Vale da Eletrônica amarga prejuízos com falta de insumos

Além da menor oferta, algumas matérias-primas são negociadas com valores seis vezes maiores que antes da pandemia

11 de janeiro de 2022 às 0h29

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Indústrias do Vale da Eletrônica já acumulam prejuízos | Crédito: DIVULGAÇÃO / SINDVEL

A falta de insumos ao longo de 2021, principalmente de componentes eletrônicos, impactou fortemente na produção das empresas do Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas. A estimativa é de que a produção nas indústrias do Vale da Eletrônica tenha ficado bem abaixo do volume tradicional. Além da menor oferta dos insumos, os preços das matérias-primas foram alavancados e alguns produtos são comercializados com valores seis vezes maiores que antes da pandemia.  

As estimativas para 2022 são cautelosas. Um resultado positivo no setor dependerá da regularização da oferta de insumos essenciais. Além disso, várias pequenas empresas da região, que já enfrentam os desafios, serão prejudicadas pelo veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de Refis para pequenas empresas.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, a situação das empresas do polo é muito complicada. 

“As indústrias estão acumulando prejuízos. A falta de insumos está prejudicando muito. Em relação ao volume de produção em 2021, na comparação com anos antes da pandemia, a gente pode dividir por três. As empresas ainda estão mantendo a mão de obra, mas reduziram o ritmo de produção porque faltam semicondutores e chips”.

Ainda segundo Souza Pinto, a oferta de insumos ainda é irregular e não existe expectativa de normalização do processo. Um dos impactos causados pela falta de componentes eletrônicos,o que é um problema mundial, é o aumento dos preços. Com a alta do dólar, a situação se agrava. 

“A falta de insumos como os semicondutores e chips é muito grave. Os  empresários não sabem mais o que fazer. Quando se tem o insumo para comprar, a oferta é pequena e estão cobrando de cinco ou seis vezes mais caro”. 

Além de chips e semicondutores, as empresas do Vale da Eletrônica também enfrentam a falta de granulado de injeção plástica, chapas de aço, chapas para circuito impresso, entre outros. Ainda existe gargalo no transporte marítimo, com falta de contêineres e encarecimento do frete internacional.  

Para 2022, as estimativas são cautelosas, principalmente pela incerteza em relação à normalização do abastecimento do polo. Outro problema é o veto do governo federal ao projeto que previa a criação de um programa de renegociação de dívidas para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte enquadrados no Simples Nacional. Se o veto for mantido, a tendência é de que empresas da região sejam ainda mais prejudicadas.

“Estamos há cinco anos esperando bons resultados. 2022 pode ser ano que vai bem, mas existe o risco de um ano de quebradeira. Os empresários vão segurando a situação, mas chega a um ponto que não aguenta. Ainda existe o agravante do governo federal não ter aceito o Refis para as micro e pequenas empresas. A decisão vai afetar muito porque pagar conta sem dinheiro é muito difícil”.

Ainda segundo Souza Pinto, 2022 será atípico por ser ano de Copa do Mundo, o que afeta o funcionamento das empresas, e também por ser eleitoral, o que traz incertezas para o mercado. 

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