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Professora relata denúncia de racismo em padaria de BH

Rosália Diogo, de 62 anos, diz ter sido impedida de deixar o local mesmo apresentando comprovante de pagamento da compra

3 min de leitura
Professora que fez denuncia de racismo em padaria de BH.
Fonte: Reprodução

Uma denúncia de racismo em padaria de Belo Horizonte tomou repercussão nas redes sociais nos últimos dias. A professora e pós-doutora em Antropologia Afro-Brasileira Rosália Diogo, de 62 anos, relatou ter sido abordada por funcionários do Supermercado e Padaria Mania Gostosa, na Avenida Afonso Pena, no Centro da capital, no último domingo (16).

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Segundo relato da professora, ela havia acabado de pagar as compras, incluindo uma garrafa de vinho, quando foi abordada já na calçada por dois funcionários do estabelecimento. Um deles teria afirmado tê-la visto pegando a garrafa sem pagar, mesmo depois de ela apresentar a nota fiscal com o item registrado.

Detalhes da denúncia de racismo em padaria

Mesmo com o comprovante em mãos, o funcionário não teria conferido o documento e continuou pedindo que a professora abrisse a bolsa. Ela se recusou e permaneceu no local até a chegada de uma viatura policial. Segurança e gerência ainda solicitaram acesso às imagens das câmeras para confirmar se havia furto, e a liberação só ocorreu depois dessa verificação.

Em vídeo publicado nas redes sociais, a professora relatou ter ficado abalada emocionalmente com a situação e classificou o episódio como um exemplo de racismo estrutural, já que a acusação persistiu mesmo diante de provas de que nenhuma irregularidade havia sido cometida.

O boletim de ocorrência foi registrado na segunda-feira (17), e o caso é apurado pela Polícia Civil de Minas Gerais, que confirmou a investigação e informou que nenhuma das partes foi conduzida à delegacia no momento do episódio.

O que diz a padaria envolvida no caso

Em nota, a padaria afirmou não tolerar qualquer tipo de discriminação e informou manter protocolos de atendimento aplicáveis a esse tipo de situação.

Como medida de cautela, os funcionários envolvidos no episódio foram afastados preventivamente enquanto a apuração interna estiver em andamento. A empresa também disse que já se manifestou diretamente com a cliente e que segue à disposição para prestar esclarecimentos.

Rosália confirmou que um advogado da empresa entrou em contato com ela para pedir desculpas pelo ocorrido. Ela é reconhecida por seu trabalho de valorização da cultura afro-brasileira, atua como professora titular da rede municipal de educação de Belo Horizonte e já recebeu, em 2014, o Prêmio Crearmundos, concedido em Barcelona, por sua contribuição à área.

O que diz a lei sobre casos assim?

Casos de acusação infundada de furto contra clientes negros, mesmo diante de comprovante de compra, costumam ser enquadrados na Justiça como injúria racial, prevista na Lei nº 7.716/1989, com as alterações trazidas por uma mudança na legislação em 2023.

Desde então, a pena para esse tipo de crime passou a ser equiparada à do racismo, com reclusão de dois a cinco anos, sem possibilidade de fiança, justamente por reconhecer o impacto desse tipo de abordagem na vida das vítimas.

Situações semelhantes de denúncia de racismo em padaria já foram registradas em outras cidades de Minas Gerais nos últimos meses, como em Governador Valadares, o que reforça um debate recorrente sobre o tratamento de clientes negros em estabelecimentos comerciais do estado e a necessidade de treinamento adequado das equipes de segurança e atendimento.

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