Minas Gerais deve produzir 33,4 milhões de sacas do tipo arábica na safra de café de 2026, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (9/9) pelo Sistema Faemg Senar, no Centro de Excelência em Cafeicultura, em Varginha.
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O número representa um crescimento de 32,5% em relação à produção registrada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2025, e também fica acima das próprias projeções mais recentes da Conab e do IBGE para o ciclo atual.
A pesquisa foi feita em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e coletou dados diretamente com cafeicultores durante o período de colheita, incluindo desde propriedades com menos de 2 hectares até fazendas com mais de 100 hectares.
A ideia foi reunir informações de produtores dentro e fora da assistência técnica e gerencial oferecida pelo próprio sistema, o que ajuda a evitar que a estimativa fique restrita apenas a quem já recebe algum tipo de acompanhamento.
Safra de café tem Sul de Minas como maior polo produtor
O Sul de Minas segue como a principal região da safra de café no estado, respondendo por cerca de 50% de toda a produção mineira. Em escala nacional, a região sozinha representa aproximadamente 30% de todo o café arábica produzido no Brasil, o que reforça seu peso dentro da cafeicultura do país.
A intenção do levantamento não é substituir dados de órgãos como Conab e IBGE, mas somar uma camada extra de informação obtida diretamente no campo.
A metodologia buscou reunir o maior número possível de variáveis produtivas existentes no estado, considerando diferentes tamanhos de propriedade e diferentes estágios da colheita, já que algumas fazendas ainda não tinham começado a colher enquanto outras já estavam em etapa avançada no momento da coleta de dados.
Contexto nacional também aponta crescimento recorde
O resultado positivo em Minas Gerais acompanha uma tendência observada em todo o país.
Segundo o segundo levantamento da Conab, divulgado em maio, a safra brasileira de café deve somar 66,7 milhões de sacas em 2026, o maior volume já registrado na série histórica da companhia, com alta de 18% sobre o ciclo anterior.
Só o café arábica deve alcançar 45,8 milhões de sacas em todo o Brasil, crescimento de 28% e a terceira maior marca da história para essa variedade.
Apesar da perspectiva de safra recorde, as exportações brasileiras de café ainda sentem o efeito de estoques mais baixos: entre janeiro e abril de 2026, os embarques somaram 11,5 milhões de sacas, queda de 22,5% frente ao mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, o Brasil fechou 2025 com recorde em valor exportado, US$ 16,1 bilhões, resultado do aumento expressivo no preço médio do produto no mercado internacional.
Produção maior exige planejamento no campo
Uma safra maior também traz um desafio direto para o produtor: decidir como se organizar diante desse cenário de crescimento. Entre as opções que passam a fazer parte do planejamento das propriedades estão ampliar a área plantada, investir em produtividade ou buscar redução de custos na condução da lavoura.
Tecnologias como drones, estações meteorológicas, mecanização e ferramentas de inteligência artificial já vêm sendo incorporadas à rotina de parte das fazendas.
No Sul de Minas, a agricultura regenerativa também ganha espaço, com práticas voltadas à conservação do solo, reaproveitamento de resíduos e maior eficiência ambiental dentro das propriedades produtoras de café.
Safra de 2027 ainda depende do clima
Mesmo com a perspectiva positiva para 2026, ainda não é possível estimar como será o próximo ciclo da safra de café em Minas Gerais.
O desenvolvimento das lavouras para 2027 depende de fatores como florada, pegamento e enchimento dos grãos, etapas que só se consolidam ao longo dos próximos meses.
O clima segue como principal fonte de incerteza para o setor. Desde 2021, a cafeicultura mineira enfrenta episódios de geadas, ondas de calor, chuvas irregulares e precipitações fora de época durante a colheita, fatores que podem alterar significativamente o resultado de uma safra de um ano para o outro.