Geral

Pejotização atinge 5 milhões de trabalhadores no país

Levantamento aponta que 30% dos MEIs ativos hoje eram empregados com carteira assinada, e o tema já é discutido no STF e na disputa eleitoral de 2026.

4 min de leitura
Carteira de trabalho, algo que não é utilizado durante a 'pejotização'.
Foto: Pixabay

Um estudo do Ministério do Trabalho e Emprego mostra que a pejotização já atingiu 5 milhões de trabalhadores brasileiros desde 2022.

✅ Siga o nosso canal no WhatsApp

O levantamento identificou que cerca de 30% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos hoje no país eram trabalhadores com carteira assinada até se transformarem em pessoas jurídicas, o chamado regime PJ. Atualmente, o Brasil tem 16,75 milhões de pessoas registradas como MEI.

Pejotização é o nome dado à prática de contratar um profissional como se fosse uma empresa, em vez de registrá-lo como funcionário com carteira assinada.

Na prática, muitas dessas pessoas continuam trabalhando da mesma forma de antes, cumprindo horário fixo e prestando serviço para uma única empresa, mas sem os direitos garantidos pela CLT, como férias, décimo terceiro salário e recolhimento de FGTS.

Pejotização gera perda bilionária em arrecadação

O levantamento do Ministério do Trabalho mostra que a migração para o modelo PJ gerou uma perda estimada de R$ 105 bilhões em arrecadação entre janeiro de 2022 e julho de 2025.

Esse valor considera a queda na contribuição de empresas e trabalhadores para a Previdência Social, para o FGTS e para o chamado Sistema S, conjunto de entidades que oferece cursos e serviços para trabalhadores de diferentes setores.

O MEI foi criado em 2008 com o objetivo de formalizar trabalhadores autônomos e informais, mantendo uma contribuição previdenciária simplificada e reduzindo a burocracia para pequenos empreendedores.

Por padrão, o MEI recolhe ao INSS o equivalente a 5% do salário mínimo, valor considerado baixo para sustentar uma aposentadoria no longo prazo. Ao longo dos 15 anos de existência desse modelo, a contribuição feita pelos MEIs bancou o equivalente a apenas três anos de suas próprias aposentadorias.

A Reforma Trabalhista de 2017 passou a permitir que MEIs prestassem serviço para empresas, desde que atuassem como autônomos, sem subordinação.

Na prática, porém, o governo suspeita que boa parte dessas pessoas continua trabalhando de forma exclusiva para uma única empresa e com obrigação de cumprir horário, características mais próximas de um vínculo empregatício do que de uma prestação de serviço autônoma.

Discussão sobre a pejotização chegou ao STF

A validade desse tipo de contratação está sendo discutida pelo Supremo Tribunal Federal desde abril de 2025, quando o ministro Gilmar Mendes reconheceu a repercussão geral do tema, batizado de Tema 1.389. A decisão levou à suspensão de todos os processos sobre pejotização que tramitavam na Justiça do Trabalho no país.

Em junho deste ano, o ministro retomou parcialmente a tramitação dos casos que estavam nas varas trabalhistas e nos Tribunais Regionais do Trabalho, já que o acúmulo de processos parados estava prejudicando a produção de provas e o andamento de outras questões que não dependiam diretamente da decisão final do STF.

A suspensão, no entanto, segue valendo para os processos que já chegaram ao Tribunal Superior do Trabalho e ao próprio STF, que ainda não concluiu o julgamento do mérito do tema.

Estimativas da Receita Federal apontam que o país pode perder mais R$ 30 bilhões em arrecadação em 2027 caso a pejotização seja validada de forma ampla pela Justiça.

Tema entra no debate econômico e na disputa eleitoral

A pejotização também se tornou pauta da equipe econômica do governo federal, preocupada com o aumento do déficit previdenciário provocado pela migração de trabalhadores para o modelo PJ.

Uma das propostas em discussão é fazer com que empresas que adotam esse regime como regra passem a pagar uma contribuição extra à Previdência, como forma de compensar a ausência de trabalhadores registrados em CLT.

O tema também aparece na disputa eleitoral deste ano, com diferentes candidaturas defendendo caminhos distintos para lidar com o problema.

Enquanto parte do debate defende taxar mais as empresas que abusam da pejotização para financiar a Previdência, outra corrente argumenta que a arrecadação do país já é suficiente e que o problema estaria no volume de gastos públicos, sem defender novos aumentos de impostos sobre a contratação de trabalhadores.

Estudos acadêmicos também tentam dimensionar o impacto financeiro do fenômeno. Um levantamento da Fundação Getulio Vargas estima que, caso metade da força de trabalho hoje registrada em CLT passasse a atuar como MEI, a perda de arrecadação poderia chegar a R$ 384 bilhões por ano, valor que reforça o peso da pejotização nas contas públicas e no financiamento da seguridade social no Brasil.

Conteudos relacionados

Mina de Lítio em Minas Gerais.

Geral

Justiça paralisa mina de lítio em Minas Gerais; entenda por quê

Geral

Grupo de agência de modelos é preso em Juiz de Fora por suspeita de estelionato

Geral

Moradores de cidade mineira precisam deixar suas casas após quedas de rochas