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Engenharia e governança não são ciências exatas

18 de junho de 2019 às 0h02

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CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

RONALDO GUSMÃO*

Não vamos analisar a causa dos últimos acidentes com as barragens de mineração, mas propor uma linha de estudos visando uma política de segurança das estruturas complexas de engenharia existentes no Brasil. Qualquer estrutura de engenharia é o resultado da aplicação das ciências exatas: física, biologia, química e matemática, através de modelos desenvolvidos ao longo da história, levando em conta dados históricos, probabilidade e um determinado grau de empirismo.

Os conhecimentos científicos em que está embasada a engenharia formam um conhecimento “provisório” pode ser atualizado a cada nova descoberta. Cada estrutura a ser construída é altamente dependente da engenhosidade dos profissionais que as estão projetando. Por isso, esses profissionais são pessoas extremamente demandadas e que foram, ao longo da carreira, desenvolvendo sua competência técnica.

Precisamos lembrar que a ciência evolui constantemente e um aprendizado contínuo com os fenômenos naturais é necessário para reduzir as incertezas dos dados históricos e empíricos utilizados nas estruturas de engenharia.

O exemplo mais recente são os gases de efeito estufa que estão interferindo na temperatura da terra e causando as mudanças climáticas. As decorrências causadas pelas mudanças climáticas ainda não são de completo domínio da ciência, mas é sabido que elas causam efeitos extremos no clima com maior rigor e maior frequência, isto é, pode chover em um espaço curto de tempo o equivalente aos dados históricos de um mês ou mais.

Governança corporativa é uma forma sistêmica de administração das empresas e da maneira como devem ser dirigidas e monitoradas pelas diversas instâncias constituídas, tais como: diretoria executiva, conselho de acionistas, conselho de administração, auditoria, responsabilidades e atribuições de cada empregado.

As empresas precisam ser transparentes em relação às suas atividades que podem envolver algum risco para a sociedade. Dessa forma, os especialistas analisam esses dados e ajudam a informar a população sobre esses riscos. Assim como as empresas, o Estado também tem que ter transparência quando há risco de vida. O mesmo vale para os conselhos profissionais, que também deveriam ser abertos e democráticos com a gestão da informação. Hoje, são verdadeiras fortalezas invisíveis para a sociedade.

No caso específico das estruturas de engenharia as responsabilidades são: primeiro, do empreendedor; segundo, do Estado brasileiro. No caso do empreendedor, não é só da diretoria, mas de todos os envolvidos: diretoria, conselho de administração, acionistas e profissionais contratados pela empresa para projetar, operar e manter toda a estrutura de engenharia em perfeito estado.

O segundo responsável é o Estado brasileiro, de acordo com suas atribuições constitucionais: Executivo (federal, estadual e municipal), Legislativo (federal, estadual e municipal), o Judiciário e o Ministério Público (federal e estadual). Nos casos dos últimos acidentes com as barragens de mineração, do CT do Flamengo e do viaduto em São Paulo, vimos falta de boas práticas de governança empresarial e governamental.

Essa é a razão da necessidade de uma política nacional de segurança de estruturas complexas de engenharia. Com maior transparência, ampliamos e nomeamos os responsáveis na tomada de decisão. Mais transparência é mais democracia. É a sociedade que deve decidir se quer correr algum tipo de risco ou não.

*Engenheiro e presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME)

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