Economia Geral

Data centers em Minas Gerais ganham força e podem atrair novos investimentos

Regime especial Redata impulsiona investimentos bilionários e coloca o Norte do estado entre as regiões que podem receber novos centros de processamento.

4 min de leitura
Parte de dentro de data centers em Minas Gerais, meramente ilustrativo.
Foto: Banco de Imagens/Canva

O crescimento acelerado da inteligência artificial está transformando data centers em Minas Gerais em um dos temas mais discutidos da economia do estado.

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Com a demanda cada vez maior por processamento, armazenamento e transmissão de dados, esse tipo de estrutura deixou de ser algo restrito aos grandes polos tecnológicos e passou a disputar espaço também em regiões do interior, como o Norte mineiro.

Por que os data centers em Minas Gerais ganharam força

Um data center é, em termos simples, um grande espaço físico com servidores e equipamentos responsáveis por armazenar e processar dados usados por empresas, aplicativos e serviços de internet.

Com o avanço da inteligência artificial, esse tipo de estrutura passou a exigir muito mais capacidade de processamento do que há alguns anos, já que treinar e operar sistemas de IA consome uma quantidade enorme de dados em tempo real.

Esse cenário abriu espaço para que regiões fora dos centros tradicionais, como São Paulo, também entrassem na disputa por esse tipo de investimento.

O Norte de Minas Gerais aparece entre as áreas que reúnem condições consideradas atrativas para receber esse tipo de empreendimento, o que explica o interesse crescente do setor pela região nos últimos meses.

O que é o regime Redata e por que ele importa

Parte importante desse movimento está ligada ao Redata, regime tributário especial criado pelo governo federal para estimular a instalação de data centers no país.

O programa oferece benefícios fiscais, como suspensão ou isenção de alguns impostos federais na compra de equipamentos sem produção nacional equivalente, tornando a instalação desse tipo de estrutura mais barata para as empresas interessadas.

Segundo estimativas do setor, essa nova fase de incentivos pode atrair até R$ 1,5 trilhão em investimentos para o Brasil nos próximos anos, um volume que reforça o interesse de grandes empresas de tecnologia em ampliar sua presença no país, incluindo estados que até pouco tempo atrás não apareciam no radar desse tipo de negócio.

O que Minas Gerais tem a oferecer para esse mercado

Para atrair data centers, uma região precisa reunir alguns fatores considerados essenciais pelo setor, como disponibilidade de energia elétrica, espaço físico amplo, boa infraestrutura de conexão de internet e clima favorável para o resfriamento dos equipamentos, que costumam gerar bastante calor durante o funcionamento.

Minas Gerais reúne parte dessas condições, especialmente em regiões com matriz energética diversificada e terrenos disponíveis para grandes empreendimentos.

A chegada de data centers para uma região costuma gerar empregos na fase de construção e, depois, postos de trabalho mais técnicos ligados à operação e manutenção da estrutura, além de movimentar a economia local por meio de impostos e da contratação de serviços de apoio.

Investimentos também aparecem em outras frentes do estado

O avanço da tecnologia não é o único movimento econômico recente em Minas Gerais. A mineradora Samarco, responsável pela operação em parceria com a Bacia do Rio Doce, repassou R$ 421 milhões a 45 municípios da região, valor que corresponde à primeira parcela de um acordo voluntário de R$ 2,1 bilhões firmado com as prefeituras locais.

Os recursos serão usados em projetos definidos pelos próprios municípios, em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

O estado também segue forte no agronegócio, com destaque para a cidade de Patrocínio, reconhecida oficialmente como a maior produtora de café do Brasil, resultado do clima favorável do Cerrado Mineiro e da alta tecnologia usada na colheita.

No setor de logística, a expansão de empresas do ramo no interior do estado também reforça o momento de investimentos que passa por diferentes áreas da economia mineira.

O que esperar para os próximos meses

Com o avanço do Redata e o interesse crescente de grandes empresas por infraestrutura de dados, a expectativa é que novos projetos de data centers em Minas Gerais sejam anunciados nos próximos meses, especialmente em regiões que conseguirem oferecer condições competitivas de energia e espaço.

Caso esses investimentos se confirmem, o estado pode consolidar uma nova frente econômica, somando-se a setores já tradicionais, como a mineração e o agronegócio, na geração de renda e empregos para a população mineira.

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