Entidades defendem aceleração das quedas das taxas de juros

Setor produtivo mineiro acredita que a redução da Selic aponta para um ritmo maior no cenário econômico

31 de janeiro de 2024 às 21h50

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Crédito: Freepik

A queda na taxa básica de juros, a Selic, de 0,5 ponto percentual (p.p.), divulgada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), já era esperada por analistas de mercado e por várias entidades do setor produtivo mineiro, que analisaram positivamente o corte. Entretanto, elas ressaltam que é necessário acelerar as reduções, já que os juros ainda altos impactam negativamente no consumo e nos investimentos.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio de nota, diz que reconhece como positiva a redução da taxa básica de juros. Porém, enfatiza a necessidade do prosseguimento e até mesmo da aceleração do ciclo de cortes.

A entidade observa que o último relatório Focus, de 26 de janeiro, teve como destaque uma nova queda nas expectativas da inflação para 2024, que deverá encerrar o ano em 3,81%. Para 2025 e 2026, as projeções da inflação permaneceram em 3,5%.

Concomitantemente, o relatório apontou sinais de desaceleração econômica em 2024, com a mediana das expectativas de crescimento do PIB em 1,6%, resultado inferior ao registrado em 2023, quando a economia avançou cerca de 3%.

Diante do cenário destacado, a Fiemg frisa que os investimentos produtivos determinam o potencial de crescimento da economia. “Portanto, é preocupante que um nível tão restritivo de taxa de juros resulte em queda dos investimentos no País, comprometendo a capacidade produtiva e o futuro da economia. A possível queda na capacidade produtiva pode, inclusive, contribuir para um cenário de pressão de custos e de avanço da inflação no futuro”, destaca em trecho da nota.

O economista da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Paulo Casaca, ressaltou que o corte já era esperado pelo mercado. “Apesar da previsibilidade da medida, as perspectivas sobre a evolução da Selic, da inflação e da atividade econômica ao longo de 2024, ainda causam preocupação”, diz.

Ele observa que, segundo o Boletim Focus, o PIB e a inflação devem fechar o ano com crescimento abaixo do alcançado em 2023. “Se para a inflação esse cenário é positivo, para o PIB é inquietante. A indústria e o comércio varejista, por exemplo, tiveram desempenho bastante tímido no ano passado”, frisa.

O economista destaca que a divulgação do PIB do terceiro trimestre de 2023 indicou que o maior problema continua sendo o nível de investimentos, que recuou 2,5% em relação ao trimestre anterior. “O alto patamar dos juros internos é a principal causa”, alerta.

Para ele, a expectativa é que, com a continuidade da queda da Selic no primeiro semestre, o cenário de baixos investimentos seja revertido até o fim do ano. “Buscar formas de acelerar o crescimento, aliado ao controle da inflação, continuam sendo os maiores desafios econômicos que temos pela frente”, ressalta.

Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG), Frank Sinatra Chaves, a redução da taxa nesta primeira reunião do ano aponta para uma perspectiva de mais ritmo para o cenário econômico.

Ele observa que o crédito caro e os financiamentos com lastros na Selic em patamares elevados comprometem todo o dinheiro que poderia ser usado para investimentos e consumo. “Assim, está na hora de colocarmos o Brasil para girar, com cautela, para que possamos empreender e sobreviver no mercado”, diz.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, diz que a primeira redução da taxa Selic confirma que o Banco Central deverá continuar com o ciclo de flexibilização da política monetária. “Acreditamos que exista um espaço limitado de corte de juros por razões locais, como inflação e demanda aquecida”, observa. “Mas estamos otimistas, afinal o corte de juros e as expectativas positivas de crescimento do investimento, poderão impactar no aumento da renda e consequentemente desenvolvimento do setor”, acrescenta.

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