De cada 100 empreendedores brasileiros em 2025, 35 tinham registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o que equivale a 10,7 milhões de pessoas. O percentual de empreendedores com CNPJ é o maior já registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desde o início da série histórica, em 2012, quando esse índice era de apenas 24%.
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Como evoluiu o número de empreendedores com CNPJ
Os dados fazem parte de uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada nesta quarta-feira (23/9) pelo IBGE.
O levantamento é feito desde 2012, com exceção dos anos de 2020 e 2021, quando a pandemia de covid-19 impossibilitou a coleta de dados.
A evolução foi gradual ao longo da década: em 2019, último ano antes da pandemia, a proporção estava em 29,3%. Em 2024, chegou a 33,6%, até alcançar os 35% registrados agora em 2025.
O crescimento reflete tanto mudanças no perfil da força de trabalho quanto o efeito de programas de formalização criados nos últimos anos.
O que diferencia empregadores de trabalhadores por conta própria
O IBGE divide os empreendedores em duas categorias: os empregadores, que têm pelo menos um funcionário contratado, e os trabalhadores por conta própria, que atuam sozinhos no próprio negócio.
Entre os empregadores, a taxa de formalização é bem mais alta, com 81,1% já registrados no CNPJ, patamar que se mantém estável desde 2019.
Já entre os trabalhadores por conta própria, a taxa de formalização chegou a 27,1% em 2025, o maior nível de toda a série histórica, mas ainda distante da realidade dos empregadores.
Em 2012, apenas 15% dos trabalhadores por conta própria tinham CNPJ, o que mostra um avanço expressivo nesse grupo ao longo dos últimos anos, mesmo que o percentual ainda seja considerado baixo pelo próprio instituto.
Escolaridade influencia diretamente a formalização
Um dos achados mais relevantes da pesquisa é a relação entre nível de instrução e taxa de registro formal. Pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com ensino superior, 50,8%, já tinham CNPJ em 2025.
Entre quem tem ensino médio completo ou superior incompleto, o índice foi de 29,7%, também acima da média geral do grupo.
Já entre trabalhadores com ensino fundamental completo e médio incompleto, a formalização caiu para 18,6%, e entre quem não tem instrução ou não completou o fundamental, o índice foi de apenas 11%.
Segundo analistas do IBGE, essa diferença ocorre porque grande parte do trabalho por conta própria é exercida por pessoas com menor nível de instrução, o que também costuma significar menos preparo para lidar com a burocracia envolvida na abertura de uma empresa.
MEI segue como principal porta de entrada para o CNPJ
O programa Microempreendedor Individual, o MEI, é apontado como um dos principais responsáveis por facilitar a formalização entre trabalhadores por conta própria.
A modalidade permite abrir uma empresa de forma simplificada, com pagamento de imposto facilitado e acesso a direitos previdenciários, como aposentadoria por idade, auxílio-doença e salário-maternidade.
Para se enquadrar como MEI, o trabalhador precisa atuar em uma atividade permitida pelo programa, ter no máximo um funcionário contratado, não ser sócio de outra empresa e faturar até R$ 81 mil por ano, com algumas exceções dependendo do ramo de atuação.
Esse modelo simplificado ajuda a explicar por que o CNPJ deixou de ser algo restrito a negócios maiores e passou a fazer parte da rotina de quem vende produtos, presta serviços ou trabalha por conta própria em pequena escala.
Setores com maior e menor formalização
Entre os cinco grandes grupos de atividade analisados pela pesquisa, o comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas lideram a formalização, com 36,7% dos empreendedores com CNPJ, seguidos pelo setor de serviços, com 33,5%.
Na outra ponta, a agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura têm o menor índice, de apenas 6,5%, refletindo a informalidade ainda predominante no campo.
Mesmo com o recorde histórico de 2025, o IBGE reforça que o patamar geral de formalização segue considerado baixo, já que 65% dos empreendedores brasileiros, quase 20 milhões de pessoas, ainda trabalham sem CNPJ, seja por falta de acesso à informação, dificuldades de escolaridade ou barreiras específicas de cada setor da economia.