A Usiminas vai construir em Ipatinga, no Vale do Aço, um novo conjunto de fornos para produzir coque, o carvão usado na fabricação do aço, com investimento de R$ 1,7 bilhão. A mobilização no Centro Industrial já começou, e as obras devem durar até 2029.
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Durante a construção, a previsão é de geração de cerca de 800 empregos. A bateria existente será derrubada e substituída por uma estrutura nova, com equipamentos mais modernos.
Além da nova estrutura, o complexo de Ipatinga vai receber reparos em outros fornos, obras de modernização no Alto-Forno 3 e novas instalações de apoio à produção. O total de investimentos no complexo chega a cerca de R$ 3 bilhões até 2029.
Hoje, a Usiminas compra parte do coque que usa na produção de terceiros. Com a nova bateria, a empresa vai voltar a produzir a matéria-prima internamente, além do gás de coqueria, subproduto usado como fonte de energia no próprio processo industrial.
O anúncio foi feito pelo presidente da companhia, Marcelo Chara, durante o Congresso Aço Brasil, realizado na terça-feira (29), em São Paulo.
Usiminas e a pressão dos importados
A decisão ocorre em meio a um cenário de pressão crescente sobre o setor siderúrgico brasileiro. No Congresso Aço Brasil, Chara detalhou os números: os produtos industrializados com conteúdo de aço devem superar 7 milhões de toneladas importadas em 2026. O aço bruto importado responde por mais de 4 milhões de toneladas adicionais. O volume total ultrapassa 11 milhões de toneladas pressionando o mercado interno.
No setor automotivo, a projeção é de quase 1 milhão de veículos importados no ano, cerca de 30% do mercado nacional. “Importar um carro no país anula de oito a dez empregos de toda a cadeia de valor”, afirmou o executivo ao O Tempo.
Chara reconheceu que medidas como antidumping e o sistema de cota-tarifa, mecanismo que limita importações com tarifas progressivas, já reduziram a participação do aço bruto importado de 23% para 18% no acumulado do ano. O executivo defendeu o “Pró-Aço”, proposta citada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e cobrou políticas industriais com maior exigência de conteúdo local para conter o avanço dos manufaturados estrangeiros.