Um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que o Brasil segue distante dos países mais desenvolvidos quando o assunto é formação universitária.
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Segundo o levantamento Panorama da Educação 2026, apenas 22% dos brasileiros entre 25 e 64 anos concluíram o ensino superior, praticamente metade da média de 43% registrada entre os países da organização.
Ensino superior no Brasil fica em 22%, aponta OCDE
O estudo comparou 46 países e mostrou que o Brasil aparece empatado com Itália e México, todos com 22% dos adultos formados no ensino superior nessa faixa etária.
O país fica à frente de nações como Romênia, com 19%, Índia, com 16%, Indonésia, com 13%, e África do Sul, com apenas 8%.
A diferença cresce ainda mais quando o recorte é a pós-graduação. Apenas 1% dos brasileiros de 25 a 64 anos tem mestrado, enquanto a média entre os países da OCDE chega a 15%, ou seja, 15 vezes maior que o índice nacional.
Jovens brasileiros também ficam atrás na formação
O cenário não muda muito entre os mais jovens. Apenas 24% dos brasileiros de 25 a 34 anos concluem o ensino superior, pouco menos da metade da média da OCDE, de 49%.
Entre os jovens brasileiros formados, há uma diferença de gênero: 53% são mulheres e 43% são homens, uma distância de 9 pontos percentuais, ligeiramente menor do que a diferença média de 12 pontos registrada nos países da organização.
Ainda assim, o ensino superior segue fazendo diferença no bolso de quem consegue concluir a faculdade no Brasil. Quem tem diploma universitário ganha 148% a mais do que quem parou no ensino médio, uma diferença bem maior do que a média da OCDE, que fica entre 54% e 70%.
Brasil investe menos por estudante que os países ricos
Parte da explicação para essa distância aparece no financiamento da educação. O Brasil investe, em média, US$ 4.999 por aluno por ano na educação básica, valor equivalente a cerca de um terço dos US$ 13.432 gastos, em média, pelos países da OCDE, mesmo o país destinando uma fatia do PIB à educação maior do que a média da organização.
No ensino superior, a diferença também é grande. O gasto público por estudante universitário no Brasil foi de US$ 3.765 em 2022, enquanto a média da OCDE chegou a US$ 15.102, valor que já inclui investimentos em pesquisa e desenvolvimento feitos pelas universidades desses países.
Os números mostram que o debate sobre financiamento da educação brasileira não pode se limitar ao percentual do PIB destinado à área, já que a quantidade de recursos por estudante também pesa bastante no resultado final.
O relatório também trouxe uma notícia mais positiva. A proporção de jovens brasileiros de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham caiu de 27%, em 2016, para 22%, em 2024. Apesar da melhora, o Brasil ainda tem o quinto maior percentual entre 41 países analisados, bem acima da média da OCDE, de 14%.
Professores também aparecem no retrato da educação
O levantamento de 2026 teve como foco principal a escassez de professores no mundo todo, e o Brasil também apareceu nesse recorte.
Cerca de 9% dos professores do ensino fundamental e médio nas escolas públicas brasileiras não eram plenamente qualificados em 2024, percentual bem próximo da média da OCDE, de 9,1%.
Chamou atenção, porém, a saída de profissionais da carreira docente. No Brasil, 10,3% dos professores plenamente qualificados deixaram a profissão em 2022, seja por aposentadoria ou por pedido de demissão, número bem maior do que a média da OCDE, de 6,4%.
Juntos, os dados sobre ensino superior no Brasil, financiamento educacional e carreira docente reforçam um diagnóstico que já vinha sendo discutido nos últimos anos: ampliar o acesso à faculdade e reter bons professores nas escolas seguem sendo dois dos maiores desafios da educação brasileira para reduzir a distância em relação aos países mais desenvolvidos.