Correção do salário mínimo não aumenta o poder de compra

Valor foi corrigido devido a alta da inflação; na capital mineira, entre os 10 produtos que mais pesam orçamento estão mandioca, transporte por aplicativo, passagens aéreas e energia elétrica

31 de dezembro de 2021 às 0h27

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Atualmente, 17,5 milhões de famílias são atendidas pelo programa | Crédito: USP Imagens

A proposta de aumento do salário mínimo da primeira versão do Orçamento para 2022, que estabelece os recursos destinados às despesas à nível federal para o ano e estima a receita da União, estava fixada em R$ 1.169,00. No entanto, a relatoria do Projeto de Lei do Congresso Nacional nº 19, de 2021 (PLOA 2022), alterou o valor para R$ 1.210,00.

O novo valor, aprovado pelo Congresso Nacional junto aos demais itens orçamentários e que agora passa para a sanção do presidente da República, foi proposto devido à aceleração da inflação no país, que, por sua vez, impacta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — índice utilizado para a correção do salário mínimo e de benefícios assistenciais e previdenciários. 

No entanto, apesar do crescimento de R$ 110 em relação ao salário mínimo praticado em 2021, o economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Guilherme Almeida, afirma que o reajuste cobre apenas a inflação

“Na prática, não há ganho real para quem aufere o salário mínimo. Há alguns anos, o salário não tem mais reajuste real, e passaram a recompor apenas o aumento de preços a partir do INPC prévio, já que o resultado real é liberado nos primeiros dias de janeiro. Isso significa que o aumento no poder de compra das pessoas é nulo”, explica Almeida. 

Ainda segundo o economista, nominalmente há um aumento de recursos no mercado, mas não há variação na cesta de produtos que o trabalhador irá comprar no dia a dia. A recomposição apenas da inflação se soma, ainda, à deterioração da renda que ocorreu nas fases mais críticas da pandemia da Covid-19 e que ainda traz reflexos para os dias atuais.

“O consumidor está pagando mais pelo mesmo bem que ele consumia antes. E, apesar de injetar mais recursos na compra de determinado item, ele ainda tem uma defasagem, porque o poder não há ganho real”, ressalta Almeida.

Poder de compra do salário

Sem aumento real dos ganhos dos brasileiros e dos mineiros, o efeito dominó da inflação continuará ditando a normalidade. O aumento nos preços dos combustíveis é o maior exemplo disso. 

No período de novembro de 2020 a novembro de 2021, a variação no preço dos combustíveis para veículos em Belo Horizonte, por exemplo, chegou a 53,36%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na prática, o aumento no último ano representa o dobro do preço do produto na capital mineira. 

Essa escalada de preços resulta desde o encarecimento da logística de itens básicos e essenciais, como os alimentos, à elevação de preços de corridas feitas por aplicativos. Os movimentos que ocorreram na economia brasileira influenciaram diretamente o custo de vida nos mais variados produtos e serviços. 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de novembro (2021) mostra justamente a realidade atual dos preços dos combustíveis no item transportes em todo o Brasil, avaliado no levantamento realizado pelo IBGE.

É importante ressaltar que a diferença entre INPC e IPCA é que o primeiro mede a inflação percebida por famílias que recebem de 1 a 5 salários mínimos, enquanto o outro amplia a pesquisa para rendas familiares de 1 a 40 salários. 

Entre os grupos de produtos e serviços, os “transportes” despontam com a maior variação mensal para o mês de referência, com 2,89%. Na análise dos 12 últimos meses, a variação no preço desse serviço chega a 18,6%. 

A variação registrada indica um sobrepreço acima da própria inflação acumulada na média de todos os itens avaliados, que hoje está em 10,74% (novembro 2020/novembro 2021), o maior valor registrado nos últimos 6 anos em todo o Brasil. Considerando somente o último mês, a variação foi de 0,95%. 

Em seguida, no que tange às variações mais altas de novembro de 2021 no País, aparecem os produtos relacionados ao vestuário (1,59%) e artigos de residência (1,53%). Vale ressaltar que os itens para a casa também representam o segundo lugar na variação acumulada dos últimos 12 meses (10,86%), atrás apenas do item habitação (13,69%) e dos transportes (18,60%, conforme acima).

Os 10 itens mais caros

Belo Horizonte acompanha a inflação nacional no acumulado dos últimos 12 meses. Na capital mineira, a variação é de 10,45% — a brasileira está em 10,74%. Entre os itens que mais pesaram no período que compreende novembro do ano passado e de 2021, estão os listados abaixo: 

  1. Etanol – 80,51% 
  2. Mandioca – 62,4%
  3. Gasolina – 50,57% 
  4. Transporte por aplicativo – 49,92%
  5. Melancia – 46,33%
  6. Diesel – 44,16%
  7. Açúcar cristal – 43,51%
  8. Gás de botijão – 43,22%
  9. Passagem aérea – 39,92%
  10. Alface – 33,63%

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