Política

Brasil oferece ajuda humanitária à Venezuela após terremotos que deixaram 164 mortos

Ministério da Saúde mantém contato com autoridades venezuelanas para definir envio de insumos e equipes; país vizinho ainda não fez pedido oficial de socorro, enquanto líderes de todo o mundo manifestam solidariedade

4 min de leitura
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo brasileiro colocou à disposição da Venezuela equipes de saúde e insumos para ajudar o país vizinho a lidar com os efeitos dos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a região na quarta-feira (24). O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que afirmou estar em contato direto com o Ministério da Saúde venezuelano para tratar dos detalhes de uma possível cooperação.

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Segundo Padilha, as conversas começaram na noite de quarta-feira, por orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação nas redes sociais, o ministro disse que o Brasil já havia contatado tanto a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) quanto o ministério venezuelano para se colocar à disposição em caso de necessidade.

Apesar da oferta, a assessoria do Ministério da Saúde informou que a Venezuela ainda não fez um pedido oficial de ajuda, o que, na prática, significa que o envio de equipes e materiais depende de uma confirmação formal do governo venezuelano. Esse tipo de formalidade é comum em situações de desastre internacional, já que a entrada de equipes estrangeiras em território nacional costuma exigir autorização expressa das autoridades locais.

Atuação internacional coordenada

A Opas, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), já está presente no terreno, articulando a resposta junto às autoridades locais. O diretor da entidade, Jarbas Barbosa, explicou que o centro de operações de emergência da organização, em Washington, está apoiando os trabalhos e coordenando ações com a ONU e outros parceiros internacionais para atender às demandas mais urgentes da população afetada.

A mobilização brasileira não é um caso isolado. O terremoto gerou uma onda de solidariedade que reuniu chefes de Estado de diferentes continentes e alinhamentos políticos, sinal da gravidade do desastre. Manifestaram apoio e disposição de enviar ajuda os governos da França, do Irã, da Arábia Saudita, de Cuba, da Turquia, da China, da Índia, da Rússia, do Paquistão, da Itália, da Espanha, da Bolívia, do Chile, da Colômbia, da Argentina, do Peru, do México, do Panamá e dos Estados Unidos, entre outros países e blocos, como a União Africana e a União Europeia.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que seu governo já havia sido procurado para enviar pessoal especializado em resgate e assistência médica. Cuba, por sua vez, informou que profissionais de saúde cubanos já atuam diretamente no apoio às vítimas. Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que equipes de busca e resgate seriam mobilizadas, junto com recursos médicos e humanitários, anúncio reforçado pelo presidente Donald Trump, que disse ter instruído as agências do governo americano a se prepararem para agir rapidamente.

Mesmo a Guiana, país com quem a Venezuela mantém uma disputa territorial histórica pela região de Essequibo, colocou a rivalidade política em segundo plano diante da tragédia. O presidente guianense, Irfaan Ali, expressou solidariedade às famílias atingidas, gesto que foi publicamente agradecido pela presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Balanço de vítimas e impacto econômico

Os números oficiais, até o momento, registram 164 mortos e 970 feridos. No entanto, projeções do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que o total de vítimas pode chegar a dezenas de milhares, e que o impacto econômico do desastre pode representar entre 1% e 7% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano, uma estimativa que reflete a magnitude dos tremores e os danos a infraestrutura básica em diversas cidades do país, entre elas Caracas e La Guaira.

A diferença entre o número oficial de vítimas e as projeções do órgão americano ilustra um cenário ainda em apuração, comum nas primeiras horas após desastres de grande escala, quando equipes de resgate ainda trabalham para acessar áreas de difícil chegada e contabilizar com precisão os efeitos do terremoto sobre a população.

Diante desse quadro, a expectativa é que o apoio internacional, incluindo o brasileiro, se intensifique nos próximos dias, à medida que a Venezuela avalie suas necessidades mais urgentes e formalize os pedidos de assistência aos países que já manifestaram disposição para ajudar.

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