A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) apresentou um projeto de revitalização do Centro de BH que vai transformar o antigo complexo da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em um novo polo multiuso da cidade. A revitalização do Centro de BH prevê o reaproveitamento do terreno, localizado na rua Espírito Santo, 35, que está sem uso desde 2009, ano em que a faculdade se mudou para o campus Pampulha da UFMG.
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O investimento previsto para a obra é de R$ 150 milhões. A proposta prevê a requalificação de mais de 30 mil metros quadrados de área construída, com espaço para receber até 2,4 mil servidores municipais, além de áreas voltadas para comércio, serviços e atividades culturais.
Revitalização do Centro prevê preservação de prédios históricos
O plano de revitalização do Centro de Belo Horizonte mantém dois dos imóveis existentes no complexo. O Edifício Arthur da Costa Guimarães, voltado para a rua Espírito Santo, é tombado pelo patrimônio histórico e será preservado, passando por um retrofit que vai modernizar sua infraestrutura sem alterar as características originais da construção. O Edifício Álvaro da Silveira, voltado para a avenida do Contorno, também será recuperado e adaptado para os novos usos.
Um terceiro prédio do conjunto vai continuar sob gestão do governo federal. Já os demais imóveis existentes no terreno devem ser demolidos para dar lugar a uma praça e a um pátio interno, ampliando as áreas abertas ao público dentro do complexo.
A distribuição dos espaços seguirá uma lógica que separa o uso institucional do uso público. Nos pavimentos superiores dos prédios, a prioridade será abrigar as repartições da prefeitura. Já nos térreos e no segundo pavimento, a proposta é abrir espaço para comércio, serviços e atividades culturais, criando uma relação mais direta entre os edifícios e as ruas do entorno.
Projeto busca reverter esvaziamento da região central
O complexo da antiga Escola de Engenharia fica a cerca de 200 metros da Praça da Estação, em uma área conhecida como “Baixo Belô”, que registra baixa movimentação comercial em determinados horários do dia. A chegada de milhares de servidores ao local diariamente tem potencial para alterar essa dinâmica, aumentando o fluxo de pessoas na região e estimulando o comércio de bares, restaurantes e outros estabelecimentos próximos.
A iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações da prefeitura para tentar reverter a perda de moradores e a redução da atividade econômica na área central de Belo Horizonte. Nos últimos anos, o município tem investido em incentivos para o mercado imobiliário, incluindo estímulos à construção de novas moradias e ao retrofit de prédios ociosos na região.
O projeto não prevê a transformação do complexo em área habitacional. A proposta concentra-se na criação de um espaço público que combine funções administrativas com comércio e cultura, sem incluir unidades residenciais entre os novos usos planejados para o terreno.
Transferência do imóvel segue em fase de conclusão
O processo de transferência do complexo para a Prefeitura de Belo Horizonte começou depois que a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) repassou a guarda provisória do imóvel ao município. A cessão definitiva deve ser formalizada após o período eleitoral, conforme prevê o processo administrativo em andamento entre a União e a prefeitura.
A solicitação para a cessão dos prédios foi feita pela PBH à SPU ainda no fim de 2023, quando a administração municipal já cogitava instalar no local um conjunto de usos mistos. Até a formalização definitiva da posse, o projeto segue em fase de elaboração, com o detalhamento técnico das obras e dos valores de cada etapa da requalificação ainda em construção pela prefeitura.
A expectativa da administração municipal é que a revitalização do Centro por meio desse complexo funcione como um novo ponto de referência para a região central de Belo Horizonte, unindo serviço público, comércio e cultura em um mesmo espaço, décadas depois de o local ter sido usado como sede da Escola de Engenharia da UFMG.