Débora Vitória da Silva Messias, de 12 anos, moradora de Muriaé, na Zona da Mata mineira, foi convocada para integrar a primeira Seleção Brasileira de Capoeira.
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A convocação partiu da World Capoeira e da Confederação de Capoeira do Brasil (CCB), e a estreia da atleta pela seleção acontece no Campeonato Pan-Americano de Capoeira Competitiva, marcado para os dias 11 a 13 de dezembro, em Lima, no Peru.
Conhecida no meio esportivo como “Amazonas”, Débora começou a praticar capoeira ainda aos dois anos de idade, por influência do pai, Wellington José Messias, o mestre Bulinho.
A menina se tornou atleta competitiva há cerca de três anos e já soma resultados expressivos, incluindo o título de campeã mundial na categoria infantil do evento Volta ao Mundo Bambas, disputado em Brasília.
Capoeira é parte da rotina familiar em Muriaé
A prática da capoeira está presente no cotidiano da família de Débora. Além de acompanhar a filha nas competições, Bulinho também leciona a modalidade em um programa vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Nutricional e Habitação de Interesse Social de Muriaé.
A família integra ainda o Projeto Arte Capoeira, sob responsabilidade de Bulinho, e o grupo Sinhá Bahia de Capoeira, espaços onde Débora treina regularmente.
Antes da convocação para a Seleção Brasileira de Capoeira, a menina já vinha se destacando em competições internacionais organizadas pelo Volta ao Mundo Bambas, evento que promove a capoeira em formato competitivo e que tem contrato recentemente encerrado com a atleta.
Foi justamente nesse momento que veio a notícia da convocação para representar o país no torneio do Peru.
Família busca apoio financeiro para viagem ao Peru
A ida de Débora ao Campeonato Pan-Americano depende de recursos que a família ainda precisa reunir, já que a organização do evento não cobre despesas de passagem e hospedagem dos atletas convocados.
Para viabilizar a viagem, a família criou uma campanha de arrecadação on-line voltada a custear os gastos da competição no Peru.
Outra dificuldade enfrentada pela família é o acesso ao bolsa-atleta, programa municipal que já ajudou a custear a participação de Débora em competições anteriores, mas que não pode mais ser solicitado por causa do vínculo de Bulinho com a Prefeitura de Muriaé.
Some-se a isso o fato de a capoeira ainda não ser reconhecida oficialmente como esporte olímpico em muitas frentes de patrocínio, o que dificulta a busca por apoio financeiro de empresas e instituições para atletas da modalidade.
Capoeira busca mais reconhecimento como esporte competitivo
A capoeira reúne, ao mesmo tempo, elementos de cultura, luta e esporte, características que ainda geram desafios para o reconhecimento pleno da modalidade dentro do universo esportivo competitivo.
Atletas como Débora precisam de uma estrutura de apoio semelhante à de outros esportes, com acompanhamento de nutricionista, fisioterapeuta e outros profissionais, recursos que seguem escassos para grande parte dos capoeiristas competitivos do país.
Mesmo diante dessas dificuldades, a modalidade segue sendo oferecida de forma gratuita em diversos projetos sociais pelo Brasil, incluindo o trabalho conduzido por Bulinho em Muriaé, e conta com entidades como a Confederação de Capoeira do Brasil empenhadas em ampliar o reconhecimento e a estrutura oferecida à modalidade no país.
Menina de 12 anos representa outras crianças na capoeira
Apesar da rotina de treinos, viagens e competições, Débora segue frequentando a escola normalmente e mantendo hábitos de uma criança de 12 anos, sob os cuidados diretos do pai, que também atua como seu contramestre e treinador, acompanhando alimentação, estudos e tempo de uso de telas.
A família reconhece a existência de pressão relacionada às competições e às expectativas em torno da atleta, e trabalha para que esse aspecto seja conduzido com atenção desde cedo, embora Débora ainda não conte com acompanhamento psicológico especializado voltado a atletas.
Ao lado do pai, Débora é descrita como uma criança tranquila mesmo em meio à rotina de eventos e ao destaque conquistado no esporte.
A convocação para a Seleção Brasileira de Capoeira também é vista pela família como uma forma de inspirar outras crianças que praticam a modalidade, especialmente meninas que, historicamente, tiveram menos oportunidades de competir dentro da capoeira.