O Governo de Minas Gerais anunciou a criação de uma força-tarefa para equipar poços artesianos já perfurados no Norte do estado, com o objetivo de reforçar o abastecimento de água diante da possibilidade de agravamento da estiagem provocada pelo fenômeno El Niño.
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O anúncio foi feito em Montes Claros, durante encontro técnico na sede da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS), em parceria com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG).
A força-tarefa vai reunir as etapas de perfuração dos poços, instalação de equipamentos e fornecimento de energia elétrica, criando condições para que os investimentos já feitos pelas prefeituras realmente resultem em água disponível para as comunidades rurais do Norte de Minas.
Custo para equipar poços é o principal gargalo das prefeituras
O maior obstáculo enfrentado pelos municípios não está na perfuração dos poços, mas sim na etapa seguinte, de equipá-los para que comecem a funcionar. Muitas prefeituras conseguem arcar com os custos de perfuração, que giram em torno de R$ 30 mil, mas encontram dificuldade para reunir os recursos necessários para instalar bombas, painéis elétricos e outras estruturas, o que pode custar até R$ 100 mil por poço.
Esse valor elevado tem impedido que poços já perfurados comecem a abastecer as comunidades, mesmo com a estrutura básica pronta.
A força-tarefa criada pelo Governo de Minas busca justamente destravar essa etapa, concentrando esforços para que o dinheiro investido na perfuração não fique parado à espera de recursos para a instalação dos equipamentos.
A situação ficou ainda mais delicada neste ano com a redução da operação-pipa, que historicamente ajuda a abastecer comunidades isoladas durante períodos de seca mais intensos. Com menos caminhões-pipa disponíveis, cresce a responsabilidade das prefeituras em garantir água por meio de estruturas próprias, como os poços artesianos.
A queda na arrecadação de ICMS também tem reduzido a capacidade financeira dos municípios para bancar esse tipo de obra sozinhos.
El Niño aumenta preocupação com agricultura e pecuária em MG
Além do abastecimento de água para as famílias, o Governo de Minas também monitora os impactos do El Niño sobre a produção agrícola e a pecuária em diferentes regiões do estado. A Emater-MG foi mobilizada para avaliar os efeitos da estiagem nas lavouras e nas pastagens, já que atualmente apenas cerca de 15% do solo mineiro apresenta umidade considerada adequada.
Entre as principais preocupações estão a queda na produtividade das lavouras, a perda de qualidade das pastagens e os reflexos sobre a criação de animais, o que pode afetar diretamente a renda de famílias que dependem da atividade rural no Norte de Minas.
O Governo do Estado já distribuiu mais de 20 mil kits de irrigação a produtores rurais como parte das ações para ampliar a segurança hídrica no campo, além de avançar na autorização para a construção de estruturas de armazenamento de água em médios projetos agrícolas.
Estiagem prolongada também preocupa a área da saúde pública
A força-tarefa para equipar os poços integra um esforço mais amplo de preparação antecipada, já que um período prolongado de seca não afeta apenas a agricultura e o abastecimento de água, mas pode gerar consequências também na área da saúde pública. A antecipação das medidas é vista como uma forma de reduzir os prejuízos econômicos e sociais em caso de agravamento do quadro climático nos próximos meses.
O Norte de Minas conta atualmente com mais de mil poços artesianos perfurados na região, estrutura que a força-tarefa pretende aproveitar de forma mais eficiente.
A expectativa da AMAMS é que a articulação entre o Governo de Minas, os municípios e os órgãos de Defesa Civil continue avançando nos próximos meses, ampliando a segurança hídrica das comunidades mais vulneráveis à estiagem na região.