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Minas Gerais vê disparar o empreendedorismo sênior

Estado passa de 346 mil para 539,1 mil donos de negócios com 60 anos ou mais em dez anos, segundo levantamento do Sebrae.

4 min de leitura
Homem de terceira idade, representando o crescimento do empreendedorismo sênior.
Foto: Banco de Imagens/Canva

O número de empreendedorismo sênior cresceu 55,8% na última década. Em 2016, eram 346 mil donos de negócios nessa faixa etária em Minas Gerais.

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Em 2026, esse número chegou a 539,1 mil, um avanço de cerca de 193 mil novos empreendedores. Os dados são de um levantamento do Sebrae, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.

O crescimento do empreendedorismo sênior em Minas Gerais ganha destaque às vésperas do Dia Nacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro. Atualmente, esse público representa cerca de 16,3% dos 3,3 milhões de donos de negócios do estado.

Empreendedorismo sênior já soma 539 mil negócios em Minas Gerais

No cenário nacional, o Brasil tem hoje cerca de 4,5 milhões de donos de negócios com 60 anos ou mais, de um total de 30,4 milhões de empreendedores no país.

Minas Gerais aparece como o segundo estado com maior concentração desse público, atrás apenas de São Paulo e à frente do Rio de Janeiro, dentro do grupo de estados do Sudeste, que juntos reúnem quase metade de todos os empreendedores seniores do Brasil.

Serviços, agropecuária e comércio concentram os negócios 60+

O setor de Serviços é o que mais atrai empreendedores seniores em Minas Gerais, concentrando 35,2% desse público. Em seguida aparecem a Agropecuária, com 23,2%, e o Comércio, com 18,6%. O levantamento também mostra a diversidade desse grupo: 27% são mulheres e 47,9% se declaram pretos ou pardos.

A renda gerada por esses negócios tem peso relevante dentro de casa. Entre os empreendedores seniores mineiros, 69,6% são chefes de domicílio, o que reforça a importância econômica dessa atividade para a própria família.

Em relação à formalização, 31,7% possuem CNPJ ativo, abaixo da média nacional de cerca de 29%.

Maioria empreende por oportunidade, não por necessidade

A edição mais recente da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, realizada pelo Sebrae em parceria com a Associação Nacional de Estudos e Pesquisas em Empreendedorismo, trouxe pela primeira vez um recorte específico para empreendedores de 65 a 74 anos.

O resultado mostrou que esse grupo empreende principalmente por oportunidade: quase 63% dos entrevistados dessa faixa etária abriram o próprio negócio depois de identificar uma chance de mercado, enquanto cerca de 32,5% fizeram isso por necessidade.

Esse padrão ajuda a explicar por que os negócios liderados por empreendedores seniores costumam ter resultados financeiros melhores do que os da média geral.

Levantamentos do Sebrae mostram que empresários com 60 anos ou mais chegam a ter renda 41% maior do que a de empreendedores mais jovens, e que a formalização na terceira idade pode até triplicar a renda em comparação à informalidade.

Formalização ainda é desafio entre os empresários mais velhos

Apesar do crescimento expressivo, a informalidade segue como um dos principais desafios do empreendedorismo sênior.

Em levantamentos nacionais recentes, mais de 70% dos empreendedores com 60 anos ou mais ainda não possuem CNPJ ativo, e a contribuição ao INSS alcança menos de um terço desse grupo.

Regularizar o negócio costuma abrir caminho para crédito, benefícios previdenciários e maior segurança financeira no longo prazo, especialmente para quem depende dessa renda como fonte principal.

Minas Gerais acompanha tendência nacional de crescimento

O avanço do empreendedorismo sênior em Minas Gerais segue uma transformação demográfica que já afeta todo o país. O Brasil caminha para se tornar, até 2030, a quinta nação do mundo com a maior população de pessoas com 60 anos ou mais, o que deve impulsionar ainda mais a presença desse público na economia e no mercado de trabalho nos próximos anos.

Para quem pensa em empreender nessa fase da vida, a experiência profissional acumulada ao longo de décadas costuma pesar a favor na hora de identificar oportunidades e tomar decisões mais consistentes.

Ainda assim, especialistas do setor reforçam que buscar capacitação, acompanhar novas tecnologias e entender as mudanças no comportamento do consumidor continuam sendo passos importantes para manter o negócio competitivo e garantir sua sustentabilidade ao longo do tempo.

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