Páscoa rende fôlego a pequenos produtores

Proximidade com cliente é diferencial dos pequenos empreendedores, de acordo com a analista do Sebrae Minas Simone Lopes

7 de abril de 2023 às 0h28

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Um dos segredos desse mercado é divulgar fotos apetitosas | Crédito: Divulgação

Tradicionais, coloridos, recheados, trufados, de colher e até salgados ou o que mais a imaginação mandar. Os ovos de Páscoa, além de variados e fazerem a alegria de crianças e marmanjos, garantem trabalho e renda para um exército de pequenos negócios e confeitarias pelo País.

Em Belo Horizonte, a primeira edição do Confeitar Minas, realizada este ano, foi dedicada especialmente à Páscoa. O evento reuniu, no Minascentro (região do Hipercentro), mais de 6 mil pessoas que queriam, além de conhecer novas receitas e técnicas, se qualificar para tocar o negócio em três dias de evento.

A Nubimetrics, plataforma que empodera os sellers com dados inteligentes, aponta nesse sentido. A startup registrou crescimento de 70% nos meses de janeiro, fevereiro e março na demanda de mercadorias como barras de chocolate, fôrmas, moldes de ovos de páscoa e pastas que servem para recheio, indicando que a data é uma oportunidade para fazer uma renda extra com os produtos caseiros.

“Sempre indicamos para os sellers que é preciso entender a demanda do que está em alta para comprar e vender bem, sempre com base em informações. Além disso, os títulos e anúncios criados contam muito para se sobressair entre a concorrência, principalmente na Páscoa, que é um período em que produtos específicos estão em alta”, explica a Global Chief Revenue Officer da Nubimetrics, Juliana Vital.

A personalização e o uso de ingredientes e sabores locais, muitas vezes afetivos, parecem ser os grandes diferenciais desses produtos. Escapar da massificação das grandes indústrias que parecem “fazer tudo igual”, justifica pagar até um pouco mais caro em um mercado em que o principal insumo – o chocolate – é cotado em dólar.

Juliana Vital: é preciso entender a demanda do que está em alta | Crédito: Divulgação

De acordo com a analista do Sebrae Minas, Simone Lopes, a grande vantagem dos pequenos empreendedores é a proximidade com o cliente.

“O produtor consegue mostrar a sua marca, o produto e a estratégia de diferenciação para o consumidor. Enquanto os grandes brigam por preço, os pequenos se valem da criatividade e do atendimento personalizado. O consumidor mudou. Antes um ovo de marca dava status, hoje é o diferencial, a extrema qualidade e a exclusividade que o artesanal pode oferecer”, explica Simone Lopes.

E foi seguindo essa receita que a confeiteira Tassiane Saragoça abandonou o emprego público de mais de 14 anos para se tornar empreendedora do ramo da gastronomia. Instalada no bairro São Gabriel (região Noroeste), ela trabalha sozinha em casa, conciliando as tarefas com os cuidados com os dois filhos pequenos.

“Quando decidi mudar de atividade, comecei a fazer cursos, busquei me especializar. Em 2022 foi a primeira páscoa, com poucos, mas bons clientes. Este ano está me surpreendendo e o meu ganho já cresceu 150% até agora. Moro em um condomínio e tenho uma boa clientela para os bolos ao longo do ano. E na Páscoa eles também compram comigo. Para crescer nesse mercado não pode ter vergonha, tem que ser vendedora”, afirma Tassiane Saragoça.

Os pequenos se valem da criatividade, afirma Simone Lopes | Crédito: Divulgação

Segundo o professor de Panificação e Confeitaria da Faculdade Senac de Gastronomia, Renato Lobato, o mais importante para quem quer empreender com chocolate é respeitar o produto, usando um insumo nobre, dominando as técnicas e usando e abusando da criatividade nos recheios. Tudo isso sem esquecer da comunicação.

“O mais importante é a divulgação e as redes sociais são fundamentais para isso. Capriche em fotos apetitosas, embalagens bonitas e principalmente acabamento perfeito, pois compramos os produtos primeiro com os olhos”, ensina Lobato.

Entre as tendências do mercado para esse ano seguem os ovos de colher, que são cascas recheadas com vários tipos de sabores. A grande novidade, segundo os especialistas, é a utilização do caramelo cremoso para rechear as cascas. Mas, principalmente por conta do alto custo, outras opções estão sendo elaboradas pelos confeiteiros de plantão, como o ovo 2D, que nada mais é que uma base de chocolate no formato do ovo que pode ser recheado ou não e o ovo que parece um ovo frito. Outra novidade é o ovo brownie, que é uma massa de bolo densa assada no formato do ovo de páscoa e coberta com chocolate.

Para o professor do curso de Gastronomia do Centro Universitário Una, Renato Lins Pires, é possível observar uma diversificação de sabores e de formatos, deixando o ovo com uma característica um pouco mais moderna, mais próxima daquilo que a juventude deseja.

“Para dar certo o empreendedor precisa saber o que o consumidor quer, procurar conhecer as tendências do mercado, participando de feiras, buscando informações no Brasil e no exterior. E, claro, prezar pela qualidade dos ingredientes, sem descuidar dos custos”, avalia Pires.

O mais importante é respeitar o produto, diz Renato Lobato | Crédito: Divulgação

Produção ancorada no design, criatividade e paladar

Aos 14 anos ela já se aventurava pela confeitaria, mas foi só muito tempo depois que assumiu a paixão pelos doces como atividade profissional. Moradora do bairro Nova Cachoeirinha (região Noroeste), Grazielle Marangon tem, na Páscoa, o melhor momento do ano e, para determinados produtos, já não aceita mais encomendas.

“Existe público pra tudo e, de um ano para o outro, tudo muda. Ano passado vendi muito ovo tradicional e esse ano estão saindo mais as lembrancinhas. Em 2020 foi muito ovo de colher. Isso está ligado ao custo e os clientes querem aliar qualidade e preço. Estou muito apertada e alguns insumos que comprei, como alguns tipos de embalagens estão esgotadas”, destaca Grazielle Marangon.

Formada em design de interiores, a confeiteira Beth Melo aproveita esses conhecimentos no comando da D’vinos Bombons Finos, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Ao longo do ano ela se dedica especialmente às noivas, mas na época da Páscoa, dá vazão à criatividade criando sabores e texturas para ovos de chocolate.

“O design ajuda na composição da paleta de cores. A gente come primeiro com os olhos. Comecei com os doces até que alguém me perguntou porque não fazia ovos de Páscoa. Mas não queria fazer ovos comuns. Criei para essa amiga que perguntou um brigadeiro gourmet de paçoca. E a partir dele comecei com o ovo de colher. Outra pediu algo que tivesse goiabada, fiz uma releitura do Romeu e Julieta. Aí todo ano eu faço e invento uma coisa diferente. Ouço muito o público. Isso ajuda a criar os sabores. Uso as coisas de primeira linha para manter a qualidade”, explica Beth Melo.

Crédito: Divulgação

Mas nem só de ovos de chocolate se faz uma Páscoa. Tradições cristãs valorizam o consumo de peixes nessa época. De olho nesse público, o restaurante The Meat Club, no bairro Santo Agostinho (região Centro-Sul), oferece um cardápio especialmente pensado para a ocasião, da entrada à sobremesa.

A chef Letícia Pimenta comanda a produção da casa que começou, em 2018, fazendo apenas delivery e que atende em um salão com capacidade para 60 pessoas desde o final de 2021.

“Nós nos propusemos a fazer porções maiores para atender as famílias. Nessa época são comuns os almoços de Páscoa e outros eventos de confraternização. Na sexta-feira Santa o peixe ocupa quase todos os pedidos, já no domingo, a carne volta ao protagonismo. Para a sobremesa não servimos ovos de Páscoa, mas criamos opções variadas baseadas no chocolate, afinal, ele não pode faltar”, pontua Letícia Pimenta.

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