os mais de 200 municípios que se candidataram a receber a planta.

O aporte bilionário, ainda sem destino confirmado pela multinacional, teria virado uma batalha política dentro do Estado, envolvendo o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD), e o governador Romeu Zema (Novo). A expectativa é que a empresa bata o martelo ainda neste mês.

Tudo começou com a desistência da Heineken por instalar um centro de produção em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), no fim do ano passado, após problemas ambientais. As obras chegaram a ser embargadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Mesmo conseguindo resolver o imbróglio na Justiça, a cervejaria suspendeu o projeto, mas garantiu a permanência em Minas Gerais.

Já no início de 2022, centenas de cidades mineiras se candidataram a ser o novo destino da cervejaria. Nem a própria empresa esperava tamanho engajamento. Até o fim do ano passado, quase 230 cidades mineiras se disponibilizaram, oferecendo terreno e outros atributos. Além disso, três estados também chegaram a assediar a companhia, tentando atrair o aporte anunciado para Minas Gerais.

Interlocutores das negociações chegaram a revelar à reportagem que alguns não atendiam a critérios básicos para receber uma indústria deste porte e que, aos poucos, a lista foi sendo reduzida até chegar a cerca de dez municípios localizados na RMBH e no Triângulo Mineiro. O Sul de Minas, com Passos, também teria surgido entre as opções, após uma mudança técnica no projeto.

“Inicialmente, eles não tinham projeto para trabalhar com perfuração de poço, mas parece que isso mudou, e Passos entrou na jogada, em que pese a crise hídrica na cidade”, disse uma fonte que pediu para ser mantida em sigilo.

Outra pessoa próxima às negociações revelou que a opção por Passos veio também por intermédio do senador Rodrigo Pacheco. Apesar de ter nascido em Porto Velho (RO), o político passou a infância e parte da juventude na cidade do Sul de Minas e sempre externou o carinho pela região.

Nos últimos dias, jornais locais chegaram a cravar a informação de que a multinacional tinha mesmo optado por Passos e que faria o anúncio nesta semana – o que até esta quinta-feira (7) não havia ocorrido. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação da Prefeitura de Uberaba, Rui Ramos, em entrevista à Rádio JM, afirmou que o município do Triângulo seguia no páreo.

“Falei com um diretor que me assegurou que a decisão ainda não foi tomada e a previsão para conclusão sairá dentro de 15 a 20 dias”, disse. Ramos revelou também que o executivo uberabense vem conversando com a Heineken há vários meses. “Já foram mais de 30 reuniões e eles selecionaram seis áreas na cidade, tendo assinado um pré-contrato de compra e venda com os proprietários de uma delas. As informações da própria cervejaria são de que, na seleção final, ficaram três municípios e que Uberaba é um deles”, completou.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO solicitou entrevista com o secretário para dar continuidade ao assunto, mas a assessoria de imprensa informou que o mesmo não tinha agenda disponível.

Já membros do governo estadual explicaram que a prática de avaliar áreas e assinar pré-contratos é comum. “Chama-se contrato de opção de compra. Na verdade, é como fazer uma reserva e dura em torno de 6 a 9 meses. O tempo necessário para as empresas fazerem os licenciamentos e análises. Não é uma garantia de compra. É possível que a empresa esteja fazendo isso diretamente ou por terceiros em vários lugares”, explicou um deles.

Governador prefere Heineken em Uberaba

Já uma pessoa inteirada sobre as negociações em Uberlândia avaliou os últimos acontecimentos como tendenciosos, e lembrou que o próprio governador Romeu Zema (Novo) disse, em fevereiro à mesma rádio, ser favorável à instalação da fábrica da Heineken em Uberaba. O chefe do Executivo estadual disse ter um carinho pela cidade. 

“Se depender de mim, que seja Uberaba. A Heineken está analisando muitas cidades e ainda bem que todas são em Minas. Mas eu tenho um carinho especial por Uberaba. Tenho feito de tudo, mas vale lembrar que essa decisão final é da empresa. Ela fez pesquisas. Uberaba está muito bem posicionada”, afirmou em entrevista também à rádio JM.

Vale dizer que a cidade já tem tradição na produção de cervejas. O município abriga a maior e mais moderna planta do grupo Grupo Petrópolis, que produz rótulos como Itaipava, Petra, Lokal, Crystal e Black Princess.

Procurada, a Heineken repetiu o comunicado que tem enviado à imprensa nos últimos meses: “O Grupo Heineken reafirma seu compromisso com o Estado de Minas Gerais e, tão logo seja definido, anunciará o novo local em que será instalada sua cervejaria”.

E, enquanto o anúncio oficial não sai, é preciso lembrar o que disse um interlocutor do negócio em janeiro: “Antes de decidir por Pedro Leopoldo, a Heineken também havia analisado outras localidades, e a primeira medida da empresa foi retomar a análise desses municípios. Mas, além de alguns deles nem terem mais áreas disponíveis, a escolha passou a ser mais criteriosa. A equipe nacional não pode errar outra vez; a matriz está acompanhando de perto”, revelou.

Agora, além dos critérios já antes estabelecidos, como uma área de 1,5 milhão de metros quadrados em topografia adequada, volume considerável de água, e logística adequada, questões ambientais também serão primordiais. Sem contar a “corrida contra o tempo”. É que o grupo contava com a produção da fábrica mineira para atender a demanda crescente do mercado consumidor brasileiro já a partir do ano que vem. “Que nada… eles têm tempo. Ainda mais por se tratar de ano de eleição…”, alertou uma das fontes.

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