Economia Geral

Intenção de compra de imóveis bate recorde mesmo com juros

Pesquisa da Brain Inteligência Estratégica mostra alta de 3 pontos percentuais no índice, que soma 52% no segundo trimestre de 2026.

4 min de leitura
Pessoa segurando casa em suas mãos, representando a intenção de compra de imóveis crescendo.
Foto: Banco de Imagens/Canva

A intenção de compra de imóveis no Brasil chegou a 52% no segundo trimestre de 2026, o maior nível já registrado desde o início da série histórica, em 2019.

✅ Siga o nosso canal no WhatsApp

O resultado é da pesquisa realizada pela Brain Inteligência Estratégica com abrangência nacional e representa um avanço de três pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, quando o índice estava em 49%.

O que explica o recorde na intenção de compra de imóveis

O dado chama atenção justamente por acontecer em um cenário de juros elevados, quando o custo do financiamento costuma pesar mais no bolso das famílias e influenciar diretamente o momento de fechar negócio.

Mesmo assim, a pesquisa mostra que a decisão de comprar um imóvel está ligada, principalmente, a mudanças de vida, e não apenas às condições de crédito disponíveis no mercado.

Sair do aluguel foi a motivação mais citada, apontada por 37% dos interessados em comprar um imóvel. Em seguida aparecem o desejo de deixar a casa dos pais, citado por 15%, a busca por mais espaço, com 14%, e a compra como forma de investimento, mencionada por 13% dos entrevistados.

Esses números reforçam que a formação de patrimônio e a busca por autonomia seguem entre os principais motivos que levam brasileiros a considerar a compra de um imóvel, mesmo em um cenário econômico mais desafiador.

Quem mais pretende comprar imóvel no país

O levantamento também traça um perfil por faixa etária, e o resultado mostra a Geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, como o grupo com maior apetite para a compra. Entre os mais jovens, a intenção saltou de 57%, em meados de 2025, para 67% em junho de 2026.

Na sequência aparecem a Geração Y, com 53%, e a Geração X, com 47%, enquanto os Baby Boomers registram a menor intenção entre todas as faixas etárias, de apenas 25%.

Por região, o Nordeste lidera o interesse nacional, com 59% das famílias planejando comprar um imóvel nos próximos meses. Centro-Oeste e Norte somam 53%, enquanto Sul e Sudeste aparecem com os menores percentuais, de 49% e 47%, respectivamente.

Já na análise por renda, o índice fica mais equilibrado entre os diferentes grupos, com destaque para quem ganha acima de R$ 20 mil por mês, faixa em que a intenção de compra chega a 58%.

Vendas de imóveis novos também avançam

Além da intenção declarada pelos entrevistados, os números de vendas efetivas também mostram crescimento.

Os Indicadores Imobiliários Nacionais, elaborados pela Brain a pedido da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, registraram 226.536 unidades comercializadas no primeiro semestre de 2026, alta de 5,4% sobre o mesmo período do ano passado.

Somente entre abril e junho, foram 113.676 unidades vendidas, avanço de 5,3% na comparação anual.

Esse desempenho, porém, não é uniforme entre as faixas de preço. O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por 51% das vendas registradas no segundo trimestre, o que mostra que boa parte do crescimento está concentrada em imóveis de faixas mais populares, com condições de financiamento facilitadas pelo próprio programa.

Financiamento ainda pesa mais para imóveis usados

Apesar do avanço geral no mercado, o cenário de crédito segue desigual entre os diferentes tipos de imóvel. A maior parte das operações de financiamento segue concentrada em imóveis usados.

Isso reforça que a expansão das vendas de imóveis novos não significa, necessariamente, que todas as faixas de preço encontrem as mesmas condições de demanda e acesso ao crédito imobiliário.

Esse descompasso ajuda a explicar por que, mesmo com a intenção de compra em alta histórica, uma parte considerável dos interessados ainda planeja a aquisição para um prazo mais longo: segundo a pesquisa, 68% das pessoas que pretendem comprar um imóvel pretendem fazer isso em até dois anos, o que diferencia claramente o interesse declarado da compra efetivamente concretizada no curto prazo.

O que o recorde representa para o mercado

O conjunto de dados divulgados em 2026 mostra um mercado imobiliário que segue aquecido mesmo diante de um cenário de juros altos, sustentado por fatores que vão além da taxa de financiamento, como mudanças familiares e a busca por patrimônio próprio.

Para o setor, esse comportamento reforça que entender o momento de vida de cada comprador é tão importante quanto acompanhar as condições de crédito na hora de planejar novos lançamentos e estratégias de venda.

Conteudos relacionados

Geral

Concurso de cupcakes é realizado com 89 crianças em Juiz de Fora

Mulher correndo, representando a busca por corridas e maratonas.

Geral

BH entra no top 5 de buscas por corridas e maratonas

Radar de velocidade média instalado em rodovia federal brasileira

Geral

ANTT suspende testes de radar de velocidade média em MG