Juros futuros caem em dia de ajustes e com arrecadação acima do esperado

A divulgação do IPCA-15, na próxima sexta, vem sendo citada como evento que pode voltar a mexer com a curva de juros

23 de janeiro de 2024 às 21h53

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Crédito: Freepik

São Paulo – As taxas dos DIs (depósitos interfinanceiros) fecharam ontem em baixa no Brasil, novamente na contramão do mercado de Treasuries (rendimento dos títulos do Tesouro americano) com investidores ajustando posições após a forte alta da véspera e reagindo aos dados acima do esperado da arrecadação federal do País em dezembro de 2023, que sugerem um cenário fiscal mais favorável.

Na última segunda-feira, as taxas dos DIs tiveram altas firmes depois que governo divulgou o plano “Nova Indústria Brasil”, que prevê R$ 300 bilhões em financiamentos até 2026.

O anúncio piorou a percepção no mercado sobre o risco fiscal brasileiro, ainda que operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sustentem o programa, o que não necessariamente trará impacto fiscal para o Tesouro.

“Ontem (terça) o mercado começou a ver que talvez o impacto fiscal não seja tão grande”, observa o head de renda fixa da Manchester Investimentos, Rafael Sueishi.

A divulgação de números acima do esperado da arrecadação federal no último mês de 2023 serviu de gatilho para que a percepção de risco fiscal melhorasse, o que fez as taxas dos contratos futuros de juros recuarem.

A arrecadação de dezembro subiu 5,15% ante o mesmo mês do ano anterior, chegando a R$ 231,2 bilhões, conforme a Receita Federal. O dado veio acima da expectativa indicada em pesquisa da Reuters, que apontava para arrecadação de R$ 227,3 bilhões.

“Se na segunda-feira (22) houve pressão pelo fiscal, hoje a divulgação de dados de arrecadação melhores que o esperado trouxe um alívio para a curva”, observa. Foi a quarta sessão consecutiva em que a curva brasileira operou na contramão da norte-americana, em um sinal de que questões locais seguem no radar dos investidores.

A divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15, na próxima sexta, vem sendo citada como evento que pode voltar a mexer com a curva de juros. A percepção é de que uma inflação mais pressionada pode alterar as projeções para a taxa Selic terminal – precificada em torno de 9% para o fim de 2024.

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