Pais que possuem filhos matriculados em escolas particulares precisam preparar o bolso para o próximo ano de acordo com uma pesquisa nacional, à qual o Extra teve acesso. O levantamento realizado pela Meira Fernandes Contabilidade e Gestão aponta que 80,66% das instituições estimam correções entre 7% e 11%.
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O estudo foi realizado entre 11 de junho e 3 de agosto e ouviu instituições assessoradas pela consultoria. Ao todo, a carteira reúne cerca de 1.500 escolas, que somam aproximadamente 120 mil alunos. Participaram da pesquisa instituições de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Maranhão, Ceará e Roraima.
Quanto podem subir as mensalidades das escolas particulares
Entre as instituições consultadas, o percentual mais citado foi o reajuste entre 9% e 11%, previsto por 44,2% das escolas. Outros 36,46% indicaram que devem aplicar aumentos entre 7% e 9%.
Já 11,60% das instituições projetam uma correção entre 1% e 7%. Em uma parcela menor, 7,18% das escolas afirmaram que o reajuste pode superar 12%. Apenas 0,5% das instituições participantes não pretendem alterar os valores das mensalidades.
Os números, no entanto, não significam que todas as escolas particulares destes estados aplicarão os mesmos percentuais. O levantamento apresenta um “panorama” das expectativas das instituições consultadas e mostra a faixa de reajuste que vem sendo considerada para o próximo ano letivo.
Inadimplência pesa nas contas das escolas
Um dos principais fatores apontados pelas instituições para a necessidade de reajustar as mensalidades é o aumento da inadimplência. De acordo com a pesquisa, 51,93% das escolas registraram atrasos nos pagamentos entre 2% e 5% durante o primeiro semestre de 2026.
O percentual representa uma alta em relação ao mesmo período de 2025, quando 46,59% das instituições consultadas relataram esse nível de inadimplência. A pressão sobre o fluxo de caixa é um dos elementos considerados pelas escolas na definição dos valores cobrados das famílias.
Além dos atrasos nos pagamentos, as instituições também apontam a necessidade de realizar investimentos para manter a estrutura e ampliar os serviços oferecidos aos estudantes.
Educação inclusiva também aumenta os custos
Os investimentos necessários para garantir uma educação especial inclusiva aparecem entre os principais fatores de pressão sobre as despesas das escolas particulares. Essa questão foi mencionada por 35,9% das instituições participantes do levantamento.
A contratação de profissionais especializados também representa um custo relevante. Segundo a pesquisa, 16% das escolas citaram esse fator entre os motivos que influenciam a definição das mensalidades para o próximo ano.
Outro ponto envolve a adaptação ao ambiente digital. Entre as instituições pesquisadas, 6,08% relataram investimentos em áreas como revisão de documentos, capacitação, ferramentas digitais, comunicação com as famílias, prevenção ao cyberbullying, proteção de dados e adequação de procedimentos relacionados ao ECA Digital.
A consultoria responsável pelo levantamento avalia que a combinação entre aumento das despesas, necessidade de investimentos e maior inadimplência contribui para pressionar os valores das mensalidades para o próximo ano.
Quando as escolas particulares devem informar o reajuste
O levantamento também destaca que as escolas particulares podem reajustar as mensalidades uma vez por ano. As famílias devem ser comunicadas sobre o percentual com antecedência em relação ao período de matrícula.
Segundo as regras mencionadas na pesquisa, o novo valor deve ser informado com pelo menos 45 dias de antecedência em relação à data final para matrícula. Dessa forma, os responsáveis podem conhecer previamente o custo previsto para o próximo ano letivo antes de efetivar a renovação.