O ferro-gusa de Sete Lagoas está fora da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgou a lista definitiva de isenções na quarta-feira (15). A cobrança entra em vigor em 22 de julho.
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Maior fornecedor de ferro-gusa para o mercado americano, Sete Lagoas fica a cerca de 70 km de Belo Horizonte e é um dos principais polos produtores do país. O produto é a matéria-prima usada para fabricar aço.
A sobretaxa faz parte do tarifaço decretado pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros. A medida abrange milhares de itens, mas abriu exceções para produtos dos quais a indústria americana depende.
Na proposta de junho, o ferro-gusa não constava na lista. A ausência mobilizou parte da indústria siderúrgica americana, que viu na tarifa uma ameaça direta ao custo de fabricação do aço.
Ferro-gusa de Sete Lagoas e a dependência americana
A Steel Dynamics e a SMA (Steel Manufacturers Association) levaram o tema às sessões públicas do USTR e pediram formalmente a inclusão do produto na lista final. O argumento das duas entidades era o de que as siderúrgicas americanas que produzem ferro-gusa usam quase tudo internamente e não vendem para outros fabricantes.
O USTR acatou os argumentos. O órgão registrou que pelo menos 95% do ferro-gusa gerado internamente nos EUA nunca sai das usinas que o produzem. A análise também apontou a escassez de alternativas: a China absorve sua própria produção sem sobrar para exportação, enquanto o conflito entre Rússia e Ucrânia cortou o abastecimento dos dois países. Em 2025, nenhum outro fornecedor vendeu mais ferro-gusa aos EUA do que o Brasil.
Do lado brasileiro, o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer) participou das audiências em Washington, apresentou documentação formal e contratou advogados especializados para atuar junto ao USTR.
Não houve consenso dentro da própria indústria americana. A Cleveland-Cliffs, que figura entre as raras produtoras de ferro-gusa nos EUA, pressionou pela manutenção da cobrança sobre o produto.
Nióbio, lítio e terras raras já estavam garantidos antes
O ferro-gusa foi a única adição relevante na lista final de isenções. Minério de ferro, nióbio, grafite, lítio, manganês, cobre, níquel, cobalto e terras raras já estavam garantidos desde a versão preliminar.
Pedras ornamentais e alguns minerais com processamento industrial, porém, permanecem dentro da faixa de 25%.