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Dia Mundial do Planeta Terra Especial

Brasil não deve cumprir metas dos ODS

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A história da luta por um modo de produzir e consumir mais justo com o planeta e que garanta a existência sobre a Terra serve como alento e inspiração | Crédito: Reprodução

Seja por coincidência ou por ironia do destino, a data escolhida para ser o Dia Mundial do Planeta Terra é também o dia em que relembramos a chegada dos portugueses à terra que, séculos depois, viria a ser o Brasil e que, hoje, habitamos. 

Dono de uma das maiores biodiversidades do mundo e de 12% da água doce do planeta, para uma população que não passa de 2% do total, o País é observado com lupa por todo o mundo. 

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Dos ativos gigantescos como a Amazônia Brasileira e questões macro como a mineração, que já nos colocou no noticiário mundial com os crimes ambientais traduzidos nas tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), até questões menos visíveis, porém tão importantes, como a exploração do Cerrado, que coloca em risco o abastecimento de água da América do Sul, e a perda de dois anos na longevidade brasileira, com consequência da Covid-19.

A esperança de muitos e o desespero de outros está no desempenho do Brasil na “Cúpula de líderes sobre o Clima” convocada pelo presidente norte-americano, Joe Biden, ontem e hoje. O País, que nas últimas décadas havia alcançado um papel de protagonista na discussão sobre o controle das mudanças climáticas, hoje se vê classificado como um pária.

Em seu discurso, ontem, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu que o Brasil atingirá a neutralidade climática – zerar o balanço das emissões de carbono – até 2050 e se disse aberto à cooperação internacional. Sem mencionar os repetidos recordes de desmatamento na Amazônia e sem explicar como acabar com o desmatamento ilegal até 2030.

Pandemia evidenciou a pobreza extrema, afirma Pereira | Crédito: Genilton Elias

Para o diretor-executivo da Rede Brasil para o Pacto Global, Carlo Pereira, dificilmente o Brasil vai alcançar as metas estabelecidas pela Agenda 2030. O único ODS no qual o País alcança bons resultados é o 7: “Energia acessível e limpa”. Os indicadores que já vinham em queda desde o agravamento da crise econômica de 2014, perderam ainda mais tração em virtude do nosso mau desempenho no combate a Covid-19.




“A pandemia está levando muita gente de volta para a pobreza extrema. E, apesar disso, temos 30% de desperdício em alimentos e 117 milhões de pessoas com insegurança alimentar. É inacreditável o quanto voltamos para trás. Na saúde também perdemos dois anos de longevidade. O mundo e o Brasil vinham melhorando muita coisa. Na mortalidade infantil, por exemplo, tínhamos entre 80 e 90, hoje está em 15. Só que já tínhamos chegado a 12, ou seja, a gente já vinha piorando nos últimos anos. Temos que trazer as empresas à baila. Não é só governo, apesar da sua responsabilidade fundamental. As empresas são entes sociais. Me parece que, de maneira definitiva, estamos acabando aquela fase em que a empresa tem que, exclusivamente, retornar dinheiro para os acionistas. Voltam a reconhecer o seu papel social”, explica Pereira.

No mesmo sentido caminha a avaliação do coordenador da Rede Desafio 2030 e do Hub ODS Minas Gerais, Rafael Telo. A Rede Desafio 2030 reúne 24 organizações com o intuito de ajudar as empresas a colocar os ODS como direcionador estratégico das atividades, diminuindo o impacto das empresas sobre o planeta e aprimorando o modelo de negócio.

“A tendência é que não vamos atingir as metas, com exceção do ODS 7. Temos, porém, algumas tendências positivas. No ODS 6 – ‘Água potável e saneamento’, o Marco Legal do Saneamento gera expectativa de que haja mais investimentos. Nos ODS 1, ‘Erradicação da pobreza’; ODS ‘Trabalho decente e crescimento econômico; e o ODS 10, ‘Redução das desigualdades’; vimos que o Brasil evoluiu para a integração das pessoas ao espectro formal do trabalho. Mas ainda tem um grande desafio que é promover um apoio institucional para favorecer que as empresas gerem empregos. Pesquisas mostram que os empreendedores têm medo de crescer”, pontua Telo.

Empreendedores têm medo de crescer, alerta Rafael Telo | Crédito: Breno Matias

Em que pese todas as dificuldades e retrocessos enfrentados pelo mundo nos últimos anos, a história da luta por um modo de produzir e consumir mais justo com o planeta e que garanta a existência da humanidade sobre a Terra serve como alento e inspiração.

“A Agenda do Milênio foi a maior agenda antipobreza da sociedade em que os entes agiram conjuntamente. Nela só tinha governos e foi feita para ser aplicada em países pobres. Ao longo da implementação, sociedade civil e empresas foram entrando. Em 2012, com o advento da Agenda 2030, evoluímos para todos os países com o objetivo de não deixar ninguém para trás. Hoje temos a entrada do setor financeiro. A gente entra com um time completo em campo e vamos ter esses nove anos acumulando a experiência de ter trabalhado todo mundo junto. Vou dar um exemplo do quanto isso é potente: há quatro anos realizamos um fórum e foi muito difícil colocar cinco CEOs no palco. Ano passado foram 98 CEOs e CFOs! Não é mais pra falar da sustentabilidade do negócio, é pra falar da pandemia, da fome… Precisamos de CEOs estadistas. Não é opção, é obrigação. Não é pra falar delas, as empresas, é para mostrar o que estão fazendo de verdade”, avalia o diretor-executivo da rede Brasil para o Pacto Global.

Ouça a avaliação do fundador e presidente da Save Cerrado, Paulo Bellonia sobre o discurso do presidente Jair Bolsonaro durante a Cúpula de líderes sobre o Clima
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