Dois homens foram presos na manhã de terça-feira (21) durante a Operação Arremate, que apura corrupção na Câmara de Santa Luzia, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ação foi coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais em conjunto com a Polícia Civil.
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Câmara de Santa Luzia é alvo de investigação por propina
Segundo o MPMG, agentes públicos e fornecedores teriam atuado em conjunto para garantir contratos por meio de propina. O fracionamento irregular de contratações também é investigado como mecanismo para burlar os limites legais de licitação.
Os crimes apurados incluem corrupção passiva, fraude em licitação, contratação direta ilegal, manipulação do caráter competitivo de licitações, desvio de verba pública por meio eletrônico e adulteração de provas.
A base de provas reúne mensagens extraídas de celulares, registros financeiros e documentação administrativa. A Operação Arremate é desdobramento da Operação Caixa Dourada, que abriu a apuração sobre a Câmara de Santa Luzia em setembro de 2025.
Juiz viu risco de que provas fossem apagadas antes da prisão
A 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Santa Luzia fundamentou as prisões preventivas em três fatores: indícios de tentativa de destruição de provas, risco de interferência em testemunhos e possibilidade de que as práticas investigadas continuassem.
Simultaneamente, equipes executaram mandados de busca em endereços residenciais e comerciais vinculados aos investigados. Bens e valores foram bloqueados, e o conteúdo de dispositivos eletrônicos apreendidos foi disponibilizado para análise por autorização judicial.
Um terceiro investigado não foi preso, mas ficou proibido de exercer o cargo na Câmara e de se comunicar com os demais alvos e com testemunhas do processo.
Presidente da Câmara diz que gestão atual não é investigada
Em nota lida em plenário e transmitida pelo canal da Casa no YouTube, o presidente Glayson Johnny afirmou que todos os investigados encerraram vínculo com a Câmara em 31 de dezembro de 2024. Contratos, atos administrativos e servidores da gestão atual, de 2025 e 2026, não integram a investigação, segundo Johnny. Ele acrescentou que nenhuma diligência da operação foi realizada no prédio da Câmara.
A Prefeitura de Santa Luzia divulgou nota afirmando não ter relação com a operação. A administração pediu que, confirmadas irregularidades, a lei seja aplicada com rigor, respeitando o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência.