Economia Geral

Busca por crédito cresce entre empresas de Minas Gerais

Levantamento da Serasa Experian mostra Minas Gerais à frente de São Paulo na procura por empréstimos entre janeiro e junho.

3 min de leitura
Dinheiro representando a busca por crédito dos pequenos negócios em Minas.
Fonte: Banco de Imagens/Canva

A busca por crédito entre as empresas mineiras cresceu 10,2% no primeiro semestre deste ano, de acordo com levantamento da Serasa Experian. O resultado representa a maior alta entre os estados do Sudeste e a sétima maior do país, mesmo em um cenário de juros altos, que costuma encarecer os empréstimos e desestimular novas contratações.

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De acordo com o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian, Minas Gerais ficou à frente de São Paulo, que teve alta de 8,8%, do Espírito Santo, com 3,8%, e do Rio de Janeiro, que registrou queda de 3,2% no período.

Na comparação anual, o indicador também aponta crescimento no estado: de junho de 2025 a junho de 2026, a busca por empréstimo entre as empresas mineiras subiu 9,4%, somando alta de 10% no acumulado de 12 meses.

No cenário nacional, a procura por crédito também cresceu, com alta de 7,5% até junho. Entre os diferentes portes de empresa, as grandes companhias tiveram o maior avanço, também de 7,5%, seguidas pelas micro e pequenas empresas, com o mesmo percentual, e pelas médias empresas, que registraram alta de 4,7%.

Busca por crédito reflete necessidade de capital de giro

O resultado do indicador mostra um ambiente ainda desafiador para as empresas brasileiras. Mesmo diante de juros restritivos e de uma desaceleração da atividade econômica, o crédito segue tendo papel importante para sustentar as operações das empresas, principalmente para cobrir necessidades de capital de giro e organizar o fluxo de caixa.

Entre as micro e pequenas empresas, essa necessidade tende a ser ainda mais evidente, já que esses negócios costumam ter menos margem para equilibrar recebimentos e pagamentos e preservar a liquidez.

O crédito, nesse contexto, não se resume ao empréstimo bancário tradicional: antecipar recebíveis de vendas feitas no cartão, negociar prazos maiores com fornecedores ou recorrer a outras fontes de recurso para cobrir o caixa também são formas de financiamento usadas no dia a dia pelos pequenos negócios.

Nas micro e pequenas empresas, essa necessidade está diretamente relacionada ao capital de giro, recurso que mantém a operação funcionando enquanto a empresa aguarda o recebimento das vendas. Sem esse fôlego financeiro, fica mais difícil comprar produtos, pagar fornecedores e funcionários, o que pode comprometer a própria continuidade do negócio.

Mistura entre contas pessoais e empresariais aumenta necessidade de crédito

Outro fator que contribui para a busca por crédito entre os pequenos negócios é a dificuldade de separar as finanças da empresa das contas pessoais do empreendedor. É comum que o dono do negócio retire dinheiro do caixa da empresa para pagar despesas particulares, como aluguel ou plano de saúde, o que reduz os recursos disponíveis para a própria operação e amplia a necessidade de buscar recursos externos.

Antes de contratar um empréstimo empresarial, o pequeno empresário costuma recorrer a outras alternativas, como negociar prazos com fornecedores, antecipar recebíveis ou usar o cartão de crédito pessoal.

Somente depois de esgotar essas opções é que a maioria acaba buscando crédito diretamente em nome da empresa, o que ajuda a explicar por que as micro e pequenas empresas nem sempre lideram os rankings de procura por financiamento, apesar de terem uma necessidade frequente de recursos.

Há também uma diferença no destino desse dinheiro entre os portes de empresa. Enquanto negócios maiores costumam captar recursos para investimentos e projetos de expansão, as micro e pequenas empresas recorrem ao crédito, na maior parte das vezes, para manter o capital de giro e quitar dívidas já existentes, o que reforça o caráter mais emergencial dessas operações.

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