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Mudou a regra: veja quem poderá doar sangue em MG

Norma nacional reduz espera para tatuagem, piercing e outras situações, com vigência prevista para outubro.

4 min de leitura
Pessoa tatuada no processo de doar sangue.
Fonte: Banco de Imagens/Canva

Quem pretende doar sangue em Minas Gerais vai passar a contar com prazos de espera bem menores em diversas situações. O Ministério da Saúde publicou a Portaria GM/MS nº 11.685/2026, que traz novas regras para doação de sangue em todo o país, com entrada em vigor prevista para outubro, 90 dias após a publicação oficial em julho.

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A rede Hemominas, responsável pelos hemocentros do estado, também vai aplicar as mudanças definidas pelo novo regulamento técnico da hemoterapia.

A atualização é a primeira revisão estrutural das regras de doação em 12 anos e busca equilibrar dois objetivos: aumentar o número de pessoas aptas a doar e manter a segurança das transfusões, tanto para quem doa quanto para quem recebe o sangue.

O que muda nas novas regras para doar sangue?

Uma das alterações mais esperadas envolve pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva ou procedimentos estéticos, como botox, preenchimento e microagulhamento. Antes, o período de espera nesses casos podia chegar a um ano.

Com a nova regra, a doação poderá ser feita em apenas sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em um local que siga as normas de segurança sanitária, comprovadas pelo registro do estabelecimento. Quando não for possível fazer essa comprovação, o prazo sobe para quatro meses, ainda assim bem menor do que o exigido atualmente.

Para quem colocou piercing na boca ou na região genital, a doação segue proibida enquanto o acessório estiver no corpo, mas passa a ser liberada quatro meses depois da retirada.

Outras situações que hoje pedem seis meses de espera, como ter feito endoscopia, colonoscopia ou usado anabolizantes sem prescrição médica, caem para quatro meses.

Idosos poderão continuar doando sangue

Outra novidade da portaria elimina o limite máximo de idade para doadores regulares. Até agora, mesmo quem doava com frequência precisava parar ao completar 70 anos.

Com a nova regra, essas pessoas poderão continuar doando, desde que passem por avaliação clínica em cada visita e respeitem os intervalos definidos para a faixa etária. A mudança leva em conta o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população brasileira.

A liberação não é automática: cada caso segue sendo avaliado individualmente pela equipe de triagem do hemocentro no momento da doação.

Outras situações que mudam com a nova portaria

A norma também revisa critérios que hoje levam à inaptidão definitiva. Quem morou por mais de cinco anos na Europa, por exemplo, deixa de ser automaticamente impedido de doar por causa do risco relacionado à variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, associada à doença da vaca louca.

A situação passa a ser avaliada individualmente na triagem clínica, assim como o histórico ligado a comportamentos classificados como de risco, cujo prazo de espera cai de um ano para quatro meses.

Pessoas que já passaram por cirurgia bariátrica também ganham uma nova chance: antes, a condição impedia a doação de forma permanente, mas agora será possível voltar a doar depois de seis meses, desde que não haja complicações e a saúde esteja em boas condições.

A portaria ainda incorpora um novo exame, o NAT Plus, desenvolvido pela Fiocruz, que passa a detectar HIV, hepatites B e C e o parasita causador da malária diretamente nas bolsas de sangue. Com esse avanço, quem esteve em áreas endêmicas de malária ou em regiões de mata e floresta poderá doar em 30 dias, e não mais depois de um ano, como ocorre hoje.

Estoques de sangue seguem sendo um desafio em Minas

Apesar da flexibilização dos critérios, a necessidade de doadores continua sendo constante nos hemocentros de Minas Gerais. Componentes como as plaquetas têm validade de apenas cinco dias, o que exige reposição frequente independentemente do tipo sanguíneo.

A expectativa da atualização das novas regras para doação de sangue é justamente ampliar o número de pessoas aptas a doar, reduzindo impedimentos que hoje afastam voluntários por prazos considerados longos demais para o risco real envolvido.

O Brasil registrou 3,2 milhões de coletas de sangue em 2025, uma taxa de aproximadamente 15 doações a cada mil habitantes, quase metade do que recomenda a Organização Mundial da Saúde, que estabelece uma média ideal de 30 doações por mil habitantes.

Em Minas Gerais, assim como no restante do país, a manutenção dos estoques depende diretamente da adesão da população às campanhas de doação ao longo do ano, o que torna a simplificação dos critérios uma ferramenta importante para atrair novos doadores nos próximos meses.

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