Vacinação lenta contra Covid-19 em BH afeta comércio e serviços

30 de junho de 2021 às 0h28

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A distribuição de vacinas provocou um impasse entre o governo de Minas e a PBH | Crédito: Fábio Marchetto

Mesmo com o avanço da vacinação de pessoas sem comorbidades em Belo Horizonte, a imunização na capital de Minas ainda não está no ritmo ideal.

Enquanto São Luís (MA) segue entre as capitais em primeiro lugar de imunização por idade, vacinando pessoas acima de 18 anos, Belo Horizonte está na faixa etária dos cidadãos acima de 50 anos. No ranking da vacinação por faixa etária, a cidade mineira está à frente apenas de Palmas (TO), que anunciou, há pouco, vacinas para a faixa etária dos 53 anos.

Em Belo Horizonte, a vacinação por faixa etária ficou paralisada por 21 dias, sendo retomada no último dia 22 de junho.

Segundo o diretor de promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Paulo Roberto Lopes Corrêa, a paralisação foi necessária devido à falta de vacinas.

“Seguimos as regras de vacinação do Ministério da Saúde dos grupos prioritários. Agora, estamos abrindo para os grupos sem comorbidades, grávidas e puérperas. O problema é que nesse primeiro momento, não tivemos doses suficientes”, explica.

Questões como o quantitativo de doses disponibilizadas pelo governo do Estado para a Prefeitura de Belo Horizonte chegaram a ser uma das justificativas para o atraso na imunização da população da capital. Um impasse que já está em resolução entre Estado e município.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que “Belo Horizonte vem recebendo as vacinas como é estabelecido pelo Ministério da Saúde, e que na 23º remessa, o município recebeu doses da Pfizer, o que os demais municípios de Minas não haviam recebido, precisou reequilibrar a distribuição nas próximas remessas. Mas que agora, a partir da 25º remessa havia voltado à normalidade”.

A expectativa do Governo de Minas é de que toda a população do Estado seja imunizada, pelo menos, com a primeira dose, até outubro deste ano.

No ranking dos Estados que mais vacinaram, até o momento, Minas Gerais ocupa o sexto lugar com 12,55% da população mineira imunizada com as duas doses da vacina.

Atualização em tempo: BH iniciou nesta quarta (30) a vacinação para o público de 50+ | Crédito: Gabriela Sales – Arte: Ana Carolina

A lentidão da vacinação na capital pode causar mais impactos econômicos?

Para os setores de comércio e serviços, essa lentidão já causa reflexos negativos.

Conforme informações do presidente da Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Frank Sinatra Chaves, o início da pandemia no setor de comércio e serviço foi um dos mais prejudicados economicamente.

“Amargamos um prejuízo diário no faturamento que pode chegar a R$ 462 milhões. Mesmo com a reabertura do comércio, seguindo todos os protocolos de segurança, ainda estamos muito aquém de nossa potencialidade econômica, pois vivemos em um clima de incertezas sobre quando a pandemia chegará ao fim”, detalha.

Para Frank Sinatra, enquanto toda a população, principalmente da capital, onde é o termômetro dos negócios do Estado, não estiver imunizada, a economia também não ganhará ritmo.

“Com algumas medidas de auxílio do governo, temos galgado pequenas vitórias, que nos garantem certa sobrevivência. Mas, a real retomada do setor de comércio e serviços ainda está muito atrelada ao avanço da vacinação, pois ela é sinônimo de confiança. E, é disso que estamos precisando. A imunização da população significa um nível menor de incertezas com relação ao futuro”, reforça.

O presidente da Associação de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Matheus Daniel, avalia que os impactos são devastadores para a economia da capital mineira. Para ele, a agilidade na vacinação é fundamental para que o setor de comércio e serviço supere a crise.

“Problemas políticos em qualquer esfera, seja federal, estadual ou municipal, não podem ficar acima da saúde da população. Nosso posicionamento é esse. A demora da vacina está impactando na economia da cidade, isso é grave, principalmente por a gente ser a capital mais atrasada e a gente sabe que somente com a imunização de todos é que podemos alavancar a economia não só da capital, mas do Estado todo”, avalia.

Esse atraso na vacinação causa incerteza dos agentes econômicos, familiares, investidores e empresariais. É o que aponta o economista-chefe Guilherme Almeida, da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG).

Para o economista, essa incerteza atinge dois fatores fundamentais: o crescimento produtivo e o consumo familiar. “Enquanto perdurar essa incerteza, de quando a rotina retornará, os investimentos serão postergados e a tendência é de que as famílias adotem uma postura mais cautelosa. Tudo isso atrasa o processo de recuperação da atividade econômica”, explica.

A falta de diálogo entre os governos Federal, Estadual e Municipal, além da ausência de uma organização e planejamento efetivo são alguns dos fatores apontados pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) pela falta de agilidade na imunização da população. Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, faltou acompanhamento da gestão dos três poderes.

“O erro já vem de cima, que não dá exemplo para a população. Depois veio a demora na compra e distribuição das vacinas. Acho que o Estado deveria ter dialogado mais com o município, com as empresas que poderiam ajudar com logística, ajuda de mão de obra ou até mesmo estrutura. E sempre houve interesse do setor privado em ajudar, mas nunca foi ouvido. Isso também prejudica na agilidade na imunização. E o que temos de resultado é uma economia totalmente fragilizada e incertezas para o futuro”, opina.

Confins já está na faixa de 30 anos

Confins é a cidade, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com o processo de vacinação mais avançado. O município, de 6.800 habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está imunizando pessoas sem comorbidade com faixa etária a partir de 30 anos. 

Segundo a Prefeitura de Confins, até o dia 8 de junho, a Secretaria Municipal de Saúde conseguiu completar a imunização de pessoas com comorbidades, trabalhadores em saúde, idosos e da rede de educação do município. 

Após cumprir o quadro de prioridades, abriu a vacinação para os funcionários do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins). De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, foram quatro dias de campanha, a qual foi encerrada no dia 11 de junho. 

A secretaria informou ainda que “com a sobra das doses, a cidade conseguiu avançar com a vacinação e se distanciou no ranking da imunização dos municípios vizinhos”.  Ainda conforme informações da Secretaria Municipal de Saúde, Confins vinha recebendo do governo de Minas cerca de 200 a 300 doses de vacina a cada remessa enviada.

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