Vale do Aço é impactado pela interdição da BR-381

Estudo da Fiemg aponta prejuízo diário de R$ 36 milhões na economia da região

28 de janeiro de 2022 às 0h30

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A viagem entre Belo Horizonte e Ipatinga ficou 500 quilômetros mais longa com a pista rompida em Nova Era | Crédito: Alisson J. Silva

Mais um baque para a economia mineira – desta vez resultante do rescaldo das chuvas do início de janeiro. Duas interdições em estradas federais, provocadas pelos temporais, estão gerando sérios problemas para o setor produtivo. A pista da BR-381, no KM 321, em Nova Era, teve o asfalto rompido por deslizamentos de terra no último dia 14, o que impediu completamente a passagem de automóveis, ônibus e caminhões. Além disso, a BR-262 está interditada na altura de Abre Campo desde segunda-feira, afetando diretamente a movimentação entre Belo Horizonte e o Espírito Santo. Levantamento feito pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta que para a economia do Vale do Aço já há prejuízo diário de R$ 36 milhões.

As interdições impactam todo o eixo Belo Horizonte-Vale do Aço-Valadares e dali para a BR-116 e o Nordeste. A interdição das duas estradas impediu ou dificultou a circulação de mercadorias e passageiros do Centro para o Leste do Estado, além de acontecer em uma rodovia federal em péssimas condições e prestes a ser privatizada. Mesmo conhecida como “Rodovia da Morte”, a BR-381 está sendo reformada há mais de seis anos, mas até agora só tem 35 quilômetros duplicados.  O que representa 11% dos 303 km que separam Belo Horizonte e Governador Valadares, na região Leste de Minas.

A viagem entre Belo Horizonte e Ipatinga, principal polo siderúrgico do Estado, aumentou em 500 quilômetros no traçado sugerido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O estudo da Fiemg aponta para prejuízo diário para a economia do Vale do Aço de R$ 36 milhões – resultante de fatores como o aumento de preços, que segue o do frete, e a redução da atividade econômica por falta de insumos. O impacto na BR-262 ainda não foi mensurado.

No caso da BR-381, só o trajeto entre Belo Horizonte e Ipatinga aumentou em 3,3 vezes, de 210 para 700 quilômetros. Consequentemente, os gastos com combustível aumentaram mais de 200%. “Existem gastos que vão além de combustíveis, como pedágios, manutenção dos veículos e horas extras de trabalho aos motoristas. Com esses custos, o valor atual do frete pode ser 300% maior do que na situação anterior”, calcula o analista de Estudos Econômicos da Fiemg, Marcos Marçal. 

Várias atividades produtivas ficam inviabilizadas. Além disso, muitos itens de consumo podem ficar mais caros nas regiões, especialmente no Vale do Aço. A situação não está pior por conta do transporte ferroviário que foi retomado e pode alimentar grande parte das empresas siderúrgicas”, completa o analista.

É o caso da Usiminas, que informou, através de sua assessoria de imprensa, as condições em que vem operando. “O transporte ferroviário, embora com restrições, permanece funcionando, e a movimentação rodoviária está sendo feita por meio de rotas alternativas. A Usiminas segue em contato permanente com os órgãos públicos responsáveis e na expectativa de soluções rápidas para o problema”, esclareceu a siderúrgica. 

Construção de desvio

Para alívio dos operadores logísticos, o Dnit acenou com uma solução paliativa e iniciou, na última quarta-feira (26), a construção de um desvio no local interditado. A obra demorou a começar por causa de um novo deslocamento do maciço, com movimentação de terra no talude do trecho, que foi observado por técnicos do órgão no dia 21. O prazo para restabelecer o tráfego na região é de 20 dias, ou seja, meados de fevereiro

Até lá, as transportadoras estão abarrotadas. “Isso está matando a gente”, desabafa o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística (Setcemg), Gladstone Diniz Lobato. Em sua transportadora, a Transavante, os motoristas estão fazendo um percurso menor que o sugerido pelo Dnit, mas mesmo assim 360 quilômetros maior para chegar em Ipatinga e 270, se for pela BR-262. Trajeto maior que é feito por uma estrada perigosa, em que grandes caminhões estão passando por dentro da pequena Guanhães, por exemplo, que tem 35 mil habitantes. Quem ia para o Nordeste pela BR-381, está seguindo pela BR-356 e congestionando a estrada para Montes Claros.

Os fretes para o Vale do Aço subiram mais de 50% e não existe frota e nem mão de obra para atender à demanda”, disse Lobato. “O polo siderúrgico está pagando o prejuízo, mas os preços estão indo para as alturas e quem paga, no final do processo, é o consumidor final”, completa.

Dnit iniciou, na última quarta-feira, construção de desvio em trecho interditado da BR-381 | Crédito: Alisson J. Silva

Demora para solução preocupa setor produtivo

Coordenador do Movimento Nova 381, o empresário e vice-presidente da Fiemg Luciano Araújo está acompanhando com apreensão a demora na solução do problema. “É um impacto muito grande para a região, que nós calculamos em R$ 2 milhões por dia só para as empresas do Vale do Aço. A sociedade vai acabar pagando essa conta, já que os custos do frete serão repassados aos produtos”, reitera.

Esperamos que a obra saia rapidamente. Vinte dias é um prazo muito longo e significa um prejuízo muito grande. A empreiteira tem que trabalhar diuturnamente porque não dá pra esperar todo esse tempo por um desvio”, reclama. Araújo lembra que a BR-381 é importante não só para o Vale do Aço e o Leste de Minas. “Ela faz toda a ligação do Nordeste com o Sudeste do Brasil. Essa estrada interditada é um prejuízo para todo o País”, conclui.  O Estado tinha ontem 102 pontos de interdição nas estradas. No total, eram 16 pontos com a via totalmente interditada. Por outro lado, 86 pontos estão com retenção parcial.

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