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PF combate contrabando de migrantes rumo aos EUA em MG

Operação Chiapas mira suspeito de enviar mais de 230 brasileiros aos Estados Unidos e resulta em bloqueio de R$ 24,3 milhões.

4 min de leitura
Policial Federal, responsável pela operação que desarmou esquema de contrabando de migrantes,
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (2/9) a Operação Chiapas, voltada ao combate ao contrabando de migrantes em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.

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O investigado é apontado como responsável pelo envio ilegal de mais de 230 brasileiros aos Estados Unidos entre 2021 e 2024, usando uma rota que passava pela América Central antes da entrada irregular em território americano.

Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, sendo nove deles voltados especificamente à apreensão de veículos que já estavam sob sequestro judicial.

A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 24,3 milhões em bens e valores ligados ao esquema. Durante a ação, um homem foi preso em flagrante por posse e porte ilegal de arma de fogo, e a equipe apreendeu documentos e aparelhos de telefone celular que agora passam por perícia.

Segundo a investigação, o esquema não se limitava a levar os migrantes até a fronteira. O suspeito organizava toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil por via aérea até a entrada irregular nos Estados Unidos, passando por países como Panamá e México.

Para movimentar o dinheiro recebido dos migrantes, a organização também recorria a empresas de fachada e mecanismos de lavagem, dificultando o rastreamento da origem dos valores.

Por que Governador Valadares é alvo recorrente desse tipo de esquema

Governador Valadares carrega, há décadas, uma forte tradição de emigração para os Estados Unidos, o que tornou a cidade um polo conhecido de organizações dedicadas ao contrabando de migrantes.

Nos últimos anos, a Polícia Federal já realizou diversas operações na região com o mesmo objetivo, incluindo casos em que grupos criminosos chegaram a agenciar centenas de pessoas de uma só vez, sempre usando rotas semelhantes que passam pela América Central antes de tentar a travessia da fronteira dos Estados Unidos.

Esses esquemas costumam cobrar valores elevados de cada família interessada em migrar, muitas vezes recebendo o pagamento em veículos, imóveis ou outros bens quando o dinheiro em espécie não está disponível.

Em troca, os organizadores prometem cuidar de toda a parte burocrática e logística da viagem, incluindo passagens, hospedagem e, em alguns casos, até a falsificação de documentos para simular a condição de turista durante o trajeto.

Os riscos por trás do contrabando de migrantes

Além do prejuízo financeiro, famílias que recorrem a esse tipo de esquema ficam expostas a riscos graves durante o trajeto, já que a travessia irregular pela América Central e pela fronteira dos Estados Unidos costuma envolver trechos percorridos a pé, em condições precárias e sem qualquer estrutura de segurança.

Há relatos frequentes de migrantes que sofrem violência, extorsão ou acidentes durante esse percurso, muitas vezes sem conseguir acionar ajuda pela própria situação de irregularidade em que se encontram.

O uso de empresas de fachada para lavagem de dinheiro, identificado também na Operação Chiapas, é outro ponto de atenção recorrente nesses esquemas, já que permite aos organizadores movimentar grandes quantias sem levantar suspeitas imediatas junto aos órgãos de fiscalização financeira.

Combate ao crime organizado segue como prioridade

Casos como o da Operação Chiapas reforçam a atuação contínua da Polícia Federal contra o tráfico de pessoas e o contrabando de migrantes na região de Governador Valadares, área que concentra parte significativa das investigações desse tipo no país.

A expectativa é que a análise dos documentos e telefones apreendidos ajude a identificar outros envolvidos no esquema, além de reunir mais provas sobre o volume de dinheiro movimentado e o número real de vítimas ao longo dos anos em que o suspeito teria atuado.

A investigação segue em andamento, e novas fases da operação podem ser deflagradas conforme o avanço da análise do material apreendido nesta quarta-feira.

Casos anteriores investigados na mesma região mostram que esquemas de contrabando de migrantes costumam funcionar de forma dividida em núcleos, cada um responsável por uma etapa específica, como captação de interessados, compra de passagens, reserva de hotéis e movimentação financeira.

Esse tipo de estrutura dificulta a identificação de todos os envolvidos logo na primeira fase de uma investigação, o que explica por que operações como a Chiapas costumam se desdobrar em novas etapas ao longo dos meses seguintes.

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