O fundo britânico Appian Capital Brasil vai colocar R$ 700 milhões na produção de grafite no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A iniciativa, conduzida pela Graphcoa, empresa do grupo, acaba de concluir o Estudo de Viabilidade Definitivo do Projeto Grafite Jordânia.
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Numa bateria de carro elétrico com 130 a 150 quilos, 50 quilos são de grafite, um terço do total. É esse mineral que o projeto vai produzir em Jordânia, com capacidade projetada de mais de 50 mil toneladas anuais, 95% de pureza e reservas para mais de 50 anos de operação.
O projeto ainda depende da emissão das licenças ambientais e da decisão final de investimento. As obras estão previstas para o segundo semestre de 2027 e a operação comercial, para o segundo semestre de 2029. No pico das obras, o empreendimento deve gerar 800 postos indiretos e 600 diretos.
O grafite mineiro que não vai para a China
A China responde por cerca de 80% do grafite concentrado no mundo e por quase toda a produção de grafite anódico, com 98% do total. Esse é o material já processado para uso em baterias. O Brasil extrai hoje 65 mil a 70 mil toneladas anuais do mineral. Com o projeto em Jordânia, o que o país produz hoje pode quase dobrar, segundo a empresa.
O foco comercial do grupo é o Ocidente, não a China, que já lidera a produção global. “A adoção de carros elétricos vai aumentar significativamente a demanda”, disse Ricardo Alves, diretor executivo da Graphcoa, em entrevista à Exame. Ele afirmou que o destino será o mercado norte-americano e europeu.
A Graphcoa já realizou oito exportações de grafite concentrado para os EUA e o Canadá a partir de uma planta-piloto construída na Bahia, onde 30 mil toneladas de minério foram processadas para testar o produto com compradores interessados.