Economia Geral

Carne brasileira vai pagar tarifa de 67% para entrar na China; Minas Gerais pode ser afetada

Sobretaxa de 55% passa a ser aplicada após o Brasil atingir a cota de exportação para 2026; carne bovina é um dos principais produtos enviados por Minas Gerais ao mercado chinês.

4 min de leitura
Bovinos no pasto, representando a tarifa chinesa imposta na carne brasileira.
Foto: Banco de Imagens/Canva

A carne brasileira passou a pagar uma tarifa total de 67% para entrar na China a partir desta quinta-feira (1º). A cobrança é formada pela tarifa regular de 12% mais uma sobretaxa de 55%, aplicada depois que o Brasil atingiu a cota anual de exportação estabelecida pelo governo chinês.

✅ Siga o nosso canal no WhatsApp

A mudança também pode ter reflexos em Minas Gerais, que possui uma cadeia de carnes relevante para o comércio exterior.

Em 2025, as exportações mineiras de carne bovina alcançaram US$ 1,38 bilhão, recorde para o produto, com a demanda chinesa entre os fatores que contribuíram para o resultado.

Brasil esgota cota de carne bovina para 2026

O Brasil atingiu o limite de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina que poderiam ser enviadas à China em 2026 com a tarifa regular. A partir do esgotamento da cota, os embarques que excederem esse volume ficam sujeitos à sobretaxa de 55%, elevando a tarifa total para 67%.

Para 2027, a cota brasileira será ampliada para 1,128 milhão de toneladas. Representantes do setor, no entanto, estimam que o novo limite possa ser alcançado novamente entre março e abril do próximo ano, caso o ritmo das compras chinesas continue elevado.

A medida não é uma tarifa exclusiva contra o Brasil. A China estabeleceu um sistema de salvaguarda para as importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas definidas para os países fornecedores. O Brasil recebeu a maior cota entre os exportadores.

China é importante para a carne bovina de Minas Gerais

A conexão com Minas Gerais é relevante porque a China ocupa posição de destaque entre os destinos dos produtos mineiros. Em 2024, o país asiático respondeu por 36,6% das exportações de Minas Gerais, e a carne bovina representou 4,3% da pauta exportadora estadual para aquele mercado.

No ano seguinte, o setor de carnes manteve trajetória positiva. Segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), o complexo de carnes alcançou US$ 1,85 bilhão em exportações em 2025. Desse total, a carne bovina respondeu por US$ 1,38 bilhão, também um recorde para o estado.

Já no primeiro semestre de 2025, Minas Gerais havia exportado US$ 601,1 milhões em carne bovina, alta de 19% em valor e de 4,9% em volume na comparação com o mesmo período anterior.

Unidade de Minas Gerais foi habilitada para exportar à China

A mudança ocorre poucos dias depois de a China autorizar novas unidades brasileiras a vender carne bovina no país asiático. Entre elas está uma unidade localizada em Minas Gerais, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A autorização amplia o número de estabelecimentos brasileiros aptos a atender o mercado chinês, mas ocorre justamente em um momento de limitação do volume que pode entrar no país asiático sem a sobretaxa.

A China continua sendo um mercado importante para a pecuária brasileira. Entre 2016 e 2025, o Brasil enviou 8,2 milhões de toneladas de carne bovina ao país, em operações que movimentaram US$ 42,3 bilhões. Em 2025, o volume chegou a 1,6 milhão de toneladas.

Frigoríficos avaliam antecipar embarques

Com a perspectiva de que a cota de 2027 seja novamente atingida rapidamente, empresas do setor discutem estratégias para aproveitar o limite disponível no início do próximo ano.

Uma das possibilidades analisadas pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) é antecipar abates ainda em outubro e realizar embarques em novembro. Como o transporte marítimo entre Brasil e China leva aproximadamente 40 a 45 dias, a previsão é que parte da produção chegue ao mercado chinês em janeiro de 2027, já dentro da nova cota.

A entidade também discute com o governo uma forma de distribuir a cota de 2027 entre os frigoríficos ao longo do ano. A proposta busca evitar que o volume disponível seja concentrado em poucas empresas no início do período.

O que muda para as exportações de Minas Gerais

Para os produtores e frigoríficos mineiros que atuam no mercado internacional, a alteração aumenta a importância do planejamento dos embarques para a China e da busca por outros destinos.

A própria Secretaria de Agricultura de Minas Gerais aponta a diversificação de mercados compradores como um dos fatores importantes para o desempenho da cadeia de carnes. Em 2025, além da China, a carne bovina mineira avançou em diferentes mercados internacionais.

A mudança na política chinesa, portanto, não interrompe automaticamente as exportações mineiras para o país asiático. A tarifa de 67% incide sobre o volume que ultrapassar a cota estabelecida, enquanto as exportações dentro do limite continuam sujeitas à tarifa regular de 12%.

Com a nova regra, o comportamento das compras chinesas, a utilização da cota de 2027 e a capacidade do setor de direcionar a produção para outros mercados serão fatores acompanhados pelos exportadores brasileiros e mineiros nos próximos meses.

Conteudos relacionados

Geral

Sesc está com 80 vagas para Jovem Aprendiz em MG; veja como se candidatar

plano de contingência

Cidades

Juiz de Fora cria plano de contingência para desastres climáticos com três pontos de abrigo fixos

Campanha contra feminícidio apresentada em vídeo no Instagram.

Geral

Campanha contra feminicídio em Minas Gerais ganha força nas redes sociais