Economia

PIB de Minas cresce no nominal, mas economia real recua 0,7% no 1º trimestre de 2026

Produto Interno Bruto do estado somou R$ 285,7 bilhões nos três primeiros meses do ano. O avanço de 3,7%, porém, é nominal, descontada a inflação, a atividade encolheu, puxada por um tombo de 15,6% na agropecuária. No acumulado de 12 meses, o PIB mineiro chegou a R$ 1,167 trilhão.

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Foto: Seapa / Divulgação ǀ Erasmo Reis / Epamig
Foto: Seapa / Divulgação ǀ Erasmo Reis / Epamig
Leitura rápida

- O PIB de Minas Gerais foi estimado em R$ 285,7 bilhões no 1º trimestre de 2026.
- O crescimento de 3,7% anunciado é nominal (inclui inflação). Em termos reais, a economia mineira recuou 0,7% frente ao mesmo trimestre de 2025.
- A agropecuária despencou 15,6%, principal responsável pelo resultado negativo no trimestre.
- A indústria extrativa (mineração) cresceu 4,1% e os serviços avançaram 1,5%, mas não compensaram o campo.
- No acumulado de 12 meses, o PIB ainda mostra leve expansão real de 0,8%.

Belo Horizonte — O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais alcançou R$ 285,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o equivalente a um crescimento nominal de 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O número, divulgado nesta quarta-feira (17) pela Fundação João Pinheiro (FJP), parece positivo à primeira vista, mas esconde uma realidade menos animadora para a segunda maior economia industrial do país.

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É que esse avanço de 3,7% é nominal: ele soma o que a economia de fato produziu a mais com a variação de preços no período. Quando se descontam os efeitos da inflação e se mede apenas o volume de bens e serviços efetivamente gerado, o cenário se inverte. Em termos reais, o PIB mineiro encolheu 0,7% na comparação interanual (1º trimestre de 2026 contra 1º trimestre de 2025).

A diferença entre os dois indicadores é o tipo de detalhe que separa uma leitura apressada de uma análise correta e, neste trimestre, ela faz toda a diferença.

O que derrubou o resultado: o campo

O grande responsável pelo recuo foi a agropecuária, que registrou contração real de 15,6% no trimestre. Segundo a FJP, o desempenho reflete uma colheita menor de soja, arroz e sorgo, somada à paralisação na fabricação de papel e celulose, que afetou diretamente a produção florestal do estado.

Há ainda um agravante técnico: a queda na produção não veio acompanhada de uma redução equivalente no uso de insumos. Na prática, o produtor seguiu gastando em ritmo parecido enquanto colhia menos, o que comprimiu de forma desproporcional as margens de valor adicionado do setor.

No primeiro trimestre, o valor adicionado bruto (VAB) da agropecuária foi estimado em R$ 23,5 bilhões, contra R$ 64,7 bilhões das indústrias e R$ 160,1 bilhões dos serviços, que seguem como o motor da economia mineira.

Mineração segura a indústria; serviços resistem

Nem tudo foi negativo. Dentro da indústria, a extrativa mineral cresceu 4,1% no comparativo interanual, ajudando a sustentar o setor. O contraponto veio dos demais ramos industriais:

  • Indústria de transformação: leve queda de 0,3%;
  • Serviços industriais de utilidade pública (água, eletricidade, gestão de resíduos): recuo de 2,2%;
  • Construção: contração de 3,7%.

Já os serviços, que respondem pela maior fatia da economia, avançaram 1,5% frente ao mesmo trimestre de 2025. O resultado, no entanto, não foi suficiente para neutralizar o tombo do agronegócio, e o conjunto fechou no vermelho.

No ano, ainda há fôlego

Olhando para um horizonte mais longo, o quadro é mais favorável. No acumulado de 12 meses, de abril de 2025 a março de 2026, o PIB de Minas Gerais cresceu 0,8% em termos reais. Nesse recorte, os resultados positivos da agropecuária, da indústria extrativa, do comércio e transportes, de outros serviços e da administração pública mais do que compensaram as retrações nos serviços de utilidade pública e na construção.

Em valores nominais, o PIB acumulado nesses quatro trimestres alcançou R$ 1,167 trilhão, com expansão nominal de 6,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Entenda os números

PIB nominal x PIB real – O PIB nominal mede a produção a preços correntes, ou seja, embute a inflação. Quando os preços sobem, o número cresce mesmo que a quantidade produzida fique igual ou caia. O PIB real desconta essa variação de preços e revela se a economia de fato produziu mais. É por isso que Minas pode ter um avanço nominal de 3,7% e, ao mesmo tempo, uma queda real de 0,7%.

Valor adicionado bruto (VAB) – É a riqueza efetivamente gerada por cada setor (agropecuária, indústria e serviços), calculada a preços básicos, antes da soma dos impostos sobre produtos. A soma dos VABs mais esses impostos resulta no PIB.

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