O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) recebeu, na última segunda-feira (16), mais um reconhecimento do mercado financeiro internacional. A agência de classificação de risco Moody’s Investors Service elevou o rating de emissor do BDMG na escala global para ‘Ba3’, de ‘B1’, com perspectiva estável.
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A decisão representa um salto de dois degraus em menos de dois anos: em outubro de 2024, a mesma agência havia elevado o rating do banco de ‘B2’ para ‘B1’, mantendo a perspectiva positiva. A nova nota ‘Ba3’ confirma esse avanço e estabiliza a perspectiva, indicando que a agência não antecipa novas mudanças no curto prazo.
O que significa o ‘Ba3’
Na escala da Moody’s, a nota ‘Ba3’ situa o BDMG no segmento especulativo, o mesmo em que se encontram a maioria dos bancos de desenvolvimento de países emergentes, mas já bem acima das classificações mais baixas do grupo. Para efeito de comparação, o soberano brasileiro ocupa posição próxima nessa mesma escala, o que sinaliza que a agência avalia o banco de forma competitiva em relação ao próprio risco-país.
Na prática, um rating mais elevado tende a facilitar captações no exterior em condições mais favoráveis, seja junto a bancos multilaterais, fundos de investimento ou mercado de capitais internacional. Isso pode se traduzir em recursos mais baratos para o banco e, consequentemente, em melhores condições de financiamento para os tomadores finais, empresas, municípios e projetos de infraestrutura em Minas Gerais.
Uma trajetória consistente de upgrades
A elevação da Moody’s não veio de forma isolada. O BDMG vem acumulando melhoras nas avaliações de diferentes agências ao longo dos últimos anos. Em comunicado anterior sobre a diversificação de captações do banco, a Moody’s destacou que o BDMG tem conquistado amplo acesso a recursos de entidades multilaterais e de investidores do varejo.
Esse movimento reflete uma mudança estrutural na forma como o banco se financia. Em paralelo, a Moody’s reconhece o papel central do BDMG no programa de desenvolvimento econômico regional, considerado plenamente alinhado com os objetivos de seu controlador, o Estado de Minas Gerais.
Além da Moody’s, a Standard & Poor’s também vem revisando positivamente sua avaliação do banco. Em dezembro de 2025, a S&P mantinha o BDMG com rating ‘B+’ na escala global e ‘brA+’ na escala nacional, ambas com perspectiva estável.
Riscos que a agência aponta
Nem tudo são pontos positivos na avaliação. A Moody’s identifica como fatores de atenção a concentração da carteira por geografia e por tomador, o que representa risco maior para a qualidade dos ativos, além de uma rentabilidade pressionada em função do perfil de atuação do banco, típico de instituições de fomento, que operam com margens menores do que bancos comerciais.
A agência também registra riscos potenciais de governança corporativa ao longo do tempo, em função da concentração acionária no governo estadual e do elevado potencial de rotatividade na alta administração a cada troca de governo, uma característica estrutural de bancos públicos controlados por executivos eleitos.
Contexto: o que é o BDMG
Fundado em 1962, o BDMG é o banco de desenvolvimento do Estado de Minas Gerais. Sua missão institucional é fomentar o crescimento econômico do estado por meio de linhas de crédito voltadas a micro, pequenas, médias e grandes empresas, além de municípios. Entre os setores atendidos estão agronegócio, inovação, infraestrutura e projetos de sustentabilidade. O banco não opera com contas correntes nem com o público geral, seu foco é o crédito para o desenvolvimento produtivo e social de Minas Gerais.