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A deterioração da imagem da classe política chegou a um ponto que, para as eleições de 2018, esperava-se para o Congresso Nacional uma renovação de proporções inéditas, que seria reflexo do desejo, aparentemente majoritário, de mudanças. O que se imaginou, o que pesquisas de opinião chegaram a prever, afinal, não aconteceu, com a dança de cadeiras ficando abaixo do que era previsto. Passado o primeiro ano da nova legislatura cabe, ainda que num rápido balanço, reconhecer e apontar que mudanças de conteúdo aconteceram no Legislativo, felizmente para melhor. E com destaque para o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, que, talvez com alguma dose de surpresa para muitos, soube ocupar o espaço deixado vago pela falta de articulação política do Executivo, a ponto de sua atuação chegar a ser comparada a de um primeiro-ministro.

Considerando tudo que se passou, inclusive as evidências de que, numa visão mais ampla, as mudanças, inclusive no plano da ética, foram mais uma vez mais retóricas que práticas, é devido chamar atenção para os aspectos positivos. Sem eles algumas questões cruciais, como a reforma da Previdência e outras pontuais, dificilmente teriam avançado, ajudando a melhorar o ambiente e consequentemente as tendências da economia, cujas atenções agora se voltam para a reforma tributária e do Estado, enquanto o presidente da Câmara anuncia que se a reforma do Estado não avançar conforme o necessário, fará por conta própria grandes mudanças no Legislativo, essencialmente para reduzir seus gastos.

São bons sinais, forçoso reconhecer e destacar. Com espaço também para referência à bancada mineira, que andava apagada e na atual legislatura vai aos poucos recuperando seus espaços, numa grata surpresa para os mineiros. Melhor exemplo dessa nova realidade pode ser encontrado nas articulações em andamento visando recuperar espaços e devolver a Minas Gerais o lugar que naturalmente lhe cabe no plano nacional. E melhor sinal nessa direção não poderia haver que o anúncio de que estão progredindo as discussões para que sejam afinal liberados recursos para a expansão do metrô de Belo Horizonte. Conforme noticiado, não prosperou, por questões legais, a ideia de transferir recursos que viriam na renovação da concessão da FCA, mas o Ministério da Infraestrutura cogita, atendendo à bancada mineira, transferir recursos de multas devidas pela mesma FCA à União.

Pode ser a solução para uma obra vital, mas emperrada há pelo menos 20 anos. Pode ser também o melhor sinal de que mudanças há tanto reclamadas finalmente começam a acontecer.