O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), confirmou nesta quarta-feira (16) que o ex-diretor da Cemig SIM Rubens Soalheiro deve ser investigado pela Polícia Civil.
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Ele foi demitido em agosto após indícios de irregularidades no braço de energia fotovoltaica da estatal mineira, com ligações apontadas a empresas de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Segundo o governador, o trabalho do governo neste momento é apurar eventual prejuízo financeiro para tentar reaver os valores envolvidos, enquanto a parte criminal fica a cargo da Polícia Civil, sem interferência do Palácio Tiradentes.
Ele afirmou ainda que duas auditorias, uma interna e uma externa, estão em andamento na Cemig SIM e devem ser concluídas ainda em setembro, quando o governo deve apresentar um parecer final sobre a situação da empresa.
Quem é o ex-diretor da Cemig SIM no centro da investigação
Rubens Soalheiro de Oliveira Matos assumiu a diretoria comercial da Cemig SIM, subsidiária da Cemig voltada à geração compartilhada de energia solar, em dezembro de 2024.
Ele chegou ao cargo por indicação ligada ao PP, mesmo grupo político do ex-secretário de Estado Marcelo Aro.
A suspeita é de que Soalheiro tenha facilitado a aproximação entre a Cemig SIM e a Green Investimentos, empresa do setor de energia renovável presidida por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
Esse tipo de conexão teria ajudado a montar uma estrutura de negócios em geração distribuída de energia solar favorecida por facilidades dentro da própria estatal.
O tamanho do esquema de energia solar investigado
Segundo levantamentos citados nas investigações, cerca de 60 sociedades ligadas a usinas fotovoltaicas de geração distribuída em Minas Gerais teriam relação com empresas administradas por pessoas próximas a Daniel Vorcaro.
Estimativas apontam que ele e familiares chegaram a deter cerca de 160 MWp em ativos de geração solar no estado, avaliados em aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
O caso ganhou ainda mais repercussão depois que o deputado federal Rogério Correia (PT) pediu à Procuradoria-Geral da República a abertura de uma investigação envolvendo Daniel Vorcaro, o senador Ciro Nogueira, o ex-secretário Marcelo Aro e o próprio Rubens Soalheiro, citando uma possível teia de relações entre empresários, agentes políticos e dirigentes de uma estatal.
Cemig rompeu contratos e demitiu diretor
Diante do avanço das investigações da Polícia Federal, a Cemig informou que encerrou, em maio, todos os contratos mantidos com as empresas citadas no caso e, em agosto, confirmou a demissão de Soalheiro.
Em nota, a companhia destacou apenas que o diretor foi desligado e não integra mais os quadros da Cemig SIM.
Segundo o governador Mateus Simões, uma auditoria interna já indicou que não haveria prejuízo financeiro para a estatal, já que os contratos suspeitos foram rompidos antes de gerar impacto.
Mesmo assim, o governo optou por contratar uma auditoria externa independente para confirmar essa conclusão antes de encerrar o caso.
O que pode acontecer a partir de agora
Com a Polícia Civil mineira devendo formalizar a investigação sobre Soalheiro, o caso deve avançar em paralelo às apurações da Polícia Federal sobre o colapso do Banco Master e aos desdobramentos políticos envolvendo nomes do PP em Minas Gerais.
A conclusão das duas auditorias, prevista para setembro, deve mostrar com mais clareza se houve ou não prejuízo direto aos cofres da Cemig e que caminho a investigação deve seguir a partir daí.