As queimadas em Minas Gerais voltaram a acender o alerta das autoridades com a chegada do período de estiagem. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o estado registrou 658 focos de incêndio em vegetação apenas nos primeiros meses de 2026, volume que já representa 82% de todas as ocorrências contabilizadas ao longo de 2025, quando foram registrados 799 focos.
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O avanço dos incêndios preocupa não apenas pelos impactos ambientais, mas também pelos reflexos diretos sobre a infraestrutura e o fornecimento de energia elétrica. Com a redução das chuvas e a vegetação mais seca, especialistas alertam para um cenário de maior vulnerabilidade nos próximos meses, período historicamente marcado pelo aumento das queimadas no estado.
Diante desse cenário, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais reforçou as orientações para que a população evite o uso do fogo na limpeza de terrenos, não descarte bitucas de cigarro em áreas de vegetação e denuncie práticas irregulares que possam provocar incêndios.
Queimadas em Minas Gerais afetam mais de 500 mil consumidores de energia
Além dos prejuízos ambientais e dos riscos à saúde pública, as queimadas em Minas Gerais têm provocado impactos significativos no sistema elétrico. Segundo a Cemig, somente em 2025 foram registradas 769 ocorrências na rede de distribuição causadas por incêndios próximos a equipamentos elétricos.
As interrupções afetaram cerca de 536 mil clientes em diversas regiões do estado, comprometendo o funcionamento de residências, comércios, escolas, hospitais e serviços essenciais. De janeiro a abril deste ano, a concessionária contabilizou outras 36 ocorrências relacionadas a queimadas, que deixaram mais de 12 mil consumidores sem energia. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram registradas 12 interrupções, afetando aproximadamente cinco mil unidades consumidoras.
Incêndios podem causar danos graves à rede elétrica
De acordo com a Cemig, o fogo pode atingir diretamente estruturas fundamentais para a distribuição de energia, além do fato de a fumaça intensa agravar problemas respiratórios.
Segundo Ramon Cavalini Furiati, gerente do Centro de Operação da Distribuição da companhia: “Vários equipamentos – como postes, cabos e torres – podem ser danificados pelas chamas e isso torna o restabelecimento do serviço mais demorado. O volume alto de fumaça pode trazer sérios danos à saúde, principalmente nesta época do ano em que doenças respiratórias são mais comuns”, comenta.
Governo prepara plano para enfrentar avanço dos incêndios
Diante do crescimento das ocorrências, o Governo de Minas Gerais lançará na próxima segunda-feira (8) o Plano Estadual de Enfrentamento aos Incêndios Florestais 2026-2031.
A iniciativa pretende coordenar ações de prevenção, monitoramento, preparação e resposta aos incêndios em vegetação do estado nos próximos cinco anos. O objetivo é reduzir os impactos ambientais, proteger comunidades vulneráveis e minimizar prejuízos à infraestrutura estratégica do estado, incluindo o sistema elétrico.