A troca do sistema de regulação do SUS em Minas Gerais está gerando questionamentos e insatisfação. A Core Saúde MG, plataforma lançada em meados de maio para substituir o antigo SUSFácil, foi alvo de dois pedidos formais de informação aprovados nesta quarta-feira (24/6) pela Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Ambos foram apresentados pela vereadora Marcela Trópia (Novo), que cita relatos de dificuldades operacionais, lentidão nos processos de regulação e impactos no acesso de pacientes a leitos, consultas e procedimentos após a implantação do novo sistema.
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O que é a Core Saúde MG
A Core Saúde MG é a Central de Operações para Regulação Estadual, plataforma criada pelo governo de Minas para modernizar o gerenciamento dos fluxos assistenciais do SUS no estado. Isso inclui a regulação de leitos, transferências de pacientes, consultas especializadas e procedimentos de média e alta complexidade.
O sistema opera de forma integrada ao Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS) e ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), e conta com campos obrigatórios e protocolos assistenciais para organizar os dados clínicos, com o objetivo de qualificar as informações disponíveis para os médicos reguladores.
A substituição do SUSFácil, modelo anterior de regulação estadual, ocorreu com o argumento de permitir a troca de informações entre os sistemas de forma mais segura e automática. No entanto, relatos de gestores e prestadores de saúde apontam que a fase inicial de implantação foi marcada por problemas técnicos e operacionais.
Quais são as reclamações e o que a Câmara quer saber
Segundo a vereadora Trópia, as principais queixas envolvem lentidão no processamento de solicitações, dificuldades na comunicação entre unidades de saúde e centrais de regulação, atrasos na disponibilização e ocupação de leitos hospitalares, e fragilidades nos fluxos assistenciais que podem ter impactado o acesso dos pacientes a atendimentos.
“Diante dos relatos públicos de dificuldades operacionais durante a implementação do novo sistema, torna-se necessário compreender os desafios enfrentados, os resultados já alcançados, os impactos para pacientes e municípios e as medidas adotadas pela Secretaria de Estado de Saúde para assegurar a continuidade e a qualidade da assistência prestada à população mineira”, afirmou a parlamentar.
O que foi pedido ao Estado e à Prefeitura de BH
O primeiro requerimento, dirigido à Secretaria de Estado de Saúde, questiona qual o cronograma de implantação da Core Saúde MG em todo o estado, quais funcionalidades do SUSFácil foram mantidas ou substituídas, quais os objetivos que motivaram a troca, e qual o valor total investido na implantação — incluindo desenvolvimento, tecnologia, treinamento e suporte.
A comissão quer saber também se houve atrasos na regulação de procedimentos e que medidas corretivas foram adotadas. Já o segundo requerimento é endereçado ao prefeito Álvaro Damião e à Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) de BH.
Dado que a capital concentra parte significativa da assistência de média e alta complexidade do estado, recebendo pacientes de diversas regiões, os vereadores querem saber como a transição para a Core Saúde MG impactou a rede municipal, se houve período de operação paralela com o SUSFácil, se foram registrados cancelamentos ou atrasos em procedimentos e internações, e qual a avaliação geral da SMSA sobre a implantação do sistema até o momento.