COTAÇÃO DE 02-12-2021

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,6600

VENDA: R$5,6600

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,6730

VENDA: R$5,8130

EURO

COMPRA: R$6,3753

VENDA: R$6,3783

OURO NY

U$1.768,55

OURO BM&F (g)

R$319,92 (g)

BOVESPA

0,4902

POUPANÇA

+3,66%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Dia Mundial do Planeta Terra Especial

Brasil não deve cumprir metas dos ODS

COMPARTILHE

A história da luta por um modo de produzir e consumir mais justo com o planeta e que garanta a existência sobre a Terra serve como alento e inspiração | Crédito: Reprodução

Seja por coincidência ou por ironia do destino, a data escolhida para ser o Dia Mundial do Planeta Terra é também o dia em que relembramos a chegada dos portugueses à terra que, séculos depois, viria a ser o Brasil e que, hoje, habitamos. 

Dono de uma das maiores biodiversidades do mundo e de 12% da água doce do planeta, para uma população que não passa de 2% do total, o País é observado com lupa por todo o mundo. 

PUBLICIDADE

Dos ativos gigantescos como a Amazônia Brasileira e questões macro como a mineração, que já nos colocou no noticiário mundial com os crimes ambientais traduzidos nas tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), até questões menos visíveis, porém tão importantes, como a exploração do Cerrado, que coloca em risco o abastecimento de água da América do Sul, e a perda de dois anos na longevidade brasileira, com consequência da Covid-19.

A esperança de muitos e o desespero de outros está no desempenho do Brasil na “Cúpula de líderes sobre o Clima” convocada pelo presidente norte-americano, Joe Biden, ontem e hoje. O País, que nas últimas décadas havia alcançado um papel de protagonista na discussão sobre o controle das mudanças climáticas, hoje se vê classificado como um pária.

Em seu discurso, ontem, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu que o Brasil atingirá a neutralidade climática – zerar o balanço das emissões de carbono – até 2050 e se disse aberto à cooperação internacional. Sem mencionar os repetidos recordes de desmatamento na Amazônia e sem explicar como acabar com o desmatamento ilegal até 2030.

Pandemia evidenciou a pobreza extrema, afirma Pereira | Crédito: Genilton Elias

Para o diretor-executivo da Rede Brasil para o Pacto Global, Carlo Pereira, dificilmente o Brasil vai alcançar as metas estabelecidas pela Agenda 2030. O único ODS no qual o País alcança bons resultados é o 7: “Energia acessível e limpa”. Os indicadores que já vinham em queda desde o agravamento da crise econômica de 2014, perderam ainda mais tração em virtude do nosso mau desempenho no combate a Covid-19.

“A pandemia está levando muita gente de volta para a pobreza extrema. E, apesar disso, temos 30% de desperdício em alimentos e 117 milhões de pessoas com insegurança alimentar. É inacreditável o quanto voltamos para trás. Na saúde também perdemos dois anos de longevidade. O mundo e o Brasil vinham melhorando muita coisa. Na mortalidade infantil, por exemplo, tínhamos entre 80 e 90, hoje está em 15. Só que já tínhamos chegado a 12, ou seja, a gente já vinha piorando nos últimos anos. Temos que trazer as empresas à baila. Não é só governo, apesar da sua responsabilidade fundamental. As empresas são entes sociais. Me parece que, de maneira definitiva, estamos acabando aquela fase em que a empresa tem que, exclusivamente, retornar dinheiro para os acionistas. Voltam a reconhecer o seu papel social”, explica Pereira.

No mesmo sentido caminha a avaliação do coordenador da Rede Desafio 2030 e do Hub ODS Minas Gerais, Rafael Telo. A Rede Desafio 2030 reúne 24 organizações com o intuito de ajudar as empresas a colocar os ODS como direcionador estratégico das atividades, diminuindo o impacto das empresas sobre o planeta e aprimorando o modelo de negócio.

“A tendência é que não vamos atingir as metas, com exceção do ODS 7. Temos, porém, algumas tendências positivas. No ODS 6 – ‘Água potável e saneamento’, o Marco Legal do Saneamento gera expectativa de que haja mais investimentos. Nos ODS 1, ‘Erradicação da pobreza’; ODS ‘Trabalho decente e crescimento econômico; e o ODS 10, ‘Redução das desigualdades’; vimos que o Brasil evoluiu para a integração das pessoas ao espectro formal do trabalho. Mas ainda tem um grande desafio que é promover um apoio institucional para favorecer que as empresas gerem empregos. Pesquisas mostram que os empreendedores têm medo de crescer”, pontua Telo.

Empreendedores têm medo de crescer, alerta Rafael Telo | Crédito: Breno Matias

Em que pese todas as dificuldades e retrocessos enfrentados pelo mundo nos últimos anos, a história da luta por um modo de produzir e consumir mais justo com o planeta e que garanta a existência da humanidade sobre a Terra serve como alento e inspiração.

“A Agenda do Milênio foi a maior agenda antipobreza da sociedade em que os entes agiram conjuntamente. Nela só tinha governos e foi feita para ser aplicada em países pobres. Ao longo da implementação, sociedade civil e empresas foram entrando. Em 2012, com o advento da Agenda 2030, evoluímos para todos os países com o objetivo de não deixar ninguém para trás. Hoje temos a entrada do setor financeiro. A gente entra com um time completo em campo e vamos ter esses nove anos acumulando a experiência de ter trabalhado todo mundo junto. Vou dar um exemplo do quanto isso é potente: há quatro anos realizamos um fórum e foi muito difícil colocar cinco CEOs no palco. Ano passado foram 98 CEOs e CFOs! Não é mais pra falar da sustentabilidade do negócio, é pra falar da pandemia, da fome… Precisamos de CEOs estadistas. Não é opção, é obrigação. Não é pra falar delas, as empresas, é para mostrar o que estão fazendo de verdade”, avalia o diretor-executivo da rede Brasil para o Pacto Global.

Ouça a avaliação do fundador e presidente da Save Cerrado, Paulo Bellonia sobre o discurso do presidente Jair Bolsonaro durante a Cúpula de líderes sobre o Clima
Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

OUTROS CONTEÚDOS

PRODUZIDO EM

MINAS GERAIS

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!